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17 de jan.



















Recordes de passageiros e preços mais acessíveis não travaram o aumento das queixas em 2025. Atrasos, sobrelotação e falhas estruturais expõem limites do sistema de mobilidade em Portugal.
O setor dos transportes em Portugal fechou 2025 com 7.622 reclamações, uma subida de 14,32% face ao ano anterior, num contexto de forte crescimento da procura e de pressão crescente sobre infraestruturas e operadores. Os dados constam do estudo “O Estado dos Transportes em Portugal – 2025”, desenvolvido pela Consumers Trust Labs com base em registos do Portal da Queixa, que traça um retrato de um sistema mais acessível, mas mais tensionado.
O transporte rodoviário coletivo liderou as reclamações, concentrando 40,63% do total. Entre as entidades mais visadas estão a Rede Expressos (33,61% das queixas no segmento), a CARRIS, a Carris Metropolitana, a FlixBus e a UNIR.
O aumento da procura — com destaque para os 194 milhões de passageiros transportados pela Carris Metropolitana — foi acompanhado por relatos de atrasos frequentes, tempos de espera prolongados e falhas de comunicação, especialmente durante os meses de verão.
A CP - Comboios de Portugal registou 208,2 milhões de passageiros, impulsionada pelo Passe Ferroviário Verde e por um crescimento de 107,1% nos serviços regionais. Ainda assim, o setor ferroviário e metropolitano viu as reclamações crescerem 33,50%, com a CP a concentrar 54,10% das ocorrências, seguida da Fertagus (19,67%).
Os principais motivos apontados foram atrasos (36,81%) e sobrelotação ou condições de higiene (25,54%), refletindo um desfasamento entre políticas de incentivo à procura e capacidade instalada.
No transporte aéreo, as reclamações subiram 2,86%, mas a satisfação dos passageiros recuou 11,75%. As companhias mais reclamadas foram a TAP Air Portugal (28,10%), a Ryanair (22,22%), a easyJet (10,62%) e a SATA Air Açores.
O pico anual de reclamações ocorreu a 4 de agosto, durante a greve da Menzies Aviation, que afetou operações em plena época alta. A anunciada reprivatização da TAP, com interesse manifestado por grupos como Lufthansa, Air France-KLM e IAG, não teve impacto direto na perceção imediata dos passageiros.
Nos serviços TVDE e táxis, as reclamações desceram ligeiramente (-1,05%), mas continuam concentradas na Uber (66,60%) e na Bolt (28,60%), sobretudo relacionadas com cobranças indevidas e reembolsos.
O aluguer de automóveis registou uma subida expressiva de 20,74%, totalizando 949 ocorrências. Empresas como Guerin, Europcar e Hertz estiveram entre as mais visadas, com quase 67% das queixas relacionadas com cauções e taxas consideradas pouco transparentes.
Já o transporte marítimo duplicou o número de reclamações (+112,50%), com especial incidência na Transtejo, afetando sobretudo pendulares da Margem Sul.
Apesar do aumento global das reclamações, o estudo identifica melhorias nos indicadores de resposta das entidades. A satisfação média subiu 13,68%, passando de 3,01 para 3,42 pontos, enquanto o tempo médio de resposta melhorou 19,67%. A recuperação emocional pós-intervenção cresceu 23,17%.
Lisboa (34,22%), Porto (18,97%) e Setúbal (12%) concentram a maioria das queixas, sobretudo entre utilizadores com idades entre os 25 e os 54 anos.
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, o país conseguiu “reduzir o custo de acesso à mobilidade”, mas enfrenta fragilidades estruturais na qualidade do serviço. O desafio para 2026, sublinha, será transformar a reação às falhas em planeamento estratégico, garantindo que a mobilidade deixe de ser foco de frustração e se afirme como motor de coesão e sustentabilidade.
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