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Branding: Automóvel quase não entra no ranking das 100 marcas portuguesas mais valiosas: Brisa lidera a mobilidade

há 1 hora
5 min de leitura

Automóvel quase não entra no ranking das 100 marcas portuguesas mais valiosas: Brisa lidera a mobilidade

O automóvel movimenta milhares de milhões de euros por ano em Portugal, mas a indústria tem uma presença muito reduzida entre as marcas nacionais de maior valor financeiro. No ranking de 2026 da OnStrategy, a Brisa mantém-se como a principal referência diretamente ligada à mobilidade, enquanto a Galp ocupa o segundo lugar absoluto, num caso em que a ligação ao automóvel resulta do negócio energético e não de uma atividade exclusivamente automóvel. Fabricantes e distribuidores nacionais de veículos não aparecem entre as marcas que dominam a tabela.


A edição de 2026 das 100 Marcas Portuguesas Mais Valiosas parte de mais de 500 marcas auditadas e avaliadas pela OnStrategy. O estudo utiliza a metodologia internacional Royalty Relief, que procura estimar o valor financeiro de uma marca através da sua capacidade para gerar valor económico futuro, cruzando resultados financeiros com indicadores de força e energia da marca. A metodologia segue as normas ISO 20671, dedicada à avaliação de estratégia e força, e ISO 10668, relativa à avaliação financeira.


No topo não há alterações nas três primeiras posições. A EDP continua a ser a marca portuguesa mais valiosa, agora avaliada em 3.161 milhões de euros, mais 10,1% do que em 2025. A Galp Energia mantém o segundo lugar, aumentando 16,2%, de 2.168 para 2.519 milhões de euros, enquanto a Jerónimo Martins permanece em terceiro, com 1.890 milhões e uma valorização de 17,7%.


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Galp é a marca mais valiosa com forte exposição ao universo automóvel

Quando a análise é aproximada do setor automóvel, a Galp surge inevitavelmente como o nome de maior dimensão financeira. A empresa não é classificada pela OnStrategy como uma marca automóvel, mas como Oil & Gas, e a sua atividade estende-se muito além dos combustíveis rodoviários. Ainda assim, a rede de abastecimento, os combustíveis e a crescente presença na energia e carregamento fazem dela uma das marcas nacionais com maior relação direta com a utilização do automóvel.


A distância para as restantes marcas ligadas à mobilidade é muito significativa. Com 2.519 milhões de euros, a Galp vale, segundo esta metodologia, mais do dobro do que em 2024, quando estava avaliada em 2.330 milhões? Não: a comparação correta mostra uma evolução de 2.330 milhões em 2024 para 2.168 milhões em 2025 e 2.519 milhões em 2026. Depois da queda registada no ano passado, a marca recuperou e ultrapassou o valor de 2024.


Brisa mantém liderança entre as marcas portuguesas de mobilidade

Numa leitura setorial mais restrita, a Brisa é a referência mais diretamente relacionada com a mobilidade rodoviária. Em 2025, a OnStrategy já a identificava como a marca portuguesa mais valiosa da categoria Mobility, com uma avaliação de 142 milhões de euros, acima dos 135 milhões registados em 2024.


Na tabela de 2026 fornecida com o estudo, a Brisa passa para 143 milhões de euros, uma progressão marginal de cerca de 0,6% face ao ano anterior. O dado mostra uma evolução muito diferente daquela observada entre várias das marcas que ocupam o topo do ranking: o valor permanece praticamente estabilizado, embora a Brisa continue a ser a principal marca nacional especificamente enquadrada pela OnStrategy no setor da mobilidade.


A Via Verde, pertencente ao ecossistema da Brisa e cada vez mais posicionada para além do pagamento de portagens, também figura entre as 100 marcas avaliadas. A sua dimensão financeira enquanto marca permanece, porém, muito inferior à da Brisa. Em 2025 ocupava o 94.º lugar, avaliada em cerca de 9 milhões de euros, depois de um valor semelhante em 2024.


As referências mais próximas do automóvel no estudo

Marca

Valor 2026

Valor 2025

Enquadramento

Galp Energia

2.519 M€

2.168 M€

Energia / Oil & Gas, com forte presença na mobilidade

Brisa

143 M€

142 M€

Mobilidade e infraestruturas rodoviárias

Via Verde

9 M€

9 M€

Serviços de mobilidade e pagamentos rodoviários

A comparação exige, portanto, alguma cautela. Galp, Brisa e Via Verde não concorrem entre si no mesmo negócio, apesar de todas terem uma relação relevante com o ecossistema automóvel. A classificação setorial da própria OnStrategy coloca a Galp em petróleo e gás e a Brisa em mobilidade.


Onde estão as marcas portuguesas de automóveis?

É precisamente aqui que o ranking revela uma característica estrutural do mercado nacional. Entre as marcas de maior valor financeiro não surge uma fabricante ou distribuidor instalado em Portugal com dimensão comparável às principais marcas nacionais de energia, banca, distribuição ou telecomunicações.


Também não aparecem nas posições de maior destaque os grandes grupos portugueses cuja atividade passa pela importação, distribuição, retalho ou serviços automóveis. Isto não significa que essas empresas tenham pouca dimensão económica. O que está a ser medido é o valor financeiro da marca, e não a faturação, os ativos, o número de automóveis vendidos ou o valor global da empresa.


É uma distinção essencial. Um grupo automóvel pode movimentar volumes de negócios muito superiores ao valor atribuído a determinada marca, porque a metodologia procura estimar especificamente o ativo intangível representado pelo nome e pela sua capacidade de gerar receitas futuras. No setor automóvel português existe ainda outra particularidade: grande parte do negócio está assente na representação e comercialização de marcas internacionais, que naturalmente não podem integrar um ranking reservado a marcas portuguesas.


Um Top 100 cada vez mais concentrado

A concentração é, aliás, uma das conclusões mais evidentes desta edição. As 25 primeiras marcas representam 84% do valor financeiro acumulado das 100 mais valiosas, percentagem que tem vindo a aumentar.


EDP, Galp e Jerónimo Martins, por si só, ultrapassam os 7,5 mil milhões de euros de valor de marca. Logo abaixo aparecem Caixa Geral de Depósitos, com 1.611 milhões, Millennium bcp, com 1.605 milhões, Continente, com 1.374 milhões, e Pingo Doce, com 1.341 milhões. MEO, EDP Renováveis e Banco BPI completam os dez primeiros.


Neste cenário, a reduzida representação do setor automóvel não significa ausência de uma indústria automóvel relevante em Portugal, mas evidencia uma realidade diferente: o valor criado pelo setor nacional está largamente associado à produção industrial para marcas estrangeiras, componentes, importação, distribuição e serviços, e não à existência de grandes marcas portuguesas de automóveis.


É também por isso que, quando o ranking é observado a partir do universo da mobilidade, os nomes portugueses mais fortes surgem sobretudo antes, durante e depois da utilização do automóvel — energia, estradas, portagens e serviços — e não no emblema colocado na frente do veículo. 


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