Polestar alcança vendas recorde em 2026, mas crescimento global esconde quebra de 8% fora dos Estados Unidos

A Polestar terminou os primeiros nove meses de 2026 com 44.790 veículos vendidos em todo o mundo, o valor acumulado mais elevado da sua história, e registou o melhor terceiro trimestre de sempre, com 14.371 unidades. Apesar dos recordes, o crescimento global permanece modesto, com uma subida de apenas 0,6% desde janeiro. Os resultados revelam ainda diferenças importantes entre mercados: enquanto as vendas fora dos Estados Unidos recuaram 8% no terceiro trimestre, Portugal manteve uma evolução positiva, com 498 matrículas acumuladas e um crescimento de 19%. A chegada do Polestar 5 e do novo Polestar 4 SUV poderá alterar o desempenho comercial da marca nos próximos meses.
A Polestar divulgou os seus resultados comerciais relativos ao terceiro trimestre de 2026, confirmando um novo máximo de vendas para este período do ano. Entre julho e setembro, a fabricante sueca comercializou, segundo dados ainda provisórios, 14.371 automóveis, contra 14.222 no mesmo trimestre de 2025, o que corresponde a um crescimento de aproximadamente 1%. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas atingiram 44.790 unidades, ultrapassando as 44.511 registadas no período homólogo do ano anterior. A diferença de apenas 279 veículos representa uma progressão de 0,6%, demonstrando que os máximos históricos foram alcançados num contexto de relativa estabilidade comercial, e não de expansão acelerada.
A leitura dos resultados torna-se mais complexa quando se analisam separadamente os mercados internacionais. Excluindo os Estados Unidos, a Polestar vendeu 12.211 automóveis no terceiro trimestre, menos 8% do que as 13.256 unidades registadas um ano antes. Nos primeiros nove meses, as vendas fora do mercado norte-americano totalizaram 40.773 veículos, uma redução de 0,5% face aos 40.968 comercializados em 2025. Esta distinção foi introduzida pela fabricante na sequência da decisão das autoridades norte-americanas relativamente à Connected Vehicle Rule, regulamentação que estabelece restrições relacionadas com determinadas tecnologias e componentes de veículos conectados e, precisamente, o mercado que a marca vai ser obrigada a deixar devido a restrições de comercialização.
Os números permitem perceber que o crescimento global da Polestar foi sustentado pelo desempenho contabilizado nos Estados Unidos. A diferença entre as vendas mundiais e os valores apresentados sem aquele mercado corresponde a 2160 unidades no terceiro trimestre de 2026, contra 966 no período homólogo de 2025. No acumulado dos primeiros nove meses, essa diferença passou de 3543 para 4017 automóveis. Embora estes valores não permitam avaliar isoladamente a rentabilidade ou as condições comerciais da operação norte-americana, mostram que a evolução das vendas nesse mercado compensou a contração registada no conjunto dos restantes países.
Portugal cresce 19% e contraria a tendência de vários mercados internacionais
No mercado português, a Polestar apresentou uma evolução mais favorável do que a registada globalmente. Entre julho e setembro, foram matriculados 165 automóveis, um aumento de 15% relativamente ao terceiro trimestre de 2025. Desde o início do ano, a marca contabiliza 498 matrículas, correspondentes a um crescimento homólogo de 19%. Embora os volumes continuem relativamente reduzidos em termos absolutos, a progressão indica um reforço da presença comercial da fabricante num mercado onde a concorrência entre marcas de veículos elétricos se tem intensificado.
Estes resultados foram alcançados, segundo a Polestar, com uma oferta de produtos essencialmente semelhante à disponível no ano anterior. A situação deverá começar a alterar-se com o alargamento da gama anunciado para setembro, através da chegada do Polestar 5 e do novo Polestar 4 SUV. A introdução destes modelos permitirá à fabricante abordar diferentes perfis de clientes, incluindo consumidores que procuram automóveis de maiores dimensões, níveis superiores de desempenho ou formatos de carroçaria mais próximos dos SUV tradicionais.
Miguel Pinto, diretor-geral da Polestar Portugal, considera que o desempenho comercial dos primeiros nove meses confirma a evolução da marca no mercado nacional. O responsável destaca a importância da ampliação da gama para chegar a novos clientes e consolidar a presença da Polestar em Portugal. No entanto, será necessário acompanhar os próximos resultados de matrículas para avaliar o impacto efetivo dos novos modelos, uma vez que os números agora divulgados refletem sobretudo a atividade comercial anterior ao alargamento da oferta.
Polestar 5 e novo Polestar 4 SUV assumem importância na estratégia comercial
A expansão da gama constitui um dos principais elementos da estratégia da Polestar para a fase seguinte do seu desenvolvimento. O início das entregas do Polestar 5 representa a entrada de um novo modelo no portefólio da fabricante, enquanto o Polestar 4 SUV procura reforçar a presença da marca no segmento D-SUV, uma categoria particularmente relevante no mercado europeu de automóveis elétricos premium.
Michael Lohscheller, CEO da Polestar, destacou que o terceiro trimestre foi o melhor de sempre para a empresa, apesar das dificuldades que continuam a afetar o setor automóvel. O responsável atribui especial importância ao início das entregas do Polestar 5 e ao potencial comercial do novo Polestar 4 SUV, considerando que a diversificação da gama permitirá alcançar consumidores que anteriormente não encontravam uma proposta adequada às suas necessidades.
A aposta em novos modelos surge num momento em que o mercado europeu de veículos elétricos atravessa uma transformação significativa. A entrada de novos fabricantes, o aumento da oferta de SUV elétricos e a pressão sobre os preços obrigam as marcas a diferenciarem os seus produtos não apenas pelas características técnicas, mas também pela relação entre equipamento, autonomia, desempenho e custo de aquisição. Para a Polestar, que procura afirmar-se no segmento premium, a ampliação da gama poderá contribuir para reduzir a dependência comercial dos modelos já existentes, embora implique também maiores exigências ao nível da distribuição, assistência e posicionamento de preços.
Os resultados divulgados dizem respeito exclusivamente a volumes comerciais e não permitem retirar conclusões sobre a evolução das receitas, margens operacionais ou rentabilidade da empresa. A própria Polestar esclarece que os números relativos a 2026 são estimativas sujeitas a revisão, enquanto os valores apresentados para 2025 são definitivos.
Indicador | 2025 | 2026 | Variação |
Vendas globais — janeiro a setembro | 44.511 | 44.790 | +0,6% |
Vendas fora dos EUA — janeiro a setembro | 40.968 | 40.773 | -0,5% |
Vendas globais — 3.º trimestre | 14.222 | 14.371 | +1,0% |
Vendas fora dos EUA — 3.º trimestre | 13.256 | 12.211 | -8,0% |
Matrículas em Portugal — janeiro a setembro | — | 498 | +19% |
Matrículas em Portugal — 3.º trimestre | — | 165 | +15% |
Fonte: Polestar, dados divulgados a 8 de outubro de 2026. Os volumes de 2026 são provisórios. As variações relativas a Portugal foram comunicadas pela marca, sem apresentação dos valores absolutos de 2025.
A evolução comercial da Polestar nos próximos meses dependerá, em parte, da capacidade de transformar o alargamento da gama em vendas adicionais, particularmente na Europa, onde os resultados recentes mostram maior pressão concorrencial. Em Portugal, o crescimento de 19% constitui um indicador favorável, mas parte de uma base comercial ainda limitada. À escala internacional, os recordes de 2026 demonstram que a marca conseguiu preservar o seu volume de vendas num contexto exigente, embora a diferença entre os resultados globais e os registados fora dos Estados Unidos revele uma expansão desigual entre mercados.
Com o Polestar 5 a iniciar as entregas e o novo Polestar 4 SUV a reforçar a oferta, o último trimestre de 2026 será importante para perceber se a fabricante consegue acelerar o crescimento para além dos atuais valores próximos da estabilidade. O desafio não se limita a alcançar novos máximos de vendas: passa também por conseguir uma evolução comercial mais consistente nos diferentes mercados em que opera.
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