Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.


Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.







A histórica Santana Motors apresentou o novo Cajal, um modelo que aposta numa arquitetura clássica de todo-o-terreno com chassis de longarinas, redutoras e bloqueios de diferencial. O objetivo é recuperar um segmento cada vez mais reduzido no mercado, oferecendo um veículo preparado para utilização exigente fora de estrada sem abdicar do conforto e da tecnologia atuais.
A Santana Motors revelou oficialmente o novo Santana Cajal, o segundo modelo da nova fase da histórica marca espanhola, que pretende recuperar o protagonismo no segmento dos verdadeiros veículos todo-o-terreno. Produzido em Linares, na Andaluzia, o modelo assume-se como uma alternativa aos SUV modernos, apostando numa configuração mecânica tradicional destinada a privilegiar as capacidades fora de estrada.
Durante a apresentação, os responsáveis da marca foram claros quanto ao posicionamento do novo modelo: "Isto é um todo-o-terreno, não é um SUV."
A afirmação resume a filosofia do Cajal, um veículo desenvolvido sobre uma estrutura concebida para enfrentar terrenos difíceis e responder às necessidades de utilizadores profissionais, aventureiros ou entusiastas da condução fora de estrada.
Ao contrário da maioria dos SUV atualmente disponíveis no mercado, o Santana Cajal utiliza um chassis de longarinas e travessas, solução tradicionalmente utilizada em veículos de trabalho e todo-o-terreno puros devido à sua elevada robustez estrutural.
A transmissão inclui:
tração integral conectável;
caixa redutora;
três bloqueios de diferencial.
Este conjunto permite maximizar a motricidade em pisos de baixa aderência, tornando o modelo apto para enfrentar lama, areia, pedra ou travessias de cursos de água com um nível de preparação cada vez menos comum na indústria automóvel.

Sob o capot encontra-se um motor Diesel de 2,0 litros, desenvolvido pela norte-americana Cummins, que debita 163 cv e 390 Nm de binário.
A motorização trabalha em conjunto com uma caixa automática ZF de oito velocidades, reconhecida pela sua utilização em diversos modelos de segmentos superiores.
O sistema disponibiliza 11 modos de condução, adaptando eletronicamente o funcionamento da transmissão e da tração às diferentes condições de utilização, incluindo estrada, neve, areia, lama, rochas ou travessias de água.
A ficha técnica evidencia uma forte vocação para utilização em ambientes exigentes.
Entre os principais números anunciados destacam-se:
22 centímetros de distância ao solo;
37 graus de ângulo de ataque;
31 graus de ângulo de saída;
80 centímetros de capacidade de vadear água;
capacidade de reboque até 2.500 kg;
depósito de combustível de 85 litros.
São características que aproximam o Santana Cajal dos tradicionais veículos todo-o-terreno utilizados em exploração agrícola, trabalhos florestais ou expedições, num mercado onde muitos modelos privilegiam atualmente a utilização em estrada.

Apesar da orientação claramente funcional, o habitáculo apresenta um elevado nível de equipamento.
O Cajal incorpora cinco ecrãs, incluindo um painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas, um ecrã central multimédia de 12,8 polegadas e outro monitor com igual dimensão colocado diante do passageiro.
Este último disponibiliza informações específicas para utilização fora de estrada, como:
inclinação do veículo;
profundidade de passagem a vau;
bússola;
estado da transmissão;
funcionamento dos bloqueios de diferencial.
O equipamento inclui ainda:
teto panorâmico;
bancos em pele;
sistema de som com dez altifalantes e subwoofer;
carregador sem fios de 50 W;
dez pontos de alimentação distribuídos pelo habitáculo.
A Santana admite igualmente a possibilidade de lançar futuramente versões mais simples destinadas a serviços públicos e forças de segurança.

O lançamento do Cajal faz parte da estratégia de reposicionamento da Santana Motors, que pretende reforçar a identidade espanhola da marca.
Além de manter a produção em Linares, a empresa anunciou que os futuros modelos utilizarão nomes inspirados em figuras históricas ou locais emblemáticos de Espanha.
O primeiro representante desta nova filosofia homenageia Santiago Ramón y Cajal, médico e cientista espanhol distinguido com o Prémio Nobel da Medicina.
A estratégia será também refletida na rede comercial, que deverá atingir 60 concessionários até ao final do ano, cobrindo cerca de 95% do território espanhol, sob o lema "100% espanhol".
A Santana Motors pretende posicionar o novo Cajal abaixo da barreira dos 50.000 euros, embora o preço definitivo dependa ainda da homologação final relativa a emissões e consumos.
A marca prevê divulgar os valores oficiais durante o mês de setembro, mantendo como objetivo iniciar as primeiras entregas em dezembro.
Segundo a empresa, já existe uma lista de interessados gerida pela futura rede de concessionários.
Com este lançamento, a Santana procura ocupar um nicho de mercado praticamente abandonado por muitos fabricantes, apostando num conceito de veículo que privilegia a capacidade todo-o-terreno acima da imagem típica dos SUV, numa altura em que a eletrificação e os crossovers dominam a indústria automóvel.
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