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Dongfeng e CATL anunciam baterias com carregamento ultrarrápido de 10C e apostam na troca de baterias

há 22 horas
6 min de leitura
Dongfeng e CATL anunciam baterias com carregamento ultrarrápido de 10C e apostam na troca de baterias

A Dongfeng Motor e a CATL estabeleceram uma nova parceria tecnológica para desenvolver baterias capazes de suportar taxas de carregamento de 10C ou superiores, uma solução que poderá reduzir significativamente o tempo necessário para recuperar a autonomia dos veículos elétricos. O acordo, assinado em 29 de outubro de 2026, na China, contempla também sistemas de substituição de baterias, novas infraestruturas energéticas e a expansão internacional das duas empresas. Apesar das ambições anunciadas, ainda não foram divulgados prazos de comercialização, potências efetivas ou modelos que receberão inicialmente estas tecnologias.


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A indústria automóvel chinesa continua a investir na redução dos tempos de carregamento dos veículos elétricos. A Dongfeng Motor e a CATL, uma das principais fabricantes mundiais de baterias, anunciaram uma nova fase de cooperação destinada ao desenvolvimento de sistemas de armazenamento energético e soluções de carregamento de elevada potência.


O acordo foi formalizado em Wuhan, na China, e representa a terceira parceria estratégica entre os dois grupos. A colaboração, inicialmente centrada no fornecimento de baterias, passou posteriormente a incluir o desenvolvimento de produtos, tecnologias de reciclagem e soluções de armazenamento de energia.


Nesta nova etapa, as empresas pretendem integrar o desenvolvimento das baterias com a arquitetura elétrica dos veículos, os sistemas de carregamento e as infraestruturas energéticas.


A principal novidade está na aposta em baterias capazes de suportar taxas de carregamento de 10C ou superiores, uma característica que poderá alterar os tempos de paragem dos veículos elétricos em postos de carregamento rápido.


O que significa uma bateria com carregamento de 10C?

A taxa C é uma unidade utilizada para relacionar a corrente de carga ou descarga com a capacidade nominal de uma bateria.


De forma simplificada, uma taxa de 1C corresponde a uma potência de carregamento que, em condições ideais e mantendo-se constante, permitiria fornecer uma quantidade de energia equivalente à capacidade nominal da bateria em aproximadamente uma hora.

Uma taxa de 2C reduziria esse tempo teórico para 30 minutos, enquanto 5C corresponderia a cerca de 12 minutos.


No caso de 10C, o tempo teórico seria de apenas seis minutos.

É importante distinguir este cálculo da duração efetiva de um carregamento automóvel. A taxa de carregamento não permanece necessariamente constante durante todo o processo, sendo limitada por fatores como a temperatura das células, o estado de carga, a gestão eletrónica e as características da infraestrutura.


Taxas de carregamento e potência teórica

Taxa C

Tempo teórico a potência constante

Potência para bateria de 60 kWh

1C

60 minutos

60 kW

2C

30 minutos

120 kW

3C

20 minutos

180 kW

5C

12 minutos

300 kW

6C

10 minutos

360 kW

10C

6 minutos

600 kW


Uma bateria de 60 kWh capaz de aceitar uma taxa de 10C poderia, teoricamente, receber uma potência de 600 kW.

Se essa potência fosse mantida durante todo o intervalo entre 10% e 80% da capacidade, o carregamento demoraria cerca de 4,2 minutos, sem considerar perdas.


Na prática, o tempo será superior ou inferior a esse valor teórico consoante a curva de carregamento efetiva, a temperatura e a potência disponível no posto.

Por isso, o anúncio de uma bateria compatível com 10C não significa automaticamente que um automóvel consiga carregar de 10% a 80% em quatro minutos.


Para confirmar esse desempenho, serão necessários dados de homologação e testes que indiquem a potência máxima, a potência média sustentada e a curva de carregamento.


O desafio técnico está na temperatura e na durabilidade das células

O carregamento ultrarrápido exige alterações importantes na química das baterias e na gestão térmica.


À medida que a corrente aumenta, também cresce a necessidade de controlar o aquecimento interno das células e os fenómenos eletroquímicos que podem acelerar a sua degradação.


Um dos riscos associados ao carregamento de elevada potência é a deposição de lítio metálico no ânodo, conhecida como lithium plating, que pode ocorrer em determinadas condições de temperatura, corrente e estado de carga.


Este fenómeno pode reduzir a capacidade útil da bateria e afetar a sua durabilidade.

Para suportar taxas de carregamento mais elevadas, os fabricantes precisam de otimizar materiais dos elétrodos, eletrólitos, resistência interna e sistemas de arrefecimento.

Também é necessário desenvolver algoritmos de gestão eletrónica capazes de ajustar a corrente de carregamento às condições reais da bateria.


A arquitetura elétrica do veículo representa outro fator decisivo.

Por exemplo, para fornecer 600 kW a uma tensão de 800 V seriam necessários aproximadamente 750 amperes. A uma tensão de 400 V, a corrente subiria para cerca de 1.500 amperes.

Estas diferenças demonstram a importância de arquiteturas de alta tensão, cabos adequados e sistemas de gestão térmica nos carregadores.


A Dongfeng e a CATL não especificaram, no comunicado, a química das futuras células, a tensão nominal dos sistemas nem os requisitos de potência da infraestrutura.



Substituição de baterias será outra frente de desenvolvimento

A parceria não se limita ao carregamento por cabo.

As duas empresas pretendem desenvolver uma arquitetura de substituição de baterias que possa ser aplicada a diferentes categorias de veículos.

Esta tecnologia, conhecida internacionalmente como battery swapping, permite retirar uma bateria descarregada e substituí-la por outra previamente carregada numa estação automatizada.

A principal vantagem é reduzir o tempo de imobilização do veículo, evitando a necessidade de aguardar pelo carregamento da bateria instalada.


A solução pode ser particularmente interessante para táxis, veículos de distribuição, frotas comerciais e operações com utilização intensiva.


Contudo, a implementação depende de fatores que vão além da tecnologia das células.

É necessário assegurar a compatibilidade entre veículos e módulos de bateria, desenvolver mecanismos de fixação e ligação elétrica adequados e garantir a segurança durante as operações de substituição.


As estações também precisam de espaço físico, capacidade de armazenamento e sistemas de gestão de energia para carregar as baterias retiradas dos veículos.

Outro desafio está na viabilidade económica, uma vez que o operador necessita de manter um inventário de baterias superior ao número de veículos em circulação.


A Dongfeng e a CATL pretendem desenvolver uma arquitetura aplicável a diferentes categorias de veículos, mas ainda não indicaram quais os modelos que utilizarão esta solução.


Integração entre veículos e redes elétricas ganha importância

O acordo contempla ainda o desenvolvimento de um ecossistema energético que combine veículos, infraestruturas de carregamento, serviços de assistência e cadeias de abastecimento.

O objetivo é aproximar a indústria automóvel do setor energético, permitindo uma gestão mais coordenada da procura e do fornecimento de eletricidade.


A expansão do carregamento de elevada potência coloca exigências adicionais às redes elétricas, especialmente quando vários veículos necessitam de carregar simultaneamente.

Uma estação com quatro pontos capazes de fornecer 600 kW poderia, em condições de utilização simultânea à potência máxima, exigir 2,4 MW apenas para o carregamento dos veículos, sem considerar perdas ou outros consumos.


Este exemplo demonstra a importância do dimensionamento das ligações à rede, da gestão dinâmica de potência e, em determinados casos, da utilização de sistemas estacionários de armazenamento de energia.


As empresas também pretendem desenvolver soluções que permitam aos veículos desempenhar um papel mais ativo na gestão energética.


Esse conceito poderá incluir funcionalidades de carregamento inteligente e, dependendo das arquiteturas adotadas, sistemas de transferência bidirecional de energia.


Terceira parceria entre Dongfeng e CATL amplia cooperação internacional

A relação entre a Dongfeng e a CATL começou com o desenvolvimento de uma cadeia de fornecimento de baterias.


Posteriormente, a colaboração foi alargada a produtos de segmentos superiores e iniciativas relacionadas com a reciclagem.


O novo acordo pretende reunir estas atividades com o desenvolvimento de tecnologias de carregamento, substituição de baterias e serviços energéticos.

A expansão internacional também faz parte da estratégia.

As empresas pretendem reforçar redes de assistência pós-venda e promover o fornecimento de componentes a partir de unidades de produção próximas dos mercados de destino.

Esta abordagem poderá reduzir distâncias logísticas e facilitar o fornecimento de componentes, embora a concretização dependa dos investimentos e da localização das futuras operações.


A iniciativa integra o plano estratégico Tianjing Zero Carbon da Dongfeng, orientado para o desenvolvimento de veículos de novas energias e soluções destinadas à redução das emissões.


O acordo coloca o carregamento ultrarrápido e a substituição de baterias no centro da próxima fase de desenvolvimento das duas empresas. A confirmação do seu impacto dependerá, porém, da capacidade de transformar as tecnologias anunciadas em veículos de produção com tempos de carregamento efetivamente reduzidos, custos competitivos e durabilidade comprovada.


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