
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










José Correia foi absolutamente dominador na Rampa Internacional de Boticas e relançou a luta pelo título absoluto do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group. Ao volante do Osella PA30, o piloto bracarense assinou o melhor tempo nas seis subidas realizadas — três de treinos e três de prova — e venceu com 9,525 segundos de vantagem sobre Nuno Caetano. Tomás Pinto completou um pódio formado pelos três candidatos ao campeonato, enquanto Luís Nunes saiu de Boticas já com o oitavo título nacional da carreira assegurado.
A sexta jornada da temporada confirmou a exigência da Rampa Internacional de Boticas, com os seus 5,11 quilómetros a proporcionarem diferenças reduzidas em várias categorias e numerosos incidentes ao longo do programa. Perante muito público, a prova organizada pelo Demoporto acabou por ter em José Correia a figura incontornável de um fim de semana particularmente importante para as contas do campeonato.
Há vitórias construídas pela regularidade e outras em que um piloto simplesmente impõe um ritmo que os adversários não conseguem acompanhar. Foi este segundo cenário que se viveu em Boticas. José Correia colocou o Osella PA30 no topo da tabela em todas as ocasiões em que entrou em pista: foi o mais rápido nas três Subidas de Treinos Oficiais e repetiu o resultado nas três Subidas de Prova.
A vantagem já era significativa no final de sábado, mas Correia manteve a pressão no domingo e voltou a impor-se nas duas passagens decisivas. O somatório das melhores subidas fixou-se em 4:35,389, suficiente para terminar 9,525 segundos à frente do segundo classificado. Num campeonato onde as diferenças entre os principais candidatos têm sido frequentemente reduzidas, a margem alcançada em Boticas reforça a posição do piloto bracarense na discussão pelo título.

Nuno Caetano foi quem mais se aproximou. Depois de ter conquistado a sua primeira vitória absoluta na Rampa Capital do Móvel, o piloto português radicado em Londres voltou a levar o Osella PA2000 EVO2-PA30 da Power House ao pódio, terminando em segundo. Mais um resultado importante para um piloto que continua a mostrar velocidade e consistência numa fase decisiva da temporada.
Tomás Pinto protagonizou uma recuperação importante. O piloto da Famaconcret Racing Team tinha mostrado velocidade suficiente para chegar ao segundo lugar absoluto durante os treinos, mas foi prejudicado pela chuva na primeira Subida de Prova. No domingo respondeu com tempos de 2:23,690 e 2:24,045, levando o BRC CM05 Evo ao terceiro posto absoluto e garantindo nova vitória entre os Protótipos B.
José López-Fombona levou o Audi RS5 DTM ao quarto lugar absoluto, à frente de Carlos Gonçalves, em Osella PA21/S, e do campeão nacional Hélder Silva, com o Osella PA21/S Evo. Gonçalo Inácio, Sérgio Nogueira, Nuno Guimarães e Luís Nunes fecharam, por esta ordem, os dez primeiros.

Pos. | Piloto | Viatura |
1.º | José Correia | Osella PA30 |
2.º | Nuno Caetano | Osella PA2000 EVO2-PA30 |
3.º | Tomás Pinto | BRC CM05 Evo |
4.º | José López-Fombona | Audi RS5 DTM |
5.º | Carlos Gonçalves | Osella PA21/S |
6.º | Hélder Silva | Osella PA21/S Evo |
7.º | Gonçalo Inácio | BRC B49 |
8.º | Sérgio Nogueira | Silver Car S3 |
9.º | Nuno Guimarães | Ginetta G40 |
10.º | Luís Nunes | Škoda Fabia R5 |
Nos GT, José Rodrigues voltou a impor-se de forma clara. Mesmo utilizando o anterior Porsche 997 GT3 Cup, o campeão nacional construiu margem suficiente nas duas primeiras Subidas de Prova para não necessitar do resultado da última passagem. Terminou com 5:09,650, à frente de Daniel Vilaça, segundo com 5:21,501, e Beatriz Correia, terceira com 5:28,398. Vilaça e Correia mantêm, assim, uma disputa particularmente próxima pela condição de vice-campeão nacional da categoria.
Muito mais apertada foi a discussão nos Turismos. A ausência de Pedro Alves abriu espaço para Luís Delgado, que levou o Kia Cee'd à vitória com 5:10,966. Guilherme Silva terminou em segundo com o Audi RS3 LMS, a 9,924 segundos, assegurando também a segunda posição nos Turismo 2.
A luta pelo terceiro lugar foi decidida por apenas 303 milésimos. Daniel Pacheco colocou o Mitsubishi Lancer Evo X em 5:21,562 e superou Parcídio Summavielle, no Škoda Fabia R5, que terminou com 5:21,865. Pacheco venceu igualmente os Turismo 1, à frente de Summavielle e Paulo Silva, enquanto Delgado se impôs nos Turismo 2 perante Guilherme Silva.
Nos Turismo 3, a diferença voltou a ser mínima. Nuno Guimarães venceu com o Ginetta G40, Carlos Silva terminou em segundo no Renault Clio RS, a 3,2 segundos, e Aníbal Pinto colocou outro Clio RS no terceiro lugar, apenas 728 milésimos atrás do segundo classificado.

Se a luta pelo título absoluto saiu de Boticas ainda mais aberta, houve uma conta importante que ficou matematicamente encerrada. Luís Nunes sagrou-se campeão nacional da Categoria Super Challenge, acrescentando o oitavo título nacional de categoria ao seu palmarés.
Ao volante do Škoda Fabia R5, o piloto de Valpaços venceu a categoria e os SC-A e conseguiu ainda um significativo 10.º lugar absoluto. Os oito títulos conquistados ao longo da carreira distribuem-se pelas categorias Turismo e Super Challenge.
José Pires, com o Nissan GT-R R35, terminou em segundo nos SC-A e na classificação da categoria, enquanto José Lameiro regressou à competição colocando o Škoda Fabia MK3 no terceiro lugar.
Nos SC-B, Césaro Simões venceu com o BMW F82 M4, batendo Luís Silva, que regressou com o BMW E30 M3 e terminou a 5,698 segundos. Bruno Gonçalves, piloto de Boticas, fechou o pódio ao volante do Volkswagen Golf GTI R35.
Bruno Carvalho voltou a vencer nos SC-C, levando o Citroën Saxo S1600 ao triunfo com 5:26,058. Alberto Pereira, em Honda Civic Type R, ficou a nove segundos e Francisco Vieira Leite terminou em terceiro com o Toyota Corolla T-Sport. Nos SC-D, Bruno Gomes prolongou a sua sequência de resultados com nova vitória no Fiat Punto 85 Sport, seguido por Tiago Teixeira, em Peugeot 106 Rallye, e Miguel Ângelo Oliveira, num Peugeot 106 XSI.

A Rampa Internacional de Boticas deixa, sobretudo, um campeonato absoluto ainda mais interessante para as jornadas finais. José Correia, Nuno Caetano e Tomás Pinto ocuparam os três lugares do pódio, precisamente os pilotos que permanecem diretamente envolvidos na discussão pelo título.
Correia saiu como o grande vencedor não apenas pelo resultado, mas pela forma como o conseguiu. Ser o mais rápido em todas as seis subidas do programa num traçado como Boticas transformou uma vitória importante numa demonstração clara de força numa fase em que cada ponto começa a ter peso decisivo.
Nuno Caetano voltou a confirmar que a vitória anterior não foi um resultado isolado, enquanto Tomás Pinto conseguiu limitar os danos de um sábado condicionado pela chuva e regressar ao pódio absoluto. Com os três candidatos reunidos nos três primeiros lugares, Boticas não resolveu a principal questão do Campeonato de Portugal de Montanha — tornou-a ainda mais difícil de prever.
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