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Fórmula 1 regressa a África após mais de 30 anos: Ruanda assina acordo para receber Grande Prémio durante uma década

há 7 horas
6 min de leitura

Fórmula 1 regressa a África após mais de 30 anos: Ruanda assina acordo para receber Grande Prémio durante uma década

A Fórmula 1 vai regressar ao continente africano pela primeira vez desde 1993. A organização do Campeonato do Mundo anunciou um acordo de dez anos para a realização do Grande Prémio de África no Ruanda, com a primeira corrida prevista para o início da década de 2030. O projeto contempla a construção de um circuito permanente em Bugesera, a cerca de 40 quilómetros de Kigali, junto ao novo aeroporto internacional. O anúncio representa um passo importante na expansão geográfica da competição, mas a estreia continua dependente da conclusão e homologação da infraestrutura.


A Fórmula 1 confirmou um acordo de longo prazo com o Ruanda para integrar o país no calendário do Campeonato do Mundo, encerrando uma ausência de mais de três décadas do continente africano. O entendimento prevê a realização do Grande Prémio de África, apresentado pela Visit Rwanda, durante dez anos. A primeira edição deverá acontecer no início da próxima década, embora ainda não exista uma data definitiva para a estreia.


A escolha do Ruanda resulta de um processo de negociação que envolveu a Formula One Management (FOM), a Federação Internacional do Automóvel (FIA), o Governo ruandês e a Rwanda Development Board, entidade responsável pela promoção do investimento e desenvolvimento económico do país.


O anúncio constitui um compromisso para a realização da prova, mas não significa que o circuito esteja construído ou que a sua homologação esteja garantida.


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O regresso a um continente ausente desde 1993

A última corrida de Fórmula 1 realizada em África foi o Grande Prémio da África do Sul de 1993, disputado no circuito de Kyalami, nas proximidades de Joanesburgo. A prova foi vencida por Alain Prost, ao volante de um Williams-Renault, numa temporada em que o piloto francês conquistaria o seu quarto título mundial.


Desde então, o continente permaneceu ausente do calendário, apesar das sucessivas expansões da Fórmula 1 para novos mercados na Ásia, no Médio Oriente e nas Américas.


A África do Sul acolheu a maioria das corridas africanas do Campeonato do Mundo, com Kyalami a tornar-se um dos circuitos históricos da modalidade. Marrocos também recebeu uma prova pontuável, em 1958, no circuito de Ain-Diab, em Casablanca.


O regresso a África tem sido discutido ao longo dos últimos anos, incluindo através de propostas para recuperar Kyalami. O acordo agora anunciado estabelece, contudo, o Ruanda como destino para a nova etapa africana da competição.

Stefano Domenicali, presidente e diretor executivo da Fórmula 1, considera que o entendimento permitirá alargar a presença mundial do campeonato, que passará a competir em todos os continentes habitados quando a prova se concretizar.


Novo circuito será construído em Bugesera, junto ao aeroporto internacional

O Grande Prémio terá lugar num circuito construído de raiz em Bugesera, aproximadamente 40 quilómetros a sul de Kigali, capital do Ruanda. A infraestrutura ficará próxima do novo Aeroporto Internacional de Kigali, integrando um projeto mais amplo de desenvolvimento de equipamentos desportivos, turísticos e comerciais.


Segundo a informação divulgada, o circuito será concebido de acordo com os requisitos de Grau 1 da FIA, classificação necessária para acolher provas de Fórmula 1. O traçado deverá aproveitar as diferenças de altitude e as características naturais do terreno, procurando criar uma configuração tecnicamente exigente para os pilotos e com boas condições de visibilidade para o público.


Um projeto que ultrapassa a realização de uma corrida

O circuito de Bugesera está integrado numa estratégia de desenvolvimento económico e turístico promovida pelas autoridades ruandesas. A intenção é que a infraestrutura não seja utilizada exclusivamente durante o fim de semana do Grande Prémio.

O projeto prevê a possibilidade de acolher outras competições internacionais de desporto motorizado, conferências, eventos empresariais e atividades de entretenimento ao longo do ano.


O Governo do Ruanda pretende também associar a realização da Fórmula 1 à criação de emprego, formação de profissionais e desenvolvimento de competências técnicas. Paul Kagame, presidente do Ruanda, destacou precisamente esta dimensão do acordo, defendendo que a presença do campeonato deverá criar oportunidades para engenheiros, técnicos, empresas e jovens interessados no desporto automóvel.


A concretização destes objetivos dependerá, contudo, da execução do investimento e da capacidade de gerar atividade económica para além do período em que a corrida se realiza.

A experiência de outros países demonstra que a organização de um Grande Prémio pode aumentar a exposição internacional de um destino, mas os benefícios económicos variam consideravelmente em função dos custos públicos, das receitas turísticas e da utilização posterior das infraestruturas.


Mais de 100 milhões de adeptos de Fórmula 1 em África

Um dos argumentos apresentados pela organização para justificar a expansão é a dimensão do público africano. Segundo os dados divulgados pela Fórmula 1, o continente conta com mais de 100 milhões de seguidores da modalidade.


A organização refere ainda que, em mercados importantes da África subsariana, quase 60% dos adeptos têm menos de 35 anos. Estes indicadores ajudam a explicar o interesse comercial num território onde a competição mantém uma audiência significativa, apesar da ausência de corridas há mais de três décadas.


A realização de um Grande Prémio poderá permitir uma aproximação entre o campeonato e esse público, embora o acesso aos bilhetes, os custos de deslocação e a distribuição geográfica dos adeptos sejam fatores relevantes para determinar o alcance efetivo do evento.


O Ruanda tem procurado afirmar-se como destino de grandes competições internacionais, tendo acolhido, entre outros eventos, os Campeonatos do Mundo de Ciclismo de Estrada, a Basketball Africa League e as Assembleias Gerais da FIA de 2024.

A estratégia inclui uma aposta na promoção internacional do país através do desporto e do turismo.


FIA acompanhará o desenvolvimento e a homologação do circuito

A Federação Internacional do Automóvel terá um papel central no processo de desenvolvimento da nova infraestrutura. O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, classificou o acordo como um momento importante para a expansão internacional do desporto motorizado e confirmou a colaboração da federação com a Fórmula 1 e os restantes parceiros.


Para receber o campeonato, o circuito terá de cumprir os requisitos técnicos de segurança e operação previstos para instalações de Grau 1. Estes incluem critérios relacionados com as zonas de escapatória, barreiras de proteção, largura da pista, instalações médicas, acessos de emergência e condições gerais de organização.


A homologação é um processo independente da assinatura do contrato comercial, pelo que a realização da primeira corrida dependerá da conclusão das obras e da aprovação das entidades competentes. A Fórmula 1 não anunciou ainda a duração das obras nem confirmou em que temporada o Grande Prémio de África poderá estrear-se.


Um acordo histórico, mas ainda com várias etapas por cumprir

A assinatura de um contrato de dez anos representa uma decisão relevante na estratégia de expansão da Fórmula 1, sobretudo por envolver um continente que não recebe uma corrida desde 1993.


No entanto, a escolha do Ruanda também coloca questões relacionadas com a dimensão do investimento necessário, a sustentabilidade financeira do circuito e o enquadramento político e social do projeto.


A organização apresenta a iniciativa como uma oportunidade de desenvolvimento económico e de criação de competências locais, mas ainda não divulgou indicadores que permitam avaliar os custos e benefícios previstos. Para já, o que está confirmado é o acordo para a realização da prova e a intenção de construir um circuito permanente em Bugesera.

A data de estreia, as características definitivas da pista e os detalhes operacionais do Grande Prémio serão anunciados posteriormente.


Quando se concretizar, a corrida assinalará o fim de uma das ausências geográficas mais prolongadas do Campeonato do Mundo de Fórmula 1. Mais de três décadas depois da última bandeira de xadrez em Kyalami, África prepara-se para voltar a integrar o calendário da principal competição mundial de automobilismo.


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