
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
14 de fev.










A Nissan registou uma quebra global de produção e vendas em abril de 2026, refletindo um cenário ainda marcado por dificuldades em mercados-chave como China, Europa e México, apesar de sinais de recuperação nos Estados Unidos e no mercado doméstico japonês.
Os números divulgados pela construtora japonesa mostram um contexto de transição particularmente desafiante para a marca. A produção global da Nissan caiu 4,2% em abril, fixando-se nas 212.463 unidades, enquanto o acumulado dos primeiros quatro meses do ano recuou 4,3%, para 898.098 veículos. Apesar do crescimento de 5,4% na produção japonesa durante abril, a quebra nas operações internacionais continua a penalizar fortemente os resultados globais da fabricante.
Os Estados Unidos surgem como uma das raras notas positivas no relatório. A produção norte-americana aumentou 32,2% em abril e 18% no acumulado do ano, refletindo uma recuperação importante da operação industrial da Nissan naquele mercado. Em contraste, o México continua a enfrentar um período complicado, com uma quebra de 31,4% na produção mensal e de 28,3% no acumulado anual, números que ajudam a explicar parte da contração global da marca.
Também a China mantém tendência negativa, tanto na produção como nas vendas. A produção caiu 10% em abril e as vendas afundaram 30,8%, confirmando as dificuldades crescentes das marcas japonesas num dos mercados automóveis mais competitivos do mundo, hoje fortemente dominado por fabricantes locais e pela rápida expansão dos veículos elétricos chineses.
Na Europa, o cenário também permanece delicado. As vendas da Nissan recuaram 12,1% em abril e 11,2% no acumulado do ano, acompanhando a pressão generalizada que várias marcas tradicionais enfrentam no mercado europeu, particularmente devido à crescente concorrência chinesa e à transição acelerada para a eletrificação.
Globalmente, as vendas da Nissan desceram 7,6% em abril, totalizando 208.663 veículos, enquanto o acumulado anual caiu 5,5%, para pouco mais de um milhão de unidades. Ainda assim, o mercado japonês apresentou sinais de resiliência, sobretudo graças ao crescimento dos miniveículos (“kei cars”), que aumentaram 11,5% em abril e ajudaram a compensar parcialmente a quebra nos veículos tradicionais de passageiros.
Outro dado relevante surge nas exportações a partir do Japão, que caíram 14,5% em abril. O recuo foi particularmente severo para a Europa, com uma descida de 64,9%, evidenciando não apenas a menor procura, mas também possíveis ajustamentos estratégicos da Nissan na distribuição internacional e na reorganização das suas operações globais.
Os resultados refletem um momento de forte pressão para a construtora japonesa, que continua a tentar equilibrar reestruturação industrial, competitividade tecnológica e adaptação ao novo panorama automóvel global, cada vez mais dominado pela eletrificação, pelas marcas chinesas e pela necessidade de controlo de custos.
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