
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
17 de jan.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















Registos de carrinhas e camiões recuam na União Europeia, refletindo um contexto económico adverso, enquanto os autocarros contrariaram a tendência e cresceram 7,5% ao longo do ano.
O mercado europeu de veículos comerciais viveu um ano desafiante em 2025. As matrículas de carrinhas e camiões registaram quedas significativas em praticamente todos os grandes mercados da União Europeia, num reflexo direto do abrandamento económico e da incerteza que marcou o setor dos transportes e da logística. A única exceção foi o segmento dos autocarros, que encerrou o ano com crescimento positivo.
De acordo com os dados agora divulgados pela ACEA, associação que reúne os principais fabricantes de veículos , as novas matrículas de carrinhas na União Europeia caíram 8,8% em 2025, com os três maiores mercados a contribuírem de forma decisiva para este resultado. França registou a quebra mais acentuada (-5,6%), seguida da Alemanha (-5,4%) e de Itália (-5%). Em sentido oposto, Espanha destacou-se com um crescimento expressivo de 11,7%, contrariando a tendência negativa generalizada.
O mercado de camiões seguiu uma trajetória semelhante. As matrículas de novos veículos caíram 6,2% face a 2024, totalizando 307.460 unidades. A retração foi particularmente evidente no segmento dos pesados, com uma descida de 5,4%, enquanto os camiões médios registaram uma quebra ainda mais acentuada, de 9,9%.
Todos os principais mercados europeus fecharam o ano em terreno negativo. A Alemanha liderou a descida, com uma contração de 12,2%, seguida por França (-9%) e Espanha (-3,6%), refletindo o impacto direto da desaceleração económica na procura por veículos de transporte de mercadorias.
Em contraste com carrinhas e camiões, o segmento dos autocarros apresentou um desempenho positivo em 2025. As novas matrículas na União Europeia cresceram 7,5%, alcançando um total de 38.238 unidades.
O crescimento foi impulsionado sobretudo pela Alemanha, que registou um aumento de 28%, e pela Polónia, com uma subida de 16,6%. Itália (-15,9%) e Espanha (-4%) mantiveram, contudo, uma trajetória descendente, revelando uma evolução desigual entre os diferentes mercados.
Apesar do aumento da quota de veículos eletricamente carregáveis nos três segmentos, o ritmo de adoção continua abaixo do necessário para cumprir os objetivos climáticos europeus. Infraestruturas insuficientes, custos energéticos elevados, condições desfavoráveis de custo total de utilização e políticas públicas inconsistentes continuam a travar uma transição mais rápida.
No segmento das carrinhas, o gasóleo manteve-se como a principal escolha em 2025, com 80,7% de quota de mercado, apesar de uma queda de 12,8% nas matrículas. Os modelos a gasolina perderam relevância (-31,9%), enquanto as carrinhas eletrificadas atingiram uma quota de 11,2%, quase duplicando face a 2024. As versões híbridas cresceram 21,4%, mas continuam a representar apenas 2,7% do mercado.
Nos camiões médios e pesados, o gasóleo continuou dominante, com 93,2% das novas matrículas, apesar de uma redução de 8% em volume. Os camiões eletricamente carregáveis acima de 3,5 toneladas atingiram 4,2% de quota de mercado, face aos 2,3% do ano anterior.
Os Países Baixos (+205,4%), Alemanha (+39,6%) e França (+30,5%) lideraram este crescimento, concentrando em conjunto cerca de dois terços do mercado europeu de camiões elétricos, ainda que o volume total permaneça limitado.
O segmento dos autocarros elétricos apresentou uma evolução mais robusta. Em 2025, os veículos eletricamente carregáveis representaram 23,8% das novas matrículas na União Europeia. A Alemanha, maior mercado em volume, registou um crescimento de 106,4%, enquanto Suécia (+262,1%) e Bélgica (+233,5%) também apresentaram aumentos expressivos.
Em contrapartida, os autocarros híbridos sofreram uma queda de 24,9%, ficando com 7% de quota de mercado. Os modelos a gasóleo cresceram 5,7%, mantendo-se como a principal motorização, com 62,1% de quota, ainda que em ligeira descida face ao ano anterior.
Os dados de 2025 confirmam que o mercado europeu de veículos comerciais atravessa uma fase de ajustamento difícil. A eletrificação avança, mas de forma desigual e condicionada por fatores estruturais. Enquanto os autocarros lideram a mudança, carrinhas e camiões continuam fortemente dependentes do gasóleo, evidenciando os desafios que o setor enfrenta para conciliar competitividade económica e transição energética.
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