
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 3 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










Mais de dois milhões de automóveis mudaram de mãos no Reino Unido entre abril e junho de 2026, algo que não acontecia num segundo trimestre desde 2021. Mas o dado mais significativo está nos elétricos: as transações de usados BEV atingiram um recorde de 110.761 unidades e uma quota de 5,5%. Apesar da mudança em curso, gasolina e Diesel continuam a representar quase nove em cada dez negócios.
O mercado britânico de automóveis usados regressou ao crescimento no segundo trimestre de 2026, com 2.009.318 veículos transacionados entre abril e junho, uma subida de 0,7% face ao mesmo período do ano anterior. Segundo os dados divulgados pela Society of Motor Manufacturers and Traders (SMMT), foi a primeira vez desde 2021 que um segundo trimestre ultrapassou a barreira dos dois milhões de unidades.
O resultado permitiu compensar a ligeira contração registada nos primeiros três meses do ano. No conjunto do primeiro semestre, o mercado contabilizou 4.025.550 transações, mais 0,2% em termos homólogos, ficando o volume do segundo trimestre apenas 1,2% abaixo dos níveis anteriores à pandemia.
Mas é na distribuição por motorizações que encontramos a transformação mais relevante do mercado.
Entre abril e junho foram transacionados 110.761 automóveis 100% elétricos usados, um crescimento de 67% face ao mesmo trimestre de 2025 e a maior progressão trimestral desde o primeiro trimestre de 2024.
Com este aumento, os BEV passaram de aproximadamente um em cada 30 automóveis usados vendidos há um ano para mais de um em cada 18, elevando a quota de mercado de 3,3% para um recorde de 5,5%.
A evolução não foi uniforme durante o trimestre. Abril apresentou uma subida homóloga de 110,9%, maio avançou 57,6% e junho 37,8%. A SMMT relaciona parte da aceleração observada em abril e maio com o aumento dos preços dos combustíveis associado ao conflito no Médio Oriente, embora a comparação seja igualmente influenciada pela base relativamente fraca de 2025.
O crescimento começa também a refletir uma realidade inevitável do ciclo automóvel: à medida que os elétricos matriculados como novos nos últimos anos envelhecem, aumenta a quantidade e diversidade de modelos disponíveis no mercado de segunda mão.
Os híbridos convencionais foram outra das motorizações em destaque. As transações cresceram 31,2%, para 130.825 unidades, elevando a sua quota de mercado de 5% para 6,5%.
O comportamento dos híbridos plug-in foi diferente. Os PHEV registaram 22.856 transações, uma quebra de 6,8%, e viram a sua representação no mercado diminuir de 1,2% para 1,1%.
Motorização | Transações no 2.º trimestre de 2026 |
Gasolina | 1.121.243 |
Diesel | 620.045 |
Híbrido | 130.825 |
Elétrico (BEV) | 110.761 |
Híbrido plug-in | 22.856 |
Os números mostram, contudo, que a transição do parque usado acontece a uma velocidade muito diferente daquela observada nas matrículas de automóveis novos.
Apesar da forte subida dos elétricos e híbridos, gasolina e Diesel continuam a dominar claramente o mercado britânico de usados.
Os automóveis a gasolina foram responsáveis por 1.121.243 transações, permanecendo de longe como a escolha mais frequente, apesar de uma descida homóloga de 1,2%.
Os Diesel perderam mais terreno: 620.045 unidades, menos 7,2% do que no segundo trimestre de 2025. A SMMT associa esta redução, entre outros fatores, à menor disponibilidade proveniente do mercado de automóveis novos dos últimos anos.
Somadas, as duas motorizações tradicionais representaram 86,7% das transações realizadas durante o trimestre. É um número particularmente relevante porque mostra a distância que ainda separa a transformação do mercado de novos da renovação efetiva do parque automóvel.
O ranking dos modelos mais transacionados revela outra característica do mercado de segunda mão: automóveis que já desapareceram das linhas de produção continuam a movimentar dezenas de milhares de negócios.
O Ford Fiesta liderou confortavelmente o segundo trimestre, com 73.570 transações, seguido pelo Vauxhall Corsa, com 59.247, e Volkswagen Golf, com 55.786.
Posição | Modelo | Transações |
1.º | Ford Fiesta | 73.570 |
2.º | Vauxhall (Opel) Corsa | 59.247 |
3.º | Volkswagen Golf | 55.786 |
4.º | Ford Focus | 52.283 |
5.º | Volkswagen Polo | 38.972 |
6.º | MINI | 38.694 |
7.º | Nissan Qashqai | 38.333 |
8.º | BMW Série 3 | 38.104 |
9.º | Vauxhall (Opel) Astra | 33.935 |
10.º | Audi A3 | 32.614 |
O Fiesta consegue uma vantagem superior a 14 mil unidades sobre o segundo classificado e, juntamente com Focus, Corsa, Polo e Astra, demonstra como os segmentos tradicionalmente associados aos compactos continuam a ter enorme peso entre quem procura um automóvel usado.
Os supermini representaram 31,7% de toda a procura, mantendo-se como a categoria mais transacionada. O segmento médio-baixo respondeu por outros 26,6%. Já os veículos classificados pela SMMT como “dual purpose”, categoria que inclui muitos SUV e crossovers, foram os que mais cresceram, avançando 7,4% e atingindo 17,7% do mercado.
Se a motorização está a mudar, as preferências cromáticas continuam bastante conservadoras. Preto, cinzento e branco somaram 1.134.536 transações, representando conjuntamente 56,5% do mercado.
O preto manteve a liderança, com 423.238 automóveis, seguido pelo cinzento, com 377.108, e pelo branco, com 334.190. As três cores cresceram, respetivamente, 0,7%, 4,1% e 4,7%.
Posição | Cor | Transações |
1.º | Preto | 423.238 |
2.º | Cinzento | 377.108 |
3.º | Branco | 334.190 |
4.º | Azul | 315.650 |
5.º | Prateado/Alumínio | 255.718 |
6.º | Vermelho | 195.343 |
7.º | Verde | 38.242 |
8.º | Laranja | 15.671 |
9.º | Amarelo | 11.877 |
10.º | Castanho | 10.055 |
O azul permanece em quarto lugar, com 315.650 unidades, embora tenha recuado 1,1%, enquanto o prateado conservou a quinta posição apesar de uma queda de 6,4%.
“A recuperação do crescimento é uma boa notícia para os automobilistas e para o setor automóvel em geral, com as vendas de veículos elétricos usados a crescerem de forma particularmente forte à medida que uma maior escolha chega a mais compradores”, afirma Mike Hawes, diretor executivo da SMMT.
Hawes alerta, contudo, para a necessidade de existir oferta suficiente a preços acessíveis, uma questão particularmente importante porque é no mercado de usados que grande parte dos consumidores efetivamente compra automóvel.
Os números do segundo trimestre ajudam a perceber a dimensão do desafio. Os elétricos cresceram 67% e alcançaram uma quota recorde, mas representam ainda apenas 5,5% das transações; gasolina e Diesel, mesmo em queda, continuam nos 86,7%.
Mais do que uma contradição, esta diferença mostra o efeito temporal da renovação do parque. As mudanças verificadas hoje no mercado de automóveis novos só chegam plenamente aos usados alguns anos depois. O crescimento dos BEV no segundo trimestre de 2026 poderá, por isso, ser um primeiro sinal de uma transformação mais profunda: a eletrificação começa finalmente a chegar ao segmento no qual a maioria dos consumidores procura efetivamente o seu próximo automóvel.
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