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Editorial: Cultura automóvel e sustentabilidade - Será possível amar o passado sem trair o futuro?

  • Foto do escritor: Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
    Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
  • 14 de set. de 2025
  • 3 min de leitura
Editorial: Cultura automóvel e sustentabilidade - Será possível amar o passado sem trair o futuro?

Confesso: não consigo deixar de sorrir quando oiço o rugido de um motor clássico a despertar numa manhã de domingo. Há algo de quase poético na forma como um automóvel antigo se move, com o cheiro a gasolina crua e a elegância mecânica de uma era em que a condução era um ritual. E sei que não estou sozinho — basta olhar para o entusiasmo com que os portugueses acorrem a encontros de clássicos, concentrações de desportivos e icónicos modelos e eventos de competição histórica por todo o país.


Mas, ao mesmo tempo, não consigo ignorar outra realidade: o planeta está a cobrar a factura. As metas de descarbonização apertam, as cidades começam a impor restrições severas aos veículos poluentes, e a pressão para electrificar a mobilidade é cada vez mais intensa. Entre o ronco nostálgico de um motor a combustão e o zumbido quase silencioso de um motor eléctrico, Portugal parece viver um dilema cultural e ambiental que ninguém quer verdadeiramente enfrentar de frente.


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A paixão que moldou o nosso ADN

A cultura automóvel faz parte da nossa identidade. Desde as míticas corridas nos Circuitos de Vila Real e Vila do Conde, às lendas que passaram pelo Autódromo do Estoril, até aos clubes locais que mantêm viva a história sobre rodas, o automóvel sempre foi mais do que transporte — foi símbolo de liberdade, progresso e até de afirmação social.


Ignorar isso seria um erro. Não se apaga uma paixão com legislação. Mas também não podemos continuar a viver como se o setor automóvel não tivesse de mudar — porque tem, e rapidamente.


A transição que não pode ser só tecnológica

Nos últimos anos, temos visto uma aposta crescente em mobilidade eléctrica, com incentivos públicos e campanhas que quase tratam os veículos de combustão como peças de museu condenadas à extinção. É um caminho necessário, mas não pode ser o único.


Segundo dados da Agência Europeia do Ambiente, os transportes representam cerca de 25% das emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia, e em Portugal esse valor é ainda mais elevado, ultrapassando os 30%. Precisamos de reduzir este número, sim — mas precisamos também de o fazer sem apagar a memória e o património que o automóvel representa para nós.


Um novo equilíbrio possível

Acredito que o caminho está no meio-termo: preservar o automóvel como cultura, mas enquadrá-lo num ecossistema sustentável. Isso passa por soluções como os combustíveis sintéticos e biocombustíveis para veículos clássicos, a criação de zonas e calendários específicos para circulação de históricos, e o incentivo à conversão eléctrica de modelos antigos que já não tenham valor patrimonial intocável.


E, sobretudo, passa por educar — mostrar que é possível gostar de carros e, ao mesmo tempo, preocupar-se com o planeta. Que o futuro da mobilidade não precisa de anular o passado; pode aprender com ele.


O desafio está lançado

Portugal tem tudo para ser um exemplo de conciliação: temos tradição, temos paixão e temos uma nova geração que valoriza tanto a história como a sustentabilidade. O que falta é coragem política e criatividade industrial para ligar estes dois mundos sem os pôr em guerra.


Porque, no fundo, o verdadeiro amor pelos automóveis não está no combustível que ardem — está nas histórias que contam. E essas, se fizermos as escolhas certas agora, podem continuar a ser contadas nas próximas décadas… sem culpa.


💭 Queremos ouvir a sua voz:

Acha que Portugal pode preservar a cultura automóvel e, ao mesmo tempo, ser sustentável?

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Artur Semedo - Editor Publiracing


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