Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.


Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.







A produção de veículos automóveis em Portugal registou uma forte quebra em junho, com menos 20,1% de unidades produzidas face ao mesmo mês de 2025. Apesar deste recuo mensal, o acumulado do primeiro semestre mantém-se praticamente estável, enquanto as exportações continuam a ser o principal motor da indústria nacional, absorvendo quase 98% da produção.
A indústria automóvel portuguesa voltou a enfrentar um mês difícil em junho de 2026. Segundo os dados divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), saíram das linhas de produção nacionais 26.229 veículos, menos 20,1% do que no mesmo mês do ano passado. A associação sublinha ainda que os dados relativos à unidade da Fuso Trucks Europe não foram disponibilizados para este período, fator que também influencia a leitura dos resultados.
Apesar da quebra registada em junho, o balanço do primeiro semestre revela um cenário mais equilibrado. Entre janeiro e junho foram produzidas 176.057 viaturas, o que representa uma descida de apenas 1% face ao mesmo período de 2025, mostrando que o setor conseguiu compensar parte das perdas acumuladas ao longo do ano.
A principal redução verificou-se na produção de ligeiros de passageiros, segmento responsável pela maior fatia da indústria automóvel nacional.
Em junho foram produzidas 20.671 unidades, um recuo de 21,8% relativamente ao mesmo mês de 2025.
Ainda assim, no acumulado do primeiro semestre, este segmento apresenta uma evolução positiva de 1,3%, com 141.277 veículos produzidos, demonstrando que a quebra de junho não anulou o crescimento registado nos primeiros meses do ano.
Já os ligeiros de mercadorias registaram uma descida mais moderada de 7,4% em junho, totalizando 5.556 unidades, enquanto o acumulado anual evidencia uma quebra de 8,6%, para 33.498 veículos.
O segmento mais penalizado foi o dos veículos pesados.
Durante todo o mês de junho foram produzidas apenas duas unidades, traduzindo-se numa quebra de 99,5% face ao período homólogo.
No acumulado dos primeiros seis meses do ano, a produção de pesados soma 1.282 unidades, menos 25,8% do que em igual período de 2025.
Mesmo perante a quebra da produção, a indústria automóvel portuguesa mantém uma forte orientação exportadora.
Segundo a ACAP, 97,9% dos veículos produzidos em Portugal durante os primeiros sete meses de 2026 tiveram como destino mercados externos, reforçando o contributo positivo do setor para a balança comercial portuguesa.
A Europa continua a absorver praticamente toda a produção nacional, representando 93,2% das exportações.
Entre os principais destinos destacam-se:
Alemanha (22,5%);
Itália (12,0%);
Turquia (11,7%);
França (11,6%).
Fora da Europa, África mantém-se como o segundo principal destino, com 2,6% das exportações, lideradas pela Tunísia, enquanto o continente americano representa 1,7%.
Enquanto a produção registou um mês negativo, a atividade de montagem de veículos pesados apresentou uma evolução bastante diferente.
Em junho foram montados 44 veículos pesados, um aumento de 144,4% face ao mesmo mês de 2025.
No acumulado do primeiro semestre, foram montadas 153 unidades, o que representa um crescimento de 37,8% relativamente ao período homólogo. Todos os veículos montados correspondem à categoria de pesados de passageiros.
Também neste caso a vocação exportadora permanece evidente: 73,2% dos veículos montados foram exportados, tendo como únicos destinos Alemanha (82,1%) e Reino Unido (17,9%).
Os números de junho mostram uma desaceleração significativa da produção automóvel nacional, sobretudo nos ligeiros de passageiros e nos veículos pesados. No entanto, a evolução do acumulado anual demonstra que a quebra mensal ainda não compromete de forma expressiva o desempenho global de 2026.
Ao mesmo tempo, os dados confirmam a forte dependência da indústria portuguesa dos mercados internacionais. Com praticamente 98% da produção destinada à exportação, o desempenho das fábricas instaladas em Portugal continua intimamente ligado à procura externa, especialmente dos principais mercados europeus.
Segmento | Junho 2026 | Variação |
Ligeiros de passageiros | 20.671 | -21,8% |
Ligeiros de mercadorias | 5.556 | -7,4% |
Veículos pesados | 2 | -99,5% |
Total | 26.229 | -20,1% |
Segmento | Produção | Variação |
Ligeiros de passageiros | 141.277 | +1,3% |
Ligeiros de mercadorias | 33.498 | -8,6% |
Veículos pesados | 1.282 | -25,8% |
Total | 176.057 | -1,0% |
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