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Peugeot 2008 lidera em Portugal no acumulado, mas Sandero foi o que mais vendeu em Agosto

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    Redação Europa
  • há 7 horas
  • 8 min de leitura
Peugeot 2008 lidera em Portugal no acumulado, mas Sandero foi o que mais vendeu em Agosto

O Peugeot 2008 mantém a liderança entre os automóveis ligeiros de passageiros mais vendidos em Portugal nos primeiros oito meses de 2026, com 5.442 unidades, mas agosto mostrou um mercado bem diferente do retrato acumulado: o Dacia Sandero foi o modelo mais matriculado no mês, seguido do Citroën C3 e do Dacia Duster. A análise aos 50 modelos mais vendidos revela ainda movimentos muito expressivos, com fortes crescimentos do Citroën C3 Aircross, Fiat Grande Panda, Tesla Model Y e Mercedes-Benz CLA, enquanto Renault Clio, Peugeot 308 e Nissan Juke estão entre os modelos que mais perderam volume face a 2025. 


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A tabela da ACAP relativa aos 50 modelos mais vendidos entre janeiro e agosto ajuda a perceber melhor um mercado português que continua a crescer, mas cuja distribuição entre modelos está longe de ser estável.


Os 50 automóveis presentes no ranking somaram 100.938 matrículas nos primeiros oito meses de 2026, contra 92.944 no mesmo período de 2025, um crescimento de aproximadamente 8,6%. Apesar disso, a sua quota conjunta desceu ligeiramente de 60,13% para 59,61%, sinal de que o crescimento do mercado está também a ser repartido por uma oferta cada vez mais ampla.


Em agosto, essa fragmentação é ainda mais evidente: os 50 modelos representaram 51,99% das matrículas, abaixo dos 55,26% registados um ano antes.


Dacia Sandero vence agosto, Citroën C3 aproxima-se e Peugeot 2008 fica longe da liderança mensal

O Dacia Sandero foi o automóvel mais vendido em Portugal em agosto, com 511 matrículas e uma quota mensal de 3,63%. O resultado representa uma subida modesta face às 480 unidades de agosto de 2025, mas foi suficiente para lhe garantir uma liderança clara num mês em que vários dos modelos habitualmente mais fortes apresentaram volumes bastante inferiores aos seus acumulados anuais.


O Citroën C3 terminou em segundo, com 435 unidades, mais 55,9% do que as 279 registadas no mesmo mês do ano passado. O Dacia Duster completou o pódio mensal com 324 unidades, praticamente ao nível de agosto de 2025, enquanto o Renault Clio chegou às 302 e o Toyota Yaris Cross às 292. Peugeot 208, Mercedes-Benz GLC, Toyota Yaris, Mercedes-Benz CLA e Citroën C3 Aircross completaram os dez primeiros.   



Os 10 modelos mais vendidos em agosto de 2026

Posição

Modelo

Matrículas

Quota

1

Dacia Sandero

511

3,63%

2

Citroën C3

435

3,09%

3

Dacia Duster

324

2,30%

4

Renault Clio

302

2,14%

5

Toyota Yaris Cross

292

2,07%

6

Peugeot 208

289

2,05%

7

Mercedes-Benz GLC

282

2,00%

8

Toyota Yaris

267

1,90%

9

Mercedes-Benz CLA

220

1,56%

10

Citroën C3 Aircross

204

1,45%

Um dos dados mais curiosos do mês é precisamente o desempenho do líder anual. O Peugeot 2008 registou apenas 185 matrículas em agosto, contra 310 no mesmo mês de 2025, uma descida de 40,3%. Ou seja, o modelo que continua no topo da classificação anual terminou agosto fora dos dez primeiros.


Este contraste mostra como uma análise isolada de um único mês pode distorcer a leitura do mercado. Matrículas podem variar fortemente por questões de entregas, disponibilidade, gestão de stocks, frotas ou calendários comerciais, razão pela qual o acumulado continua a ser uma referência mais sólida para avaliar o desempenho estrutural de cada modelo.


Peugeot 2008 continua líder do ano, mas Peugeot 208 e Citroën C3 aproximam-se

Nos primeiros oito meses de 2026, o Peugeot 2008 conserva o primeiro lugar com 5.442 unidades e 3,21% de quota, embora esteja 5,3% abaixo das 5.748 matrículas alcançadas no mesmo período de 2025. A liderança continua confortável, mas a vantagem sobre os perseguidores reduziu-se.


O Peugeot 208 ocupa o segundo lugar com 4.660 unidades, uma subida de 23,3%, enquanto o Citroën C3 surge logo atrás com 4.492, praticamente estabilizado face às 4.458 do ano anterior. O Dacia Sandero mantém a quarta posição, apesar de recuar 10,8%, e o Tesla Model 3 ocupa o quinto lugar com 3.719 matrículas, mais 28,7% do que no mesmo período de 2025.



Os 10 modelos mais vendidos entre janeiro e agosto de 2026

Posição

Modelo

Matrículas 2026

Quota 2026

Variação vs. 2025

1

Peugeot 2008

5.442

3,21%

-5,3%

2

Peugeot 208

4.660

2,75%

+23,3%

3

Citroën C3

4.492

2,65%

+0,8%

4

Dacia Sandero

4.125

2,44%

-10,8%

5

Tesla Model 3

3.719

2,20%

+28,7%

6

Dacia Duster

3.548

2,10%

-14,3%

7

Toyota Yaris Cross

3.065

1,81%

+18,2%

8

SEAT Ibiza

3.024

1,79%

+35,5%

9

Renault Clio

2.941

1,74%

-41,5%

10

Opel Corsa

2.809

1,66%

+10,8%

O SEAT Ibiza é um dos casos mais interessantes dentro do top 10. As 3.024 matrículas acumuladas representam uma subida de 35,5% face às 2.232 registadas nos primeiros oito meses de 2025, permitindo ao utilitário espanhol ocupar o oitavo lugar. Em sentido oposto, o Renault Clio mantém-se em nono, mas com uma quebra de 41,5%, depois de ter sido um dos modelos mais vendidos do mercado no ano anterior.


Citroën C3 Aircross protagoniza uma das maiores subidas do ano

Olhando para a evolução em volume absoluto entre os modelos que já estavam presentes em 2025, o Citroën C3 Aircross é o que mais unidades acrescenta ao acumulado, passando de 1.136 para 2.552 matrículas. São mais 1.416 automóveis, correspondentes a um crescimento de 124,6%. O resultado coloca o modelo no 13.º lugar da classificação anual.


O Fiat Grande Panda apresenta uma progressão percentual ainda superior, de aproximadamente 287,6%, passando de apenas 386 para 1.496 unidades. O Dacia Bigster sobe de 366 para 1.187, um avanço de 224,3%, enquanto o Mercedes-Benz CLA praticamente duplica, de 853 para 1.653 matrículas, mais 93,8%.


Também o Tesla Model Y cresce de forma significativa, com 2.777 unidades contra 1.702 em 2025, um aumento de 63,2%. O Cupra Formentor progride 86,1%, de 597 para 1.111 unidades, e o Mercedes-Benz GLC cresce 84,1%, alcançando 1.412 matrículas.  


Há ainda modelos cuja comparação percentual exige cuidado. O BYD Atto 2 DM-i soma 1.163 unidades em 2026, mas não tinha matrículas no período homólogo de 2025 na tabela, pelo que não existe uma taxa de crescimento comparável. É, ainda assim, uma entrada relevante no top 50 e mostra como modelos recentes podem alterar rapidamente a composição do mercado.


Entre as maiores progressões em número de unidades no acumulado destacam-se o Citroën C3 Aircross (+1.416), Fiat Grande Panda (+1.110), Tesla Model Y (+1.075), Peugeot 208 (+880), Tesla Model 3 (+830), Dacia Bigster (+821), Mercedes-Benz CLA (+800), SEAT Ibiza (+792) e Mercedes-Benz GLC (+645). A esta leitura deve acrescentar-se o BYD Atto 2 DM-i, com 1.163 unidades novas face a uma base nula no período comparável.


Renault Clio sofre a maior quebra em volume

No extremo oposto, nenhuma descida é tão expressiva como a do Renault Clio. O modelo passou de 5.031 matrículas nos primeiros oito meses de 2025 para 2.941 em 2026, perdendo 2.090 unidades, ou 41,5%. É uma queda suficientemente grande para alterar significativamente a sua posição no ranking, apesar de continuar dentro dos dez mais vendidos.


O Peugeot 308 apresenta a segunda maior perda absoluta, de 2.826 para 1.770 unidades, menos 1.056 e uma descida de 37,4%. Seguem-se o Nissan Juke, com menos 677 unidades (-24,1%), Renault Captur, menos 595 (-19%), e Dacia Duster, menos 590 (-14,3%).


Também o Dacia Sandero perdeu 501 matrículas no acumulado, embora permaneça quarto no ranking, enquanto BMW Série 1 (-339), Dacia Jogger (-320), Peugeot 2008 (-306) e SEAT Arona (-286) completam algumas das quebras absolutas mais relevantes entre os 50 modelos analisados.   


Agosto mostra oscilações ainda mais violentas

Quando a comparação é feita apenas entre agosto de 2026 e agosto de 2025, as variações tornam-se muito mais acentuadas. O Citroën C3 ganhou 156 unidades e cresceu 55,9%, enquanto Mercedes-Benz GLC (+150 unidades; +113,6%), Mercedes-Benz CLA (+134; +155,8%) e BMW iX1 (+127; +192,4%) registaram fortes progressões.


O Toyota Yaris acrescentou 115 unidades (+75,7%), o Cupra Formentor 98 (+153,1%) e o Citroën C3 Aircross 93 (+83,8%). O Opel Corsa quase duplicou o desempenho mensal, passando de 99 para 179 unidades, enquanto o Tesla Model Y passou de 75 para 147.   


Do lado negativo, o número que mais chama a atenção é o do Tesla Model 3: apenas uma matrícula em agosto de 2026, contra 158 um ano antes, uma quebra de 99,4%. Este resultado contrasta fortemente com o crescimento de 28,7% que o modelo mantém no acumulado e, por isso, deve ser interpretado sobretudo como uma anomalia mensal até existirem mais dados que permitam explicar a causa. O documento da ACAP apresenta os números, mas não fornece informação sobre entregas, stocks ou outras razões que possam justificar esta variação.


O Nissan Qashqai perdeu 148 unidades em agosto (-61,7%), o BMW X1 caiu 128 (-44%), o Peugeot 2008 perdeu 125 (-40,3%), o Ford Puma 111 (-45,1%) e o Volkswagen T-Cross 100 (-60,2%). O Peugeot 308 também registou uma quebra mensal de 57,2%, de 159 para 68 matrículas.


Um mercado menos concentrado e com maior rotação entre modelos

A análise aos 50 modelos permite retirar uma conclusão que vai além de quem lidera o ranking: o mercado português está a tornar-se mais fragmentado. Em agosto, os 50 modelos mais vendidos aumentaram as matrículas conjuntas de 7.178 para 7.323, cerca de 2%, mas a sua quota caiu mais de três pontos, de 55,26% para 51,99%, porque o mercado total cresceu mais rapidamente.


No acumulado, a situação é semelhante, embora menos pronunciada. Os 50 primeiros cresceram 8,6%, mas a quota conjunta passou de 60,13% para 59,61%. Isto significa que uma parcela cada vez maior das vendas está distribuída por modelos fora deste grupo, reflexo de uma oferta mais ampla e de uma competição crescente entre marcas e tecnologias.


Também é evidente que já não existe um modelo isolado com uma fatia dominante. O líder anual, Peugeot 2008, representa apenas 3,21% do mercado, e em agosto o primeiro classificado, Dacia Sandero, ficou nos 3,63%. Mesmo os modelos mais vendidos operam, portanto, num mercado bastante pulverizado.


A hierarquia também está a mudar rapidamente. Peugeot 2008 continua líder apesar de perder vendas, Peugeot 208 aproxima-se com crescimento superior a 23%, o Tesla Model 3 avança no acumulado apesar de um agosto praticamente nulo, e modelos recentes como Fiat Grande Panda, Dacia Bigster e BYD Atto 2 DM-i já ocupam posições relevantes no top 50. Ao mesmo tempo, nomes historicamente fortes como Renault Clio e Peugeot 308 estão a perder volumes expressivos.


O retrato dos primeiros oito meses de 2026 é, por isso, menos o de uma simples troca de posições e mais o de um mercado em plena redistribuição. As vendas crescem, mas estão cada vez mais repartidas; novos modelos ganham escala rapidamente, enquanto referências tradicionais deixam de poder contar apenas com a força histórica do nome para permanecer no topo. É essa maior volatilidade que deverá tornar particularmente interessante acompanhar os últimos quatro meses do ano e perceber se o Peugeot 2008 consegue defender a liderança ou se Peugeot 208 e Citroën C3 conseguem aproximar-se ainda mais.


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