
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.










O Grupo Audi encerrou o primeiro semestre de 2026 com um lucro operacional ligeiramente superior ao registado no mesmo período do ano passado, apesar da quebra nas receitas e da diminuição das entregas globais. A marca alemã aponta a forte concorrência na China, as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e a instabilidade geopolítica como os principais fatores que condicionaram o desempenho, num período marcado também pela renovação da gama e por uma estratégia de reforço da competitividade.
O Grupo Audi registou receitas de 29,2 mil milhões de euros entre janeiro e junho, abaixo dos 32,6 mil milhões de euros alcançados no primeiro semestre de 2025. Ainda assim, o lucro operacional aumentou ligeiramente para 1.122 milhões de euros, face aos 1.087 milhões do ano anterior, permitindo elevar a margem operacional de 3,3% para 3,8%.
Segundo a empresa, esta evolução foi sustentada por uma disciplina mais rigorosa na gestão de custos, pela redução das provisões relacionadas com as metas de emissões de CO₂ e por menores encargos com processos de reestruturação.
A marca Audi entregou 727.245 automóveis em todo o mundo durante os primeiros seis meses do ano, uma redução superior a 7% relativamente ao período homólogo.
O desempenho foi fortemente condicionado pelo mercado chinês, onde as entregas caíram para 232.227 unidades, e também pelos efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Em sentido contrário, os mercados europeus mostraram maior resiliência. A Alemanha registou um crescimento de 4%, enquanto Espanha aumentou 21%, Itália 17% e Reino Unido 10%, impulsionando as vendas em praticamente todas as motorizações.
No mercado alemão destacou-se igualmente a evolução dos modelos eletrificados. As entregas de veículos 100% elétricos cresceram cerca de 23%, ultrapassando as 25 mil unidades, enquanto os híbridos plug-in registaram uma subida expressiva de 147%.
Apesar do contexto económico desafiante, a Audi refere que as encomendas na Europa Ocidental cresceram 7% face ao primeiro semestre de 2025.
Entre os modelos com maior procura destacam-se o Audi Q3, cujas encomendas aumentaram 49%, e o Audi A6 e-tron, com um crescimento de 22%. Nos híbridos plug-in, a evolução foi ainda mais significativa, com um aumento de 117% nas novas encomendas.
A renovação da gama continua a ser um dos pilares da estratégia da marca.
No final de julho, a Audi apresenta oficialmente o novo Q9, que passa a assumir o papel de topo de gama da marca entre os SUV e foi desenvolvido com especial enfoque no mercado norte-americano.
Durante o outono será igualmente revelado o Audi A2 e-tron, um novo modelo 100% elétrico do segmento compacto, produzido em Ingolstadt, destinado a reforçar a oferta de acesso à mobilidade elétrica premium.
Segundo o presidente executivo da Audi, Gernot Döllner, estes lançamentos demonstram a continuidade da estratégia de modernização da marca e a adaptação do portefólio às necessidades específicas de cada mercado.
As restantes marcas do Grupo apresentaram desempenhos distintos.
A Bentley entregou 4.211 automóveis, menos do que no ano anterior, registando igualmente uma redução das receitas e do lucro operacional, refletindo o abrandamento dos mercados dos Estados Unidos, China e Médio Oriente.
A Lamborghini entregou 5.422 veículos, ligeiramente abaixo de 2025, mas aumentou as receitas para 1.741 milhões de euros, beneficiando da procura por versões personalizadas, mantendo uma margem operacional elevada de 22,7%.
Já a Ducati vendeu 27.876 motociclos, registando uma quebra nas vendas, receitas e rentabilidade, acompanhando a desaceleração global do mercado das duas rodas.
Apesar da redução do lucro líquido para 1.123 milhões de euros, o Grupo conseguiu praticamente duplicar o fluxo de caixa líquido, que atingiu 1.885 milhões de euros, beneficiando de uma melhoria na gestão do capital circulante.
Perante a continuação da pressão nos principais mercados, sobretudo na China, e do agravamento das tensões geopolíticas internacionais, a Audi reviu as previsões para o conjunto de 2026.
A empresa estima agora receitas entre 58 e 63 mil milhões de euros, uma margem operacional entre 5% e 7% e mantém a previsão de um fluxo de caixa líquido entre 3 e 4 mil milhões de euros.
Indicador | 1.º semestre 2026 | 1.º semestre 2025 |
Entregas do Grupo | 736.878 | 794.088 |
Entregas Audi | 727.245 | 783.531 |
Receitas | 29,177 mil M€ | 32,573 mil M€ |
Lucro operacional | 1.122 M€ | 1.087 M€ |
Margem operacional | 3,8% | 3,3% |
Fluxo de caixa líquido | 1.885 M€ | 904 M€ |
Lucro antes de impostos | 1.523 M€ | 1.680 M€ |
Lucro líquido | 1.123 M€ | 1.346 M€ |
Mercado | 1.º semestre 2026 | Variação |
Mundo | 727.245 | -7,2% |
Europa (exceto Alemanha) | 255.932 | +5,8% |
Alemanha | 107.571 | +4,2% |
América do Norte (exceto México) | 82.187 | -16,7% |
China | 232.227 | -19,3% |
Mercados internacionais e emergentes | 49.328 | -5,1% |
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