
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.










Construtora sueca anuncia que irá concentrar o crescimento no mercado europeu, onde realiza cerca de 80% das vendas, depois de uma decisão das autoridades norte-americanas impedir a comercialização de novos modelos a partir do ano-modelo 2027.
A Polestar anunciou um reforço da sua estratégia para o mercado europeu na sequência da decisão do Bureau of Industry and Security, organismo do Departamento do Comércio dos Estados Unidos, de não conceder à fabricante autorização ao abrigo da atual regulamentação norte-americana relativa aos veículos conectados. A medida impede a marca de comercializar novos modelos naquele mercado a partir do ano-modelo 2027, obrigando a empresa a redefinir as prioridades da sua expansão internacional.
Perante este cenário, a construtora sueca confirmou que irá concentrar uma parte significativa do seu crescimento na Europa, mercado que atualmente representa cerca de 80% das suas vendas a retalho e onde pretende continuar a expandir a rede comercial. Paralelamente, mantém os planos para localizar no continente europeu a produção do futuro Polestar 7, um SUV compacto que integrará a próxima geração de modelos da marca.
Apesar da decisão das autoridades norte-americanas, a Polestar esclarece que continuará a comercializar nos Estados Unidos o stock atualmente disponível dos modelos Polestar 3 e Polestar 4, assegurando igualmente a continuidade dos serviços de assistência e da rede de pós-venda para os atuais clientes. Ainda assim, o peso relativo daquele mercado na atividade global da empresa tem vindo a diminuir. Segundo os dados divulgados pela própria marca, 94% das vendas registadas no primeiro trimestre de 2026 foram realizadas fora dos Estados Unidos, refletindo uma crescente diversificação geográfica.
O diretor executivo da Polestar, Michael Lohscheller, considera que a indústria automóvel está a entrar numa nova fase, marcada por dinâmicas regionais cada vez mais relevantes. Nesse contexto, a estratégia da empresa passa por reforçar a presença na Europa, mantendo simultaneamente investimentos em mercados considerados estratégicos para o crescimento futuro, entre os quais o Sudeste Asiático, a Europa de Leste, a América Latina e o Canadá.
A marca sustenta esta estratégia com a renovação da sua gama de modelos. Depois do crescimento registado em 2025 e no primeiro trimestre de 2026, a Polestar prepara-se para iniciar durante o verão as primeiras entregas do Polestar 5, modelo que representa uma nova etapa na oferta da fabricante. Está igualmente prevista para o segundo semestre deste ano uma nova variante do Polestar 4, atualmente o modelo mais vendido da marca, seguindo-se o lançamento de uma nova geração do Polestar 2, previsto para 2027, e posteriormente a chegada do já anunciado Polestar 7.
Fim das vendas a partir de 2027: A marca não introduzirá novos modelos nos EUA, limitando-se a escoar o stock existente dos modelos Polestar 3 e Polestar 4.
A reorganização estratégica surge numa altura em que vários construtores automóveis ajustam as suas cadeias de produção e os seus planos industriais em função da evolução das políticas comerciais e regulamentares entre diferentes blocos económicos. No caso da Polestar, a resposta passa por reforçar a presença na Europa, acelerar a expansão em mercados internacionais considerados prioritários e adaptar a produção futura às novas exigências do setor automóvel global.
A Regra dos Veículos Conectados foi concebida com foco na segurança nacional dos EUA. A legislação visa proibir a importação e venda de veículos, software e hardware de conectividade (como sistemas de Bluetooth, Wi-Fi, redes móveis e comunicações por satélite) integrados por empresas associadas a nações consideradas "adversários estrangeiros", nomeadamente a China e a Rússia.
Embora a Polestar seja uma marca de origem sueca e com sede em Gotemburgo, o seu acionista maioritário é o gigante industrial chinês Geely Holding. De acordo com os reguladores norte-americanos, as empresas sujeitas à jurisdição ou direção do governo chinês podem ser legalmente coagidas a partilhar dados confidenciais (como a localização e navegação em tempo real dos utilizadores) ou a permitir acessos remotos cibernéticos aos veículos a circular em solo americano, criando um risco de espionagem ou interferência em infraestruturas.
A decisão do BIS surpreendeu o mercado pelo facto de a Polestar já ter diversificado a sua produção para fora da China: o Polestar 3 vendido nos EUA é fabricado na Carolina do Sul (EUA) e o Polestar 4 é produzido na Coreia do Sul. No entanto, a regulamentação foca-se na propriedade intelectual e desenvolvimento do ecossistema digital do carro e não apenas no local da montagem física.
De acordo com as autoridades americanas, a Polestar não conseguiu demonstrar de forma convincente às autoridades norte-americanas que os seus sistemas e cadeia de fornecedores de software estavam totalmente blindados contra a influência e governação chinesas. Em contrapartida, a Volvo Cars (que também pertence à Geely) recebeu "luz verde" do Departamento de Comércio após provar que a sua arquitetura de software foi desenvolvida de forma independente na Europa, livre desse controlo direto.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu celular.
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Apoie o jornalismo de valor. Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo



























Comentários