
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










A Nissan voltou a apresentar sinais positivos em dois dos seus mercados estratégicos, com as vendas a crescerem 3,6% no Japão e 2,3% nos Estados Unidos em julho. O desempenho, porém, não foi suficiente para compensar a forte retração na China e as quedas registadas noutras regiões: globalmente, a marca vendeu 219.495 veículos, menos 16,5% do que há um ano, enquanto a produção recuou 15,5%.
Os números divulgados pela Nissan Motor relativos a julho de 2026 mostram uma empresa a evoluir a velocidades bastante diferentes consoante o mercado. Japão e Estados Unidos, dois territórios importantes para a recuperação da fabricante, mantiveram uma trajetória positiva, enquanto a China voltou a exercer forte pressão sobre o resultado global.
No total, a Nissan comercializou 219.495 veículos em julho, uma redução homóloga de 16,5%. A produção mundial acompanhou a tendência, caindo 15,5%, para 188.130 unidades. Já as exportações a partir das fábricas japonesas seguiram na direção contrária e aumentaram 6,5%, atingindo 31.222 veículos.
Os números acumulados também confirmam que a recuperação ainda está longe de ser uniforme. Entre abril e julho de 2026, a Nissan vendeu 898.368 veículos globalmente, menos 10,8% face às 1.006.773 unidades registadas no mesmo período do ano anterior.

No mercado doméstico, a Nissan registou 35.872 veículos vendidos em julho, incluindo os minivehículos, resultado que representa um crescimento de 3,6% em termos homólogos.
Os automóveis sujeitos a matrícula convencional chegaram às 21.936 unidades, mais 5,4%, enquanto os miniveículos cresceram 0,9%, para 13.936 unidades. Dentro dos veículos de passageiros convencionais, o crescimento foi mais expressivo, atingindo 9,7%.
A Nissan atribui parte desta recuperação ao interesse gerado por produtos recentemente lançados, nomeadamente Kicks e Elgrand, que estão a contribuir para recuperar algum impulso comercial no mercado japonês.
No acumulado de abril a julho, as vendas no Japão chegaram às 124.102 unidades, mais 1,9% relativamente ao período equivalente de 2025.
Também os Estados Unidos apresentaram números positivos. A Nissan vendeu 75.926 veículos em julho, um aumento de 2,3%, enquanto no acumulado dos quatro meses as entregas cresceram 7,8%, para 318.667 unidades.
A fabricante relaciona esta evolução com a estratégia de localização da operação e com o desempenho de produtos como o Nissan Rogue.
Se Japão e Estados Unidos dão sinais de recuperação, a situação na China continua a representar um dos principais desafios para a Nissan.
As vendas no maior mercado automóvel do mundo caíram 58,7% em julho, passando para apenas 23.677 unidades. Entre abril e julho, foram comercializados 131.101 veículos, uma retração de 39,2% relativamente às 215.495 unidades do mesmo período do exercício anterior.
A produção sofreu uma contração ainda mais acentuada no mês. As fábricas chinesas produziram 16.057 veículos, menos 66,9% do que em julho de 2025. No acumulado entre abril e julho, a produção atingiu 122.240 unidades, uma redução de 38,7%.
A dimensão destas quedas ajuda a explicar por que razão a recuperação observada noutros mercados ainda não se traduz numa melhoria dos números globais.
A Nissan reconhece que o contexto chinês permanece difícil e está a procurar acelerar a transição para os chamados NEV — New Energy Vehicles, categoria que naquele mercado abrange sobretudo elétricos e diferentes soluções híbridas. Entre os produtos apontados para esta estratégia encontra-se o novo NX8.
A situação europeia está igualmente longe de mostrar uma recuperação consistente. A Nissan vendeu 21.472 veículos na Europa durante julho, uma redução de 6% em relação ao mesmo mês de 2025.
O acumulado é mais desfavorável: entre abril e julho foram comercializadas 85.206 unidades, contra 97.481 no mesmo período do ano anterior, o que representa uma queda de 12,6%.
Na América do Norte, considerada no seu conjunto, a situação é mais equilibrada. Foram vendidos 106.315 veículos em julho, menos 1,5%. O crescimento norte-americano foi travado sobretudo pelo Canadá, onde as vendas recuaram 31,6%, enquanto o México caiu ligeiramente, 0,8%.
Ainda assim, entre abril e julho, a região acumulou 434.564 unidades, mais 2,8% em termos homólogos.
Mercado | Unidades | Variação homóloga |
Japão | 35.872 | +3,6% |
Estados Unidos | 75.926 | +2,3% |
Canadá | 6.741 | -31,6% |
México | 23.561 | -0,8% |
Europa | 21.472 | -6,0% |
China | 23.677 | -58,7% |
Outros mercados | 32.159 | -19,6% |
Total mundial | 219.495 | -16,5% |
Os dados industriais revelam contrastes ainda maiores. A produção global da Nissan caiu para 188.130 veículos em julho, menos 15,5%, mas Japão e Estados Unidos apresentaram aumentos relevantes.
No Japão foram fabricadas 55.101 unidades, um crescimento de 7,2%, enquanto as unidades norte-americanas produziram 38.622 veículos, mais 34,2%.
O desempenho dos Estados Unidos ganha ainda mais expressão no acumulado entre abril e julho: foram produzidas 189.815 unidades, um aumento de 36,2% relativamente às 139.415 do período homólogo.
Em sentido contrário, o México caiu 18,9%, para 38.496 unidades; o Reino Unido recuou 6,1%, para 22.104; e a China registou a já referida quebra de 66,9%.
No conjunto, a produção realizada fora do Japão caiu 22,3%, para 133.029 veículos.
Região/país | Unidades | Variação homóloga |
Japão | 55.101 | +7,2% |
Estados Unidos | 38.622 | +34,2% |
México | 38.496 | -18,9% |
Reino Unido | 22.104 | -6,1% |
China | 16.057 | -66,9% |
Outros | 17.750 | -22,4% |
Produção mundial | 188.130 | -15,5% |
Outro indicador positivo chega das exportações das fábricas japonesas, que cresceram 6,5% em julho, para 31.222 unidades.
A América do Norte recebeu 17.421 veículos produzidos no Japão, mais 20,8% do que há um ano, enquanto os restantes mercados absorveram 12.701 unidades, num crescimento de 15,3%.
A exceção foi novamente a Europa. As exportações japonesas destinadas ao continente ficaram em apenas 1.100 unidades, uma quebra de 71,7%. Entre abril e julho, a redução chega a 57,4%, de 13.505 para 5.755 veículos.
No acumulado dos quatro meses, as exportações totais a partir do Japão atingiram 110.862 unidades, mais 6,9%.
Os resultados de julho mostram alguns sinais favoráveis para a Nissan, particularmente nos Estados Unidos e no Japão. O crescimento da produção norte-americana, a recuperação das vendas no mercado doméstico e o aumento das exportações japonesas são indicadores importantes num momento em que o fabricante procura reforçar a sua competitividade.
Contudo, os números globais continuam a mostrar a dimensão do desafio. Uma queda de 16,5% nas vendas mundiais e de 15,5% na produção num único mês dificilmente permite falar numa recuperação consolidada, sobretudo quando a China apresenta uma contração próxima dos 60% nas vendas e de 67% na produção.
A aposta em novos produtos, maior localização industrial e expansão da oferta de veículos eletrificados deverá, por isso, ser determinante para perceber se os sinais positivos observados no Japão e nos Estados Unidos conseguem transformar-se numa recuperação mais abrangente. Por enquanto, julho mostra sobretudo uma Nissan com dois mercados importantes em crescimento, mas ainda pressionada por uma forte deterioração na China e por resultados negativos na Europa e noutras regiões.
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