
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
9 de ago.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de jun.










Um ano depois da sua primeira demonstração dinâmica pública no Caramulo, o Adamastor Furia regressa à Serra para voltar a enfrentar a Rampa Histórica durante o Motorfestival 2026. Ainda sob a forma de Development Prototype, o supercarro desenvolvido no Porto realizará várias subidas de exibição entre 4 e 6 de setembro, numa oportunidade para mostrar a evolução de um projeto que pretende chegar tanto à estrada como à competição.
A presença do Furia será um dos pontos de interesse nacional do Caramulo Motorfestival deste ano. Depois da estreia dinâmica realizada na edição de 2025, a Adamastor volta a levar o seu protótipo de desenvolvimento à rampa, agora numa fase mais avançada do programa. A marca refere que o automóvel apresentará as evoluções mais recentes ao nível do motor V6 de origem Ford Performance, chassis e desempenho aerodinâmico, embora o comunicado não detalhe concretamente quais foram as alterações técnicas introduzidas desde a anterior passagem pelo Caramulo.
Este é um ponto importante para enquadrar a presença do modelo no evento. O automóvel que estará no Caramulo continua identificado pela própria Adamastor como Furia Development Prototype, pelo que as subidas não devem ser interpretadas como uma apresentação da versão definitiva de produção, mas como mais uma exposição pública do programa de desenvolvimento.
O contexto do Caramulo permite, ainda assim, colocar o protótipo perante condições muito diferentes das de uma apresentação estática. A Rampa Histórica, com as suas mudanças de direção, desníveis e zonas de aceleração, permite demonstrar perante o público alguns dos elementos fundamentais de um automóvel desta natureza, desde a resposta do conjunto mecânico ao comportamento do chassis e ao trabalho aerodinâmico.
A Adamastor confirma precisamente que o Furia fará várias subidas de exibição ao longo da edição de 2026, repetindo a fórmula utilizada no ano passado.

A importância do Furia vai além das prestações anunciadas para o automóvel. A Adamastor é um construtor português de baixo volume, sediado no Porto, onde mantém o seu centro de desenvolvimento tecnológico e oficinas. A empresa começou por trabalhar em investigação e desenvolvimento ligados aos automóveis desportivos e, em 2019, decidiu orientar a sua atividade para a criação de um supercarro próprio.
A estratégia definida para o Furia contempla dois caminhos: uma versão homologada para estrada e uma vertente destinada à competição na categoria GT. É uma ambição particularmente exigente para um fabricante de pequena dimensão, já que implica não apenas desenvolver um automóvel de elevadas prestações, mas também cumprir processos de homologação, produção e validação bastante distintos entre estrada e competição.
É também por isso que a designação de protótipo continua a ser relevante. Entre apresentar um supercarro funcional e estabelecer uma produção regular de baixo volume existe um processo complexo de desenvolvimento, validação, industrialização e homologação. O regresso ao Caramulo representa mais uma etapa pública desse percurso, mas o comunicado agora divulgado não apresenta novas datas para o início da produção ou comercialização.

Para uma marca ainda numa fase de afirmação, eventos como o Caramulo Motorfestival têm também uma função diferente daquela que assumem para fabricantes estabelecidos. Além da exposição mediática, permitem mostrar que o projeto continua ativo e colocar o automóvel em movimento perante um público particularmente ligado à cultura automóvel.
A Adamastor levará ao evento não apenas o Furia, mas também elementos da equipa responsável pelo seu desenvolvimento, permitindo aproximar o trabalho de engenharia realizado no Porto dos visitantes do festival.
O regresso acontece, além disso, numa edição em que a própria Rampa Histórica Castrol terá uma presença especialmente forte de automóveis de altas prestações, entre clássicos, competição e superdesportivos contemporâneos. Nesse cenário, o Furia assume uma particularidade difícil de ignorar: entre máquinas provenientes de alguns dos construtores mais conhecidos do mundo estará novamente um automóvel concebido e desenvolvido em Portugal.
Mais importante do que repetir o impacto da estreia de 2025 será perceber quanto evoluiu efetivamente o protótipo durante o último ano. A Adamastor promete mostrar progressos no V6, chassis e aerodinâmica; o Caramulo será agora uma das primeiras oportunidades públicas para voltar a ver essa evolução em movimento.
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