Produção automóvel em Espanha recua 1,8% até agosto, mas eletrificados ganham peso nas fábricas

A indústria automóvel espanhola produziu 1.452.791 veículos entre janeiro e agosto de 2026, uma redução de 1,8% face ao mesmo período do ano passado. Apesar da quebra no volume total e de uma descida de 2,8% nas exportações, a entrada em produção de novos modelos eletrificados começa a alterar o perfil das fábricas: em agosto, praticamente um em cada cinco veículos produzidos em Espanha já era elétrico ou híbrido plug-in.
Os números divulgados pela ANFAC mostram uma evolução desigual durante o verão. Em julho saíram das fábricas espanholas 193.806 veículos, mais 3,3% do que no mesmo mês de 2025, enquanto agosto terminou com apenas 59.443 unidades e uma quebra de 15,5%. A associação mantém, ainda assim, a previsão de aproximadamente 2,25 milhões de veículos produzidos em 2026, cerca de 1% abaixo do resultado do ano passado.
A diferença entre ligeiros de passageiros e veículos comerciais e industriais foi particularmente expressiva. Em julho foram produzidos 144.677 ligeiros de passageiros, mais 1,9%, mas em agosto o volume caiu 26,9%, para 46.295 unidades. Em sentido contrário, comerciais e industriais cresceram 7,6% em julho, para 49.129 veículos, e 88% em agosto, alcançando 13.148 unidades.
Exportações também recuam e Europa continua a absorver quase 90% da produção enviada ao exterior
O desempenho das exportações acompanha a redução da atividade industrial. Entre janeiro e agosto, Espanha exportou 1.235.865 veículos, menos 2,8% em termos homólogos. Só em julho foram enviados para outros mercados 162.958 veículos, mais 3,2%, enquanto agosto terminou com 57.878 unidades exportadas, uma queda de 15,3%.
A Europa continua a ser, de forma destacada, o principal destino dos automóveis fabricados no país. Representou 90,8% das exportações espanholas em julho e 89% em agosto, embora ambas as percentagens tenham recuado ligeiramente em relação a 2025.
Alemanha e França mantiveram as duas primeiras posições entre os destinos europeus nos dois meses. O Reino Unido ocupou o terceiro lugar em julho e Itália assumiu essa posição em agosto. Há, contudo, diferenças significativas entre mercados: em julho, as exportações para Itália cresceram 59,7% e para os Países Baixos 35,9%, enquanto as destinadas à Turquia caíram 28,6%. Em agosto, destacaram-se as quedas do Reino Unido (-64,2%), Turquia (-39,9%) e Bélgica (-30,7%).
Eletrificação cresce apesar da queda da produção total
É na composição da produção que surge uma das mudanças mais relevantes. Considerando o conjunto de motorizações alternativas — gás natural e GPL, híbridos convencionais, híbridos plug-in e elétricos — foram produzidos 643.130 veículos entre janeiro e agosto, mais 14,5% do que no mesmo período de 2025. Estas motorizações representam agora 44,3% de toda a produção automóvel espanhola.
A evolução dos veículos eletrificados — neste caso, 100% elétricos e híbridos plug-in — é igualmente positiva, embora o seu peso seja ainda bastante inferior ao do conjunto das motorizações alternativas. Nos primeiros oito meses foram produzidas 154.797 unidades, um crescimento de 6,6%, correspondendo a 10,7% da produção total, mais 0,8 pontos percentuais do que há um ano.
Produção em Espanha | Jan.-Ago. 2026 | Variação |
Produção total | 1.452.791 | -1,8% |
Exportações | 1.235.865 | -2,8% |
Motorizações alternativas | 643.130 | +14,5% |
Veículos eletrificados | 154.797 | +6,6% |
Peso das motorizações alternativas | 44,3% | — |
Peso dos eletrificados | 10,7% | +0,8 p.p. |
A chegada de novos modelos às linhas de montagem tornou esta tendência especialmente evidente no verão. Em julho foram produzidos 30.067 veículos eletrificados, mais 46%, correspondendo a 15,5% de todos os veículos fabricados nesse mês. Em agosto, apesar do baixo volume global das fábricas, foram montados 11.586 elétricos e híbridos plug-in, mais 71,1%, elevando a quota para 19,5%.
Espanha continua abaixo dos níveis anteriores à crise da indústria
A recuperação da eletrificação não elimina outro dado estrutural: a produção automóvel espanhola continua distante dos níveis considerados desejáveis pela indústria. A ANFAC salienta que o país ainda não recuperou os volumes de 2019, antes da pandemia e das sucessivas perturbações nas cadeias de abastecimento, nem sequer os resultados alcançados em 2023.
O diretor-geral da associação, José López-Tafall, considera que a entrada de novos modelos eletrificados começa a produzir efeitos nas fábricas, mas defende a continuidade dos incentivos à procura e das políticas industriais previstas no Plano Auto+, juntamente com alterações ao enquadramento europeu em matéria de emissões e regulamentação.
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