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17 de jan.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















Projeto-piloto no centro de produção de propulsão elétrica em Wolverhampton aumenta segurança, corta tempo de paragem e prepara trabalhadores para tecnologias digitais.
A JLR está a dar um passo visível na digitalização das suas operações industriais ao testar drones em inspeções de máquinas e instalações no seu Centro de Produção de Propulsão Eléctrica (EPMC), em Wolverhampton. Segundo a empresa, o projeto-piloto permitiu reduzir um processo de inspeção que demorava cerca de quatro horas para apenas 10 minutos, diminuindo o tempo de paragem e reforçando a segurança dos trabalhadores.
A iniciativa insere-se na estratégia Reimagine e no programa Future Skills, com o qual a JLR pretende formar 29 mil colaboradores em competências digitais e de eletrificação, ajustando o perfil de qualificação das equipas às exigências das fábricas do futuro.
No EPMC, a JLR recorre ao drone Elios 3, da Flyability, para aceder a zonas altas e espaços confinados no interior das instalações. Operado a partir do piso da fábrica, através de um tablet, o equipamento permite às equipas de manutenção inspecionar componentes e estruturas sem recorrer a plataformas elevatórias, escadas ou outros meios físicos que aumentam a exposição ao risco.

O sistema gera um mapa 3D em tempo real do ambiente, ajudando a identificar anomalias e a planear intervenções de forma mais precisa. A JLR sublinha que a tecnologia contribui para reduzir o tempo de inatividade para manutenção, libertando técnicos para outras tarefas consideradas críticas para a operação.
Nigel Blenkinsop, Executive Director of Industrial Operations, resume o enquadramento: à medida que a empresa transforma as suas instalações, está também a repensar como as fábricas são mantidas e operadas, usando projetos-piloto deste tipo para melhorar segurança, eficiência e qualificação das equipas.
Mais do que um simples “olho voador”, o drone está equipado com sensores LiDAR — tecnologia que emite pulsos de luz laser e mede o tempo de retorno para calcular distâncias — permitindo construir mapas 3D detalhados do interior da unidade fabril.
Em complemento, integra uma câmara térmica, que auxilia na deteção de componentes sujeitos a sobreaquecimento ou com falhas de isolamento. Esta abordagem permite identificar ineficiências energéticas e potenciais falhas antes de se tornarem problemas maiores, apoiando o esforço da JLR para reduzir as emissões operacionais globais.
Do ponto de vista dos trabalhadores, o projeto também redefine funções. Shantnu Mehta, Project Engineer, destaca que nunca imaginou estar a aprender a pilotar drones como parte da sua função, sublinhando o impacto da iniciativa na evolução das competências individuais e na forma como os colaboradores passam a participar na transformação industrial.

Depois dos testes em Wolverhampton, a próxima etapa do projeto será implementada no Centro de Operações Logísticas (LOC) em Solihull, um espaço de armazenamento com cerca de 91.800 m², o equivalente a 13 campos de futebol.
Nesta fase, os drones serão equipados com leitores de códigos de barras para substituir as contagens manuais de inventário. A JLR procura assim automatizar as verificações de stock, permitindo:
atualizações mais rápidas e precisas,
redução de erros humanos,
melhoria da segurança,
decisões mais informadas sobre utilização de espaço, níveis de stock e fluxo de abastecimento.
A automatização deste tipo de tarefa num armazém de grandes dimensões é vista como mais um passo rumo a operações logísticas mais eficientes e alinhadas com a digitalização da cadeia de abastecimento.
O projeto insere-se num investimento de 18 mil milhões de libras que a JLR prevê realizar ao longo de cinco anos a partir do ano fiscal de 2024, no contexto da sua estratégia de transformação e eletrificação.
A iniciativa é explorada através do programa de Open Innovation, lançado em 2022, que procura acelerar tecnologias de próxima geração e soluções sustentáveis em parceria com startups, scale-ups e organizações externas. Até ao momento, a JLR já colaborou com mais de 2.500 startups a nível global, resultando em 36 parcerias formais.

Paralelamente, o programa Future Skills tem como objetivo preparar 29.000 trabalhadores para o contexto da eletrificação e das tecnologias digitais, reforçando a ideia de que a transição não é apenas tecnológica, mas também de competências.
Ao combinar drones, LiDAR, câmaras térmicas e automação de inventários, a JLR não está apenas a introduzir gadgets de alta tecnologia nas suas fábricas; está a testar, em contexto real, como será a gestão diária de instalações industriais num cenário de maior complexidade técnica e pressão sobre custos, energia e emissões.
O projeto-piloto em Wolverhampton e Solihull mostra que a ideia de “fábrica do futuro” passa tanto por usar menos recursos e reduzir riscos como por requalificar o trabalho humano, deslocando tarefas repetitivas e potencialmente perigosas para sistemas automatizados e devolvendo às equipas um papel mais analítico e de supervisão.
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