Elétricos ultrapassam os carros a gasolina na União Europeia e Portugal regista crescimento de 87% em setembro

O mercado automóvel europeu está a atravessar uma mudança na distribuição das motorizações. Nos primeiros nove meses de 2026, os automóveis 100% elétricos conquistaram 22,7% das matrículas na União Europeia, ultrapassando os modelos exclusivamente a gasolina, que recuaram para 21,2%. Em Portugal, setembro ficou marcado por um crescimento de 87,4% nas matrículas de elétricos, enquanto os veículos a gasolina e gasóleo registaram quedas acentuadas. Os dados são da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).
O mercado de automóveis novos na União Europeia cresceu 5,7% entre janeiro e setembro de 2026, totalizando 8.517.059 matrículas, contra 8.056.511 no período homólogo de 2025. Só em setembro foram matriculados 971.048 automóveis, um aumento de 9,3%.
Os números divulgados pela ACEA a 22 de outubro mostram uma alteração significativa nas preferências dos compradores europeus. Os híbridos continuam a liderar o mercado, os elétricos a bateria consolidaram a segunda posição e os automóveis exclusivamente a gasolina passaram para terceiro lugar.
A evolução ocorre num contexto de preços elevados da energia, incerteza económica e medidas de apoio à aquisição de veículos eletrificados em vários países. A maior diversidade de modelos disponíveis também contribui para a transformação da oferta.
Elétricos crescem 48,5% e ultrapassam a gasolina
Entre janeiro e setembro, foram matriculados 1.931.465 automóveis 100% elétricos na União Europeia, mais 48,5% do que no mesmo período de 2025. A quota de mercado passou de 16,1% para 22,7%, uma subida de 6,6 pontos percentuais num ano.
Em sentido contrário, os automóveis a gasolina registaram uma quebra de 19,1%, com 1.802.078 unidades matriculadas. A sua participação caiu de 27,7% para 21,2%. É uma alteração relevante na composição do mercado europeu: pela primeira vez neste balanço acumulado de 2026, os elétricos surgem à frente dos automóveis a gasolina.
Esta comparação diz respeito exclusivamente às novas matrículas. Não significa que os elétricos já sejam mais numerosos do que os automóveis a gasolina no parque automóvel em circulação, cuja renovação ocorre de forma muito mais lenta.
O crescimento dos elétricos também não é uniforme entre países. França e Alemanha destacam-se pelos aumentos expressivos, enquanto alguns mercados apresentam evoluções mais moderadas ou mesmo negativas.
Híbridos mantêm a liderança com 36,3% do mercado
Apesar do crescimento dos veículos elétricos, os híbridos continuam a ser a motorização mais procurada na União Europeia. Nos primeiros nove meses de 2026, foram matriculados 3.090.530 automóveis híbridos, um aumento de 10,7% relativamente ao período homólogo.
A quota de mercado atingiu 36,3%, mantendo esta categoria na primeira posição.
Importa esclarecer que a classificação utilizada pela ACEA inclui tanto os híbridos convencionais como os híbridos ligeiros (mild hybrid). Por isso, estes números não representam exclusivamente veículos capazes de circular em modo elétrico de forma autónoma.
Os híbridos plug-in, contabilizados separadamente, também cresceram. Entre janeiro e setembro, foram matriculadas 860.257 unidades, mais 18,6% do que em 2025.
A sua participação aumentou de 9% para 10,1%. Itália destacou-se neste segmento, com uma subida de 72,4%, seguida por Espanha, com 34,7%, e Alemanha, com 13,7%.
Gasóleo representa apenas 7,1% das novas matrículas
O declínio das motorizações tradicionais mantém-se evidente nos números europeus.
Os automóveis a gasóleo registaram 602.206 matrículas entre janeiro e setembro, uma redução de 19,5% face a 2025. A quota de mercado caiu de 9,3% para 7,1%.
Somados, gasolina e gasóleo representam agora 28,2% das novas matrículas na União Europeia, contra 36,9% no mesmo período do ano anterior. A redução é particularmente expressiva em mercados que historicamente apresentavam forte procura por motores de combustão.
Em França, as matrículas de automóveis a gasolina diminuíram 36,1%, enquanto na Alemanha a quebra foi de 22,7%. Espanha registou uma redução de 19% e Itália de 16,4%.
Os dados indicam uma deslocação da procura para veículos eletrificados, embora o ritmo da transição continue condicionado pelos preços, incentivos nacionais, disponibilidade de modelos e infraestrutura de carregamento.
Distribuição das motorizações na União Europeia
Motorização | Matrículas janeiro–setembro 2026 | Variação homóloga | Quota de mercado |
Híbridos (HEV e MHEV) | 3.090.530 | +10,7% | 36,3% |
Elétricos a bateria (BEV) | 1.931.465 | +48,5% | 22,7% |
Gasolina | 1.802.078 | -19,1% | 21,2% |
Híbridos plug-in (PHEV) | 860.257 | +18,6% | 10,1% |
Gasóleo | 602.206 | -19,5% | 7,1% |
Outras motorizações | 230.523 | -11,9% | 2,7% |
Total | 8.517.059 | +5,7% | 100% |
Fonte: ACEA. Dados provisórios relativos à União Europeia, excluindo Reino Unido e países da EFTA. A categoria dos híbridos inclui sistemas convencionais e mild hybrid.
Portugal: elétricos crescem 87,4% em setembro
O mercado português apresenta uma evolução particularmente expressiva.
Em setembro de 2026, foram matriculados 19.589 automóveis novos em Portugal, mais 15,2% do que no mesmo mês de 2025. Os elétricos a bateria registaram 9.338 matrículas, contra 4.984 em setembro do ano anterior, correspondendo a um crescimento de 87,4%.
Com estes resultados, os automóveis 100% elétricos representaram aproximadamente 47,7% das novas matrículas de passageiros em Portugal durante setembro. Trata-se de uma proporção significativamente superior à média europeia e que coloca os elétricos como a motorização com maior volume de matrículas no mercado português nesse mês.
Em contrapartida, os automóveis a gasolina recuaram 32%, para 2.004 unidades, enquanto os modelos a gasóleo diminuíram 53,7%, ficando nas 530 matrículas.
Os híbridos convencionais e ligeiros mantiveram-se praticamente estáveis, com 3.446 unidades, enquanto os híbridos plug-in recuaram 3%, para 3.022 automóveis.
A evolução mensal demonstra uma mudança rápida na composição das matrículas portuguesas, mas deve ser analisada juntamente com os valores acumulados, menos sujeitos a oscilações pontuais.
Portugal acumula crescimento de 49,1% nos elétricos
Entre janeiro e setembro de 2026, Portugal registou 188.912 matrículas de automóveis novos, mais 10,1% do que no período homólogo de 2025.
Os veículos 100% elétricos somaram 54.726 unidades, um crescimento de 49,1%. A quota acumulada dos elétricos atingiu aproximadamente 29% do mercado nacional, acima dos 22,7% registados no conjunto da União Europeia.
Os híbridos convencionais e ligeiros contabilizaram 49.431 matrículas, mais 23,4%, enquanto os híbridos plug-in chegaram às 28.328 unidades, um aumento de 13,7%. A gasolina registou 37.253 matrículas, menos 18,5%, e o gasóleo ficou nas 6.584 unidades, uma quebra de 32,6%.
Estes números colocam os elétricos como a categoria individual mais matriculada em Portugal no acumulado dos primeiros nove meses de 2026, à frente dos híbridos classificados pela ACEA.
Mercado português por motorização
Motorização | Setembro 2026 | Variação setembro | Janeiro–setembro 2026 | Variação acumulada |
Elétricos (BEV) | 9.338 | +87,4% | 54.726 | +49,1% |
Híbridos plug-in | 3.022 | -3,0% | 28.328 | +13,7% |
Híbridos (HEV/MHEV) | 3.446 | +0,1% | 49.431 | +23,4% |
Gasolina | 2.004 | -32,0% | 37.253 | -18,5% |
Gasóleo | 530 | -53,7% | 6.584 | -32,6% |
Outras motorizações | 1.249 | -8,5% | 12.590 | -12,5% |
Total | 19.589 | +15,2% | 188.912 | +10,1% |
Fonte: ACEA, matrículas de automóveis de passageiros.
Alemanha e França impulsionam o crescimento europeu dos elétricos
O crescimento dos veículos elétricos na União Europeia tem sido particularmente forte em dois dos seus maiores mercados. Na Alemanha, foram matriculados 604.144 automóveis elétricos entre janeiro e setembro, um aumento de 58,1%. Em França, o crescimento atingiu 79,1%, com 387.342 unidades.
A Dinamarca também apresentou uma evolução positiva de 40,3%, totalizando 124.049 matrículas. Estes três mercados, juntamente com a Bélgica, concentram uma parte significativa das matrículas de automóveis elétricos na União Europeia.
O comportamento de setembro foi ainda mais expressivo. Em França, as matrículas de elétricos aumentaram 107,5%, enquanto na Alemanha cresceram 94,7%. Portugal registou uma subida de 87,4% e Espanha de 71,7%.
A dimensão destes crescimentos demonstra que a eletrificação deixou de depender exclusivamente dos mercados mais pequenos ou tradicionalmente mais favoráveis à mobilidade elétrica.
Volkswagen mantém liderança, mas fabricantes chineses ganham terreno
Os dados da ACEA também permitem observar mudanças na distribuição das matrículas entre os grupos automóveis. O Grupo Volkswagen mantém a liderança na União Europeia, com 2.230.190 veículos matriculados entre janeiro e setembro e uma quota de 26,2%.
Apesar de um crescimento de 0,7% em volume, a participação do grupo diminuiu relativamente aos 27,5% registados em 2025.
A Stellantis ocupa a segunda posição, com 1.342.159 matrículas, um crescimento de 5,1% e uma quota de 15,8%. O Grupo Renault registou 882.788 unidades, menos 3,5%, enquanto o BMW Group cresceu 4,6%, para 586.538 matrículas. Entre os fabricantes com maior crescimento percentual destacam-se várias marcas chinesas.
A BYD passou de 80.977 para 206.002 matrículas, um aumento de 154,4%, elevando a sua quota de mercado de 1% para 2,4%. A Chery Automobile, que inclui marcas como Omoda, Jaecoo e Jetour, registou 137.003 matrículas, mais 246,5% do que em 2025.
A Leapmotor apresentou um crescimento de 393,6%, alcançando 72.760 unidades.
Apesar destes aumentos, é importante considerar que algumas destas marcas partiam de volumes relativamente reduzidos no período homólogo. O crescimento percentual, por si só, não significa que tenham alcançado uma posição dominante no mercado.
Tesla recupera em setembro, enquanto BYD mantém forte crescimento acumulado
A Tesla registou 45.866 matrículas na União Europeia durante setembro, um crescimento de 78,6% relativamente ao mesmo mês de 2025. No acumulado dos primeiros nove meses, a marca norte-americana contabilizou 188.035 unidades, mais 68,9%.
A BYD, por sua vez, registou 28.309 matrículas em setembro, um aumento de 111,4%.
No acumulado anual, a fabricante chinesa ultrapassa a Tesla em volume de matrículas na União Europeia, com 206.002 unidades contra 188.035.
Esta comparação abrange os veículos de cada marca contabilizados pela ACEA, não exclusivamente os automóveis 100% elétricos. Por isso, não deve ser interpretada como uma comparação direta de vendas de elétricos puros, uma vez que a BYD também comercializa híbridos plug-in.
Ainda assim, os números mostram o crescimento da concorrência entre fabricantes tradicionais, marcas chinesas e empresas especializadas em veículos eletrificados.
Principais grupos e fabricantes na União Europeia
Grupo ou fabricante | Matrículas janeiro–setembro 2026 | Variação homóloga | Quota |
Grupo Volkswagen | 2.230.190 | +0,7% | 26,2% |
Stellantis | 1.342.159 | +5,1% | 15,8% |
Grupo Renault | 882.788 | -3,5% | 10,4% |
Grupo Toyota | 597.409 | -0,2% | 7,0% |
Grupo Hyundai | 593.332 | -2,6% | 7,0% |
BMW Group | 586.538 | +4,6% | 6,9% |
Mercedes-Benz | 426.414 | +3,6% | 5,0% |
Grupo Geely | 236.214 | +10,6% | 2,8% |
BYD | 206.002 | +154,4% | 2,4% |
Tesla | 188.035 | +68,9% | 2,2% |
SAIC Motor | 186.650 | +20,4% | 2,2% |
Chery Automobile | 137.003 | +246,5% | 1,6% |
Leapmotor | 72.760 | +393,6% | 0,9% |
Fonte: ACEA. As quotas e os volumes referem-se a matrículas na União Europeia. Os valores apresentados correspondem a grupos ou fabricantes identificados no relatório, não constituindo uma classificação exaustiva de todas as marcas.
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