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Citroën AX faz 40 anos: o pequeno francês que provou que menos peso podia significar mais eficiência

há 12 horas
7 min de leitura
Citroën AX faz 40 anos: o pequeno francês que provou que menos peso podia significar mais eficiência

Com apenas 640 kg na versão de entrada, um coeficiente aerodinâmico de 0,31 e motores de baixa cilindrada, o Citroën AX antecipou uma abordagem à eficiência automóvel que continua atual: reduzir a massa e a resistência ao ar para diminuir o consumo. Apresentado no Salão de Paris de 1986, o utilitário francês tornou-se um dos modelos mais representativos da sua geração, ultrapassou 2,5 milhões de unidades comercializadas e chegou a ter uma versão elétrica numa época em que a eletrificação ainda estava longe de ser uma prioridade da indústria.


Quarenta anos depois da apresentação no Salão Automóvel de Paris, o Citroën AX permanece como um exemplo de uma filosofia de engenharia que privilegiava a simplicidade, a redução de peso e o aproveitamento do espaço disponível.


Lançado em 1986, o pequeno utilitário francês surgiu num período em que os fabricantes europeus procuravam responder à necessidade de reduzir os consumos de combustível sem comprometer a utilização quotidiana dos automóveis.


A Citroën optou por uma abordagem que combinava uma carroçaria compacta, materiais leves, motores de quatro cilindros e soluções aerodinâmicas pouco habituais nos modelos mais acessíveis da época.


O resultado foi um automóvel que, na configuração de entrada, pesava apenas 640 kg, um valor que ajuda a compreender a diferença entre os critérios de desenvolvimento de um utilitário dos anos 1980 e os dos automóveis atuais, sujeitos a exigências de segurança, equipamento e conforto substancialmente superiores.


Citroën AX faz 40 anos: o pequeno francês que provou que menos peso podia significar mais eficiência

Um utilitário de 3,52 metros concebido para aproveitar cada quilograma

O Citroën AX apresentava dimensões exteriores particularmente compactas.

Com 3,52 metros de comprimento, 1,55 metros de largura e 1,35 metros de altura, foi desenvolvido para oferecer facilidade de utilização em ambiente urbano sem abdicar de um habitáculo funcional.


O aproveitamento do espaço interior era uma das prioridades do projeto, acompanhado por uma preocupação com o conforto de utilização, característica tradicionalmente associada à Citroën.


A carroçaria recorria a soluções destinadas a reduzir a massa, incluindo componentes em plástico e uma tampa da bagageira com uma configuração pouco convencional, na qual o vidro traseiro assumia um papel importante no desenho do conjunto.

Dependendo da motorização e do equipamento, o peso variava entre 640 e 820 kg.


Esta diferença refletia a diversidade de versões disponíveis, desde os modelos de acesso à gama até às configurações mais potentes e equipadas.


A redução de massa permitia utilizar motores relativamente pequenos sem comprometer de forma significativa a capacidade de aceleração e a utilização em estrada.


Também tinha efeitos diretos sobre o consumo, uma vez que um veículo mais leve exige menos energia para acelerar e tende a impor menores solicitações aos pneus, travões e restantes componentes mecânicos.


Citroën AX faz 40 anos: o pequeno francês que provou que menos peso podia significar mais eficiência

Aerodinâmica de 0,31: um resultado relevante para os anos 1980

Um dos aspetos tecnicamente mais interessantes do Citroën AX era a atenção dedicada à aerodinâmica.

O modelo apresentava um coeficiente de resistência aerodinâmica, Cx, de 0,31, um resultado competitivo para um utilitário da sua época.


A carroçaria integrava vários elementos destinados a melhorar a passagem do ar.

Entre eles encontravam-se os vidros relativamente alinhados com as superfícies exteriores, os puxadores das portas integrados e as rodas traseiras parcialmente cobertas pela carroçaria.


A reduzida área frontal contribuía igualmente para limitar a resistência aerodinâmica total.

Importa distinguir o coeficiente Cx da resistência efetiva ao avanço: esta última depende também da área frontal do automóvel e aumenta significativamente com a velocidade.


Num veículo compacto como o AX, a combinação de uma superfície frontal pequena com um coeficiente aerodinâmico relativamente baixo ajudava a reduzir a energia necessária para manter velocidades de estrada.


Esta preocupação assumia particular importância num período em que os motores de baixa cilindrada dispunham de potências modestas e em que a eficiência energética começava a influenciar de forma mais evidente o desenvolvimento de novos modelos.


Motores TU: simplicidade mecânica e tração dianteira

O Citroën AX utilizava uma arquitetura convencional para os utilitários europeus da época, com motor transversal dianteiro e tração às rodas da frente.


A gama inicial recorria a motores de quatro cilindros da família TU, que se tornaria uma das mais conhecidas do grupo PSA.

Cilindrada

Potência

954 cm³

45 cv

1.124 cm³

60 cv

1.360 cm³

75 cv

Estas motorizações foram inicialmente disponibilizadas com alimentação por carburador.

Posteriormente, a evolução das normas de emissões levou à introdução de sistemas de injeção eletrónica e catalisadores.


A família TU distinguia-se pela construção relativamente simples e pela facilidade de manutenção, características relevantes num automóvel destinado a uma utilização quotidiana e a custos de exploração reduzidos.


A relação entre potência e peso era um dos principais fatores que permitiam ao AX oferecer prestações adequadas sem recorrer a motores de elevada cilindrada.


Diesel de 1,4 e 1,5 litros alargaram a oferta

A gama recebeu uma motorização diesel em 1989, três anos depois da apresentação do modelo.

Tratava-se de um motor TUD de 1,4 litros, com 52 cv, destinado sobretudo a condutores que privilegiavam os consumos reduzidos e a utilização em percursos mais longos.


Em 1994, a Citroën introduziu uma nova opção diesel de 1,5 litros e 54 cv.

Estas versões reforçaram a presença do AX num segmento em que o custo por quilómetro tinha uma importância significativa.


A combinação de motores diesel de pequena cilindrada com uma carroçaria leve permitia alcançar consumos particularmente baixos para os padrões da época. A estratégia refletia uma tendência mais ampla do mercado europeu, onde as motorizações diesel começaram a ganhar expressão em automóveis de dimensões reduzidas.


Citroën AX faz 40 anos: o pequeno francês que provou que menos peso podia significar mais eficiência

AX Sport, GT e GTi: quando a leveza também significava desempenho

Embora tenha sido desenvolvido com a eficiência como prioridade, o Citroën AX também deu origem a versões de carácter desportivo.

A reduzida massa constituía uma vantagem importante para o desempenho, permitindo obter uma relação peso-potência interessante sem necessidade de motores de grande cilindrada.


O Citroën AX Sport, produzido entre 1987 e 1988, utilizava um motor de 1.294 cm³, alimentado por dois carburadores, com 95 cv.

Esta configuração representava uma abordagem mecânica orientada para a resposta do motor e para a condução mais dinâmica.


Em janeiro de 1988 chegou o AX GT, com 84 cv, oferecendo uma alternativa desportiva menos radical.


Já em 1991 foi apresentado o AX GTi, equipado com injeção eletrónica e, na configuração catalisada referida pela Citroën, 90 cv às 6.660 rpm e 117 Nm de binário.

As versões Sport, GT e GTi ajudaram a construir uma identidade mais abrangente para o modelo.


O AX demonstrava que uma plataforma concebida para a economia de utilização podia também servir de base a automóveis orientados para o prazer de condução.

A leveza favorecia a agilidade, a resposta às acelerações e a eficácia da travagem, embora o comportamento dinâmico dependesse igualmente da suspensão, dos pneus e da configuração específica de cada versão.


AX Électrique: a eletrificação já fazia parte da história em 1993

Um dos capítulos menos conhecidos da história do Citroën AX está relacionado com a mobilidade elétrica.


Em 1993, a marca apresentou o Citroën AX Électrique, uma versão com motorização exclusivamente elétrica, numa altura em que este tipo de tecnologia ainda tinha uma presença muito limitada no mercado automóvel.


O sistema utilizava baterias com uma tensão nominal de 120 volts, instaladas no compartimento do motor e sob o piso.


A distribuição dos componentes procurava preservar a funcionalidade do habitáculo, apesar das limitações impostas pela tecnologia de armazenamento de energia disponível na época.

Segundo os dados divulgados pela Citroën, a autonomia variava entre 90 e 160 quilómetros, dependendo das condições de utilização.


Este intervalo deve ser interpretado no contexto tecnológico dos anos 1990, quando a capacidade das baterias, os sistemas de gestão energética e as infraestruturas de carregamento estavam muito distantes dos padrões atuais.


A existência do AX Électrique demonstra, contudo, que a investigação sobre alternativas aos motores de combustão já tinha aplicações concretas em automóveis compactos há mais de três décadas.


A eletrificação não era então uma solução de grande difusão comercial, mas representava uma área de desenvolvimento tecnológico com potencial para utilizações específicas, sobretudo urbanas.


Citroën AX faz 40 anos: o pequeno francês que provou que menos peso podia significar mais eficiência

Mais de 2,5 milhões de unidades comercializadas

Ao longo da sua carreira, o Citroën AX ultrapassou os 2,5 milhões de unidades comercializadas, segundo os números divulgados pela marca.

O volume alcançado confirma a importância do modelo na gama Citroën e no mercado europeu de utilitários.


A sua proposta respondia a necessidades muito concretas: dimensões compactas, consumos reduzidos, custos de utilização controlados e um habitáculo suficientemente versátil para a utilização diária.


O AX também surgiu numa época em que os automóveis do segmento B desempenhavam um papel central na mobilidade de muitas famílias europeias.

Eram frequentemente utilizados como primeiro automóvel, segundo veículo familiar ou meio de transporte principal em deslocações urbanas e interurbanas.


A simplicidade mecânica e o baixo peso contribuíram para a sua presença prolongada nas estradas europeias, incluindo em Portugal, onde os pequenos utilitários franceses tiveram uma expressão significativa.


O que o Citroën AX ainda pode ensinar à indústria automóvel

Quatro décadas depois, a evolução do automóvel trouxe melhorias profundas em segurança passiva, sistemas de assistência à condução, proteção ambiental e conforto.

Estas transformações também contribuíram para o aumento da massa dos veículos, sobretudo devido ao reforço das estruturas, à integração de equipamentos eletrónicos e, nos modelos eletrificados, à presença de baterias de tração.


Por esse motivo, uma comparação direta entre o peso de um Citroën AX e o de um utilitário atual não pode ignorar as diferenças de segurança, desempenho e requisitos regulamentares. Ainda assim, o princípio de engenharia que orientou o desenvolvimento do AX mantém a sua validade.


Reduzir a massa e a resistência aerodinâmica continua a ser uma das formas mais eficazes de melhorar a eficiência energética de um automóvel, independentemente de utilizar gasolina, gasóleo ou eletricidade.


Nos veículos elétricos, em particular, a eficiência aerodinâmica e o controlo do peso influenciam diretamente o consumo de energia e a autonomia.


O Citroën AX não antecipou as soluções de segurança ou os níveis de equipamento dos automóveis contemporâneos. Mas demonstrou que uma utilização criteriosa dos materiais, uma carroçaria eficiente e motores adequados à massa do veículo podiam produzir resultados relevantes sem aumentar a complexidade mecânica.


Apresentado em 1986, o pequeno Citroën continua a representar uma abordagem à engenharia automóvel em que a eficiência começava na conceção do próprio veículo. Quarenta anos depois, essa lógica permanece atual, mesmo num setor profundamente transformado pela eletrificação e pela tecnologia.

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