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17 de jan.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















O primeiro modelo do pós-guerra da marca checa é celebrado numa mostra dedicada no Museu Škoda, em Mladá Boleslav, evocando um automóvel que marcou a retoma industrial e a afirmação internacional da Škoda após a Segunda Guerra Mundial.
O Museu Škoda inaugurou, no dia 20 de janeiro de 2026, uma exposição especial dedicada ao Škoda 1101 ‘Tudor’, assinalando os 80 anos do início da produção daquele que foi o primeiro modelo do pós-guerra da marca. A mostra, patente até 21 de maio de 2026, revisita a história de um automóvel que desempenhou um papel determinante na reconstrução da Škoda e no relançamento das suas exportações a nível global.
Produzido pela primeira vez na primavera de 1946, em Mladá Boleslav, o Škoda 1101 rapidamente ficou conhecido como ‘Tudor’, numa referência à sua carroçaria fechada de duas portas. O modelo destacou-se pela robustez, fiabilidade, baixos custos de manutenção e conforto de utilização, características particularmente valorizadas num contexto europeu ainda marcado pelas dificuldades do pós-guerra.
O primeiro Škoda 1101 de produção saiu da linha de montagem a 6 de maio de 1946, sucedendo aos bem-sucedidos Rapid e Popular da década de 1930. Num período em que as infraestruturas rodoviárias eram limitadas e os recursos escassos, o Tudor apresentou-se como uma solução equilibrada, capaz de responder às necessidades de mobilidade de um público vasto, tanto no mercado interno como no estrangeiro.
Até ao final da produção, em 1952, a Škoda fabricou 66.904 unidades civis do 1101/1102, às quais se juntaram 4.237 versões especiais, destinadas a utilizações específicas, incluindo forças de segurança e serviços de emergência.
O Škoda 1101 era uma berlina compacta de duas portas e quatro lugares, com pouco mais de quatro metros de comprimento. Assentava num chassis tubular com suspensão independente às quatro rodas, uma solução técnica avançada para a época. O motor de quatro cilindros OHV, com 1.089 cm³, debitava 32 cv (23,6 kW), permitindo atingir os 100 km/h e apresentando um consumo médio de cerca de 8,0 l/100 km.
Em 1948 surgiu o Škoda 1102, uma evolução do modelo original, com alterações estéticas na grelha e nos para-choques e a introdução opcional da alavanca da caixa de quatro velocidades na coluna de direção, em substituição da tradicional alavanca no piso.
A versatilidade da base técnica permitiu o desenvolvimento de múltiplas carroçarias, incluindo berlina de quatro portas, roadster e descapotável com capota em lona. Paralelamente, surgiram variantes utilitárias, como furgões, ambulâncias e carrinhas de passageiros, bem como versões militares e de emergência, conhecidas como Škoda 1101 VO e 1101 P.

Mais de 65% da produção do Škoda 1101/1102 destinou-se à exportação. Em 1951, o modelo era comercializado em 76 países, com particular expressão em mercados como Polónia, Países Baixos, Bélgica e Alemanha Ocidental, chegando também a regiões mais distantes, como Austrália, Canadá, Índia, Marrocos, Quénia e África do Sul.
O Tudor destacou-se igualmente no desporto automóvel. A fiabilidade e a eficiência tornaram-no competitivo em ralis e provas de resistência, tanto na Europa como na América do Sul. Um dos momentos mais marcantes ocorreu nas 24 Horas de Spa de 1948, onde três Škoda 1101 inscritos venceram a sua classe, ocupando os três primeiros lugares após quase dois mil quilómetros disputados sob condições meteorológicas adversas. O legado desportivo prolongou-se na década seguinte com os modelos Škoda Sport e Supersport.
A exposição “80 Anos do Škoda 1101 ‘Tudor’” oferece uma visão abrangente sobre o automóvel que ajudou a reposicionar a Škoda no panorama internacional do pós-guerra. A mostra reúne versões representativas e raras do modelo, contextualizadas através de painéis fotográficos de grande formato, imagens de época e artefactos históricos.
O Museu Škoda complementa esta exposição com o acesso a áreas recentemente inauguradas, que incluem veículos maioritariamente não restaurados em instalações históricas de produção. Mediante marcação, é ainda possível combinar a visita ao museu com visitas às unidades industriais da marca ou a outros locais de relevância histórica ligados à Škoda.
O Tudor, oito décadas depois do início da sua produção, continua assim a ser lembrado não apenas como um automóvel, mas como um símbolo de recuperação, engenho técnico e ambição global da marca checa.
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