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Espanha junta-se a Portugal na rede europeia de testes transfronteiriços para acelerar veículo automatizado

há 2 horas
4 min de leitura


Espanha aderiu à Joint Declaration of Intent promovida pela Comissão Europeia para criar um ambiente de testes transfronteiriço destinado a veículos automatizados. A iniciativa reúne agora 22 países e procura resolver uma das barreiras ao avanço desta tecnologia na Europa: permitir que sistemas testados num Estado possam evoluir para operações reais e escaláveis além-fronteiras, com maior coordenação entre regras técnicas, homologações e autoridades nacionais.


A adesão espanhola foi formalizada pelo ministro da Indústria e Turismo, Jordi Hereu, durante os Connecting Europe Days 2026. Espanha entrou nesta fase juntamente com Portugal, Eslováquia e Noruega, elevando para 22 o número de países envolvidos no projeto.


Mais do que criar simplesmente novas estradas onde os fabricantes possam testar automóveis autónomos, a declaração pretende estabelecer condições para que diferentes países consigam trabalhar sob procedimentos progressivamente mais coordenados. É uma questão particularmente importante para a condução automatizada, uma vez que um veículo capaz de atravessar uma fronteira pode encontrar diferentes enquadramentos administrativos e requisitos de autorização poucos quilómetros depois.


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Da fase experimental para situações reais

O objetivo central passa por facilitar a transição entre os atuais programas de ensaio e a utilização de veículos automatizados em condições reais.


Entre as áreas previstas estão a coordenação dos requisitos técnicos e procedimentos de aprovação, a troca de informação entre autoridades responsáveis pela homologação e o reconhecimento mútuo de determinadas aprovações.


A iniciativa deverá igualmente permitir o desenvolvimento de casos de utilização relacionados com transporte de passageiros, mercadorias e logística. Na prática, um ambiente transfronteiriço pode ser especialmente relevante para testar situações que dificilmente podem ser reproduzidas num circuito fechado: diferentes infraestruturas rodoviárias, sinalização, comunicações, condições de circulação e interação com utilizadores convencionais da estrada.


A declaração, contudo, não significa que veículos totalmente autónomos passem imediatamente a poder circular livremente nos 22 países participantes. Trata-se de um quadro de cooperação destinado a aproximar procedimentos e criar condições para futuros projetos, mantendo-se necessária a concretização regulamentar e operacional das diferentes iniciativas.


Indústria espanhola pressionou pela adesão

A ANFAC, associação que representa fabricantes de automóveis e camiões em Espanha, considera a entrada do país neste programa um passo relevante para a indústria automóvel espanhola e afirma ter trabalhado diretamente para que a adesão avançasse.


Em junho, a associação, juntamente com outras organizações e empresas interessadas, enviou uma carta aos ministérios da Indústria e Turismo e dos Transportes e Mobilidade Sustentável defendendo a participação espanhola neste enquadramento europeu.


José López-Tafall, diretor-geral da ANFAC, sustenta que um quadro europeu coordenado será necessário para passar dos testes isolados para aplicações capazes de ganhar escala. A associação pretende agora acompanhar os trabalhos resultantes da declaração e colaborar com a administração pública e empresas do setor na preparação de projetos em território espanhol.


A participação ganha também dimensão industrial. Espanha é um dos principais centros europeus de produção automóvel e a evolução para veículos cada vez mais definidos por software, conectividade e sistemas avançados de assistência coloca novas exigências sobre a capacidade de testar e validar essas tecnologias.


Portugal também integra os 22 países

A adesão portuguesa é particularmente relevante para a Península Ibérica. Com Portugal e Espanha incluídos na mesma iniciativa, abre-se a possibilidade de desenvolver futuramente casos de utilização transfronteiriços numa região onde existe uma circulação rodoviária significativa de passageiros e, sobretudo, de mercadorias.


Ainda não foram anunciados no comunicado corredores específicos entre os dois países, calendários para testes ibéricos ou projetos concretos. A entrada de ambos no programa cria, contudo, o enquadramento necessário para que esse tipo de experiência possa ser desenvolvido posteriormente.


A dimensão transfronteiriça é precisamente um dos desafios para a condução automatizada na Europa. Ao contrário de mercados continentais regulados por uma única autoridade nacional, a União Europeia precisa de compatibilizar a evolução tecnológica com diferentes administrações e procedimentos nacionais.


Zaragoza recebe congresso dedicado à mobilidade autónoma

A discussão continuará em Espanha nos dias 24 e 25 de novembro, quando Zaragoza recebe o AUCON, apresentado pelos organizadores como o primeiro Congresso de Veículo Autónomo e Conectado realizado no país.


O encontro, promovido pela ANFAC e Fundação Ibercaja, com colaboração da SERNAUTO, decorrerá na Mobility City e deverá reunir fabricantes, empresas tecnológicas, administrações públicas e centros de conhecimento.


O programa será dedicado às vertentes regulatória, tecnológica e industrial da condução autónoma e conectada e incluirá a apresentação de veículos, tecnologias e projetos já em desenvolvimento.


A adesão espanhola ao testbed europeu surge, assim, num momento em que a discussão começa a deslocar-se da demonstração tecnológica para uma questão mais complexa: como transformar sistemas de condução automatizada testados localmente em soluções capazes de operar, de forma regulamentada e interoperável, entre diferentes países europeus.


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