
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










Um Škoda Peaq 90 de produção em série percorreu 936 quilómetros entre a República Checa e os Países Baixos sem qualquer recarga, registando um consumo médio de apenas 9,2 kWh/100 km. O resultado, acompanhado pela TÜV SÜD, supera em quase 45% os 647 km de autonomia WLTP homologada do SUV elétrico de sete lugares. É um número expressivo, mas que exige contexto: o percurso e a condução foram deliberadamente otimizados para maximizar a autonomia e a própria Škoda reconhece que não representam uma utilização quotidiana normal.
Percorrer 936 quilómetros sem parar para carregar é um resultado pouco habitual para qualquer automóvel elétrico e torna-se ainda mais relevante quando falamos de um SUV de grandes dimensões com sete lugares. Foi precisamente esse o objetivo de dois colaboradores da Škoda, Marek Jež e Jakub Krs, que partiram da sede da fabricante em Mladá Boleslav, na República Checa, para perceber até onde conseguiriam levar a autonomia do novo Peaq 90.
A experiência utilizou um automóvel de produção em série, sem uma bateria experimental ou uma configuração mecânica criada especificamente para o teste. O Peaq 90 utilizado dispõe de uma bateria com 91 kWh de capacidade bruta e 86 kWh úteis, motor elétrico de 210 kW (286 cv) e tração traseira, tendo sido equipado com jantes de 19 polegadas e pneus de série de baixa resistência ao rolamento. A aerodinâmica também desempenha um papel importante: apesar das dimensões e da configuração de sete lugares, o modelo apresenta um coeficiente de resistência aerodinâmica de 0,249.
O número torna-se mais interessante quando comparado com a autonomia oficial. O Škoda Peaq 90 anuncia até 647 quilómetros no ciclo WLTP, pelo que os 936 quilómetros percorridos nesta experiência representam mais 289 km, ou aproximadamente 44,7% acima do valor homologado.
Isso não significa, porém, que o Peaq tenha subitamente uma autonomia real de mais de 900 quilómetros. A diferença está essencialmente nas condições em que a viagem foi realizada. A própria Škoda explica que foi escolhido um percurso favorável e que o estilo de condução foi especificamente adaptado para reduzir ao máximo o consumo. Um dos responsáveis pela experiência reconhece inclusivamente que é pouco provável que os clientes conduzam desta forma numa utilização quotidiana.
Esta ressalva é importante porque os 9,2 kWh/100 km registados durante a viagem estão muito abaixo dos consumos normalmente associados a um SUV elétrico deste porte. O resultado deve, portanto, ser entendido como uma demonstração de eficiência em condições cuidadosamente preparadas e não como uma nova referência de autonomia para utilização corrente.
Característica | Dados |
Distância percorrida | 936 km |
Recargas durante o percurso | 0 |
Consumo médio | 9,2 kWh/100 km |
Autonomia homologada WLTP | até 647 km |
Diferença para o WLTP | +289 km / +44,7% |
Bateria bruta | 91 kWh |
Bateria útil | 86 kWh |
Potência | 210 kW / 286 cv |
Tração | Traseira |
Jantes | 19 polegadas |
Pneus | Baixa resistência ao rolamento, de série |
Coeficiente aerodinâmico | 0,249 |
Lugares | 7 |

A viagem começou ao meio-dia de 25 de agosto, na sede da Škoda em Mladá Boleslav. A equipa atravessou a Alemanha, efetuando paragens para descanso, refeições e troca de condutores, mas sem ligar o automóvel a um carregador. Depois de chegar aos Países Baixos nas primeiras horas da manhã seguinte, o percurso terminou durante a tarde em Zandvoort, já com os 936 quilómetros acumulados.
Segundo a fabricante, a tentativa foi realizada sob supervisão da TÜV SÜD, entidade independente de certificação e inspeção técnica. Essa supervisão acrescenta validade à distância e aos dados registados, embora não transforme a experiência num ensaio normalizado comparável com o WLTP. São metodologias e objetivos diferentes: o ciclo homologado procura criar condições reproduzíveis para permitir a comparação entre veículos, enquanto esta viagem procurou deliberadamente encontrar o limite máximo de eficiência possível.
Há, aliás, um pormenor interessante quando cruzamos a distância, o consumo anunciado e a capacidade útil da bateria. 936 km a uma média de 9,2 kWh/100 km correspondem a cerca de 86,1 kWh de energia, praticamente a totalidade dos 86 kWh úteis declarados para a bateria. Os números apresentados pela Škoda são, portanto, matematicamente consistentes com uma utilização praticamente integral da capacidade energética disponível.
É precisamente nos 9,2 kWh/100 km que esta experiência se torna tecnicamente mais interessante. A autonomia de um elétrico pode ser aumentada simplesmente instalando uma bateria maior, mas conseguir fazer um SUV de sete lugares percorrer esta distância com 86 kWh úteis implica reduzir drasticamente a energia necessária para cada quilómetro.
É também por isso que a diferença de 289 km relativamente ao WLTP deve ser interpretada com cuidado. Não demonstra que o protocolo de homologação esteja a subestimar a autonomia do Peaq em 45%; demonstra antes quanto pode variar o alcance de um elétrico quando as condições e a condução são deliberadamente orientadas para a eficiência máxima.

Para além da experiência de autonomia, o comunicado revela um primeiro indicador comercial do novo SUV. Segundo a Škoda, o Peaq já acumulou mais de 10.000 encomendas, numa altura em que as primeiras unidades estão a chegar aos clientes. O documento não apresenta, contudo, uma distribuição destas encomendas por mercados ou versões, pelo que ainda é cedo para avaliar o desempenho comercial do modelo de forma comparativa.
Produzido em Mladá Boleslav, o Peaq ocupa o topo da gama elétrica da fabricante checa e introduz algumas soluções inéditas na marca, entre as quais os puxadores das portas embutidos na carroçaria, teto panorâmico com Dynamic Shade Control e capacidade de carregamento bidirecional.
Os 936 quilómetros acabam, assim, por cumprir dois objetivos distintos. Funcionam como demonstração da evolução da eficiência dos automóveis elétricos, mas também como exercício destinado a dar visibilidade ao novo topo de gama da Škoda. A distinção é importante: um Peaq 90 não deve ser comprado esperando percorrer regularmente mais de 900 km entre carregamentos — para isso, a referência continua a ser a autonomia homologada de até 647 km WLTP.
O que a experiência demonstra de forma mais relevante é outra coisa: com 86 kWh efetivamente disponíveis, um SUV elétrico de sete lugares conseguiu manter um consumo de 9,2 kWh/100 km durante quase mil quilómetros quando todas as variáveis foram orientadas para a eficiência. Mais do que o número absoluto do recorde, é esse resultado que mostra até onde a gestão energética de um elétrico moderno pode ser levada.
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