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Grupo Renault aumenta receitas em 2026, mas vendas caem 6% no terceiro trimestre e Dacia perde terreno

há 1 minuto
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Grupo Renault aumenta receitas em 2026, mas vendas caem 6% no terceiro trimestre e Dacia perde terreno


O Grupo Renault encerrou o terceiro trimestre de 2026 com receitas de 11,6 mil milhões de euros, um crescimento de 1,5% face ao mesmo período de 2025, apesar de ter vendido menos 6% de veículos. A Dacia registou a maior quebra, enquanto a Alpine cresceu 58,4% e a procura de automóveis elétricos acelerou na Europa. Nos primeiros nove meses do ano, o grupo faturou 41,8 mil milhões de euros e manteve as previsões financeiras para o conjunto de 2026.


O Grupo Renault apresentou esta quinta-feira, 29 de outubro, os resultados comerciais e financeiros relativos ao terceiro trimestre de 2026. Os números revelam um contraste entre a evolução das receitas e o desempenho das vendas: o grupo conseguiu aumentar ligeiramente a faturação, apesar de comercializar menos automóveis.


Entre julho e setembro, as três marcas — Renault, Dacia e Alpine — venderam conjuntamente 497.799 veículos, uma redução de 6% face às 529.298 unidades registadas no período homólogo. A receita consolidada atingiu 11.596 milhões de euros, mais 1,5%, sustentada sobretudo pelo crescimento dos serviços financeiros, pelas vendas a parceiros e pela alteração da composição dos modelos comercializados.


A atividade automóvel, isoladamente, apresentou receitas de 9.835 milhões de euros, praticamente inalteradas em relação ao terceiro trimestre de 2025. A taxas de câmbio constantes, registou mesmo uma ligeira redução de 0,2%.


Já a Mobilize Financial Services, responsável pelas atividades de financiamento, aumentou as receitas em 11%, para 1.761 milhões de euros.


Faturação cresce 7,1% nos primeiros nove meses

No acumulado de janeiro a setembro, o Grupo Renault alcançou receitas consolidadas de 41.848 milhões de euros, um aumento de 7,1% face aos 39.066 milhões registados no mesmo período de 2025.


A atividade automóvel contribuiu com 36.641 milhões de euros, mais 6,6%, enquanto os serviços financeiros geraram 5.207 milhões de euros, um crescimento de 11%.

Indicador

9 meses de 2025

9 meses de 2026

Variação

Receitas do Grupo

39.066 M€

41.848 M€

+7,1%

Receitas automóveis

34.373 M€

36.641 M€

+6,6%

Mobilize Financial Services

4.693 M€

5.207 M€

+11,0%

Veículos vendidos

1.698.948

1.662.222

-2,2%

A evolução confirma que o aumento das receitas não resultou de um crescimento generalizado das matrículas. Pelo contrário, o grupo vendeu menos 36.726 veículos nos primeiros nove meses do ano.


A diferença entre faturação e volumes está relacionada com vários fatores, incluindo a composição das vendas, a contribuição de parceiros industriais, os preços praticados e o crescimento do financiamento automóvel.


Dacia perde 12,8% no trimestre, enquanto Alpine cresce 58,4%

O desempenho das três marcas foi bastante desigual.

A Renault, responsável pela maior parte das vendas do grupo, comercializou 349.901 veículos no terceiro trimestre, menos 2,9% do que em 2025.


A Dacia registou a maior contração, com 144.175 unidades e uma quebra de 12,8%.


Em sentido contrário, a Alpine aumentou as vendas em 58,4%, alcançando 3.723 automóveis.

Marca

3.º trimestre de 2025

3.º trimestre de 2026

Variação

Renault

360.282

349.901

-2,9%

Dacia

165.355

144.175

-12,8%

Alpine

2.351

3.723

+58,4%

Grupo Renault

529.298

497.799

-6,0%

No acumulado dos primeiros nove meses, a marca Renault cresceu 1,1%, para 1.178.946 unidades. A Dacia recuou 9,7%, para 471.007 veículos, enquanto a Alpine aumentou 65,6%, atingindo 12.269 matrículas


Elétricos crescem 84,7% na Europa e já representam um quarto das vendas

A eletrificação foi um dos principais destaques comerciais do trimestre.

As vendas de automóveis totalmente elétricos do Grupo Renault na Europa aumentaram 84,7% face ao mesmo período de 2025. A sua participação nas vendas de automóveis de passageiros passou para 25,8%, mais 12,2 pontos percentuais.


Quando se incluem os híbridos convencionais e os híbridos plug-in, a quota de veículos eletrificados atingiu 54,9%.


Estes indicadores referem-se aos automóveis de passageiros vendidos pelo grupo na Europa, não às vendas mundiais de todas as categorias de veículos. A contabilização dos eletrificados também exclui os híbridos ligeiros de 12 ou 48 volts.


Indicador na Europa

Resultado

Crescimento das vendas de elétricos no 3.º trimestre

+84,7%

Quota dos elétricos nas vendas de passageiros

25,8%

Aumento da quota dos elétricos

+12,2 pontos

Quota conjunta de elétricos, HEV e PHEV

54,9%

Crescimento dos elétricos nos primeiros 9 meses

+59,4%

Quota dos elétricos nos primeiros 9 meses

20,9%

A aceleração da procura de veículos elétricos obrigou o grupo a ajustar a sua oferta comercial e industrial, num mercado europeu em que a concorrência se intensificou.


A Renault beneficia de uma gama elétrica em expansão, enquanto a Dacia atravessa uma fase de renovação dos seus modelos e motorizações.


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Renault sobe ao segundo lugar na Europa

A marca Renault registou 1.178.946 veículos vendidos em todo o mundo nos primeiros nove meses, mais 1,1%.


Na Europa, as vendas da marca cresceram 3,1%, permitindo-lhe alcançar a segunda posição no mercado automóvel, de acordo com o âmbito estatístico utilizado pela ACEA.


A eletrificação teve um peso importante neste desempenho. Os automóveis elétricos da Renault aumentaram as vendas europeias em 75,2%, enquanto os modelos eletrificados representaram 68% das vendas de passageiros da marca no final de setembro.


Entre os modelos destacados está o Twingo E-Tech elétrico, que acumulou quase 26 mil unidades vendidas desde o lançamento. Segundo a fabricante, liderou o segmento A elétrico europeu no terceiro trimestre.


Os veículos comerciais ligeiros também contribuíram para o resultado. A Renault vendeu 192.367 unidades na Europa entre janeiro e setembro, um crescimento de 8,1%, acima dos 1,1% registados pelo mercado.


A marca ganhou 0,9 pontos percentuais de quota neste segmento, com destaque para os modelos Kangoo Van, Trafic Van e Master.


Fora da Europa, a Renault apresentou crescimentos na Índia (+36,7%), México (+17,1%), Colômbia (+8,4%), Brasil (+3,8%), Marrocos (+3,3%) e Turquia (+11,6%).


Grupo Renault aumenta receitas em 2026, mas vendas caem 6% no terceiro trimestre e Dacia perde terreno

Dacia enfrenta concorrência chinesa e renovação da gama

A quebra das vendas da Dacia constitui um dos principais pontos de pressão sobre os resultados comerciais do grupo.


Nos primeiros nove meses, a marca perdeu 9,7% das vendas mundiais, passando de 521.340 para 471.007 unidades.


A fabricante atribui parte da redução à transição entre gerações de produtos e motorizações, num período em que a procura europeia por veículos eletrificados aumentou.

O grupo reconhece igualmente uma concorrência crescente por parte das marcas chinesas, particularmente no segmento C, onde o Dacia Bigster disputa mercado.


Apesar da quebra global, a Dacia manteve uma presença significativa no canal de vendas a particulares. No terceiro trimestre, este canal representou 74,9% das suas vendas europeias.

O Sandero continuou a ser, segundo o grupo, o automóvel de passageiros mais vendido a clientes particulares na Europa.


Na composição das motorizações da Dacia, os híbridos convencionais representaram 24,6% das vendas, enquanto os modelos a GPL corresponderam a 39,2%. As versões híbridas com tração integral representaram 15% das vendas conjuntas do Duster e do Bigster.


Para o último trimestre de 2026, a marca conta com o início das entregas do Sandero Hybrid, do novo Spring e do Striker.


O desempenho destes lançamentos será particularmente importante para avaliar se a Dacia consegue recuperar parte do volume perdido durante o ano.


Grupo Renault aumenta receitas em 2026, mas vendas caem 6% no terceiro trimestre e Dacia perde terreno

Alpine cresce 65,6% com o A290 elétrico

A Alpine apresentou o crescimento mais expressivo entre as marcas do grupo.

Entre janeiro e setembro, registou 12.269 matrículas mundiais, um aumento de 65,6% face ao mesmo período de 2025. O volume acumulado já ultrapassou o total comercializado durante todo o ano anterior.


O principal responsável foi o Alpine A290, com 8.618 matrículas e mais de 10 mil encomendas na Europa até ao final de setembro.


O A390 também começou a contribuir para os resultados, aproximando-se das 1.800 matrículas acumuladas desde o início do ano.


O crescimento da Alpine foi particularmente acentuado no Reino Unido (+193,5%), Espanha (+91,1%), Alemanha (+62,6%) e França (+44,7%).

Pela primeira vez neste período, as vendas fora de França representaram 54,7% do total da marca, demonstrando uma maior distribuição geográfica da sua atividade.


A expansão é relevante para a estratégia da Alpine, embora os volumes continuem reduzidos quando comparados com os da Renault e da Dacia.


Parceria com a Geely no Brasil contribui para as receitas

Entre os fatores que sustentaram as receitas automóveis do terceiro trimestre, o Grupo Renault destacou o desempenho das vendas a parceiros, com um contributo positivo de 4,9 pontos percentuais para a variação da faturação do setor.


Um dos elementos referidos foi a parceria industrial e comercial com a Geely no Brasil, incluindo o alargamento da distribuição dos veículos da marca chinesa e o início da produção em setembro.


O grupo destacou igualmente a integração da Renault Nissan Automotive India Private Limited no perímetro de consolidação, que acrescentou 165 milhões de euros às receitas do terceiro trimestre, em comparação com o período homólogo.


A composição dos produtos comercializados teve um efeito positivo de 2,3 pontos percentuais. Entre os fatores apontados estão a transição do Clio V para o Clio VI, os veículos comerciais Master e Trafic e o crescimento das versões elétricas.


O efeito dos preços acrescentou 1,1 pontos percentuais, embora o grupo reconheça pressão comercial sobre os preços na Europa.


Em contrapartida, a redução dos volumes representou um efeito negativo de 5,9 pontos percentuais nas receitas automóveis.


Estes dados ajudam a explicar como a faturação se manteve praticamente estável apesar da quebra de 6% nas matrículas trimestrais.


França continua a ser o maior mercado do grupo

O mercado francês manteve a primeira posição nas vendas mundiais do Grupo Renault, com 390.505 veículos comercializados nos primeiros nove meses de 2026.

Seguem-se Itália, Espanha e Alemanha.


O Brasil ocupou a sétima posição, com 96.436 unidades e uma quota de mercado de 4,5%, segundo os dados apresentados pelo grupo.


Os 15 maiores mercados do Grupo Renault em 2026

Posição

Mercado

Veículos vendidos

Quota de mercado

1

França

390.505

26,3%

2

Itália

140.473

10,0%

3

Espanha

118.131

11,1%

4

Alemanha

116.848

4,8%

5

Turquia

113.164

14,1%

6

Reino Unido

98.965

4,9%

7

Brasil

96.436

4,5%

8

Marrocos

68.022

36,1%

9

Bélgica e Luxemburgo

47.072

11,3%

10

Polónia

42.903

8,1%

11

Índia

35.379

0,8%

12

Argentina

29.592

7,2%

13

Coreia do Sul

27.204

2,2%

14

Roménia

27.175

24,9%

15

México

27.074

2,3%


A distribuição geográfica mostra a importância do mercado europeu para o grupo, mas também o peso crescente das operações internacionais, especialmente na América Latina, Norte de África e Ásia.


Portugal não integra a lista dos 15 maiores mercados divulgada neste relatório.


Grupo mantém previsões financeiras para 2026

Apesar da redução das vendas no terceiro trimestre, o Grupo Renault manteve as suas orientações financeiras para o conjunto do exercício.


A empresa continua a prever uma margem operacional de aproximadamente 5,5% das receitas e um fluxo de caixa livre da atividade automóvel próximo de mil milhões de euros.


Indicador

Previsão para 2026

Margem operacional do Grupo

Cerca de 5,5%

Fluxo de caixa livre do setor automóvel

Cerca de 1.000 M€

A administração espera uma ligeira melhoria da margem operacional no segundo semestre face ao primeiro. Contudo, admite que a recuperação sazonal deverá ser menos expressiva do que em anos anteriores, devido ao aumento dos custos das matérias-primas e à inflação.


O grupo terminou setembro com 532 mil veículos novos em stock, dos quais 312 mil se encontravam em concessionários independentes e 220 mil nas estruturas do próprio grupo.

A carteira de encomendas europeia correspondia a aproximadamente dois meses de vendas futuras.


O diretor financeiro, Duncan Minto, destacou a capacidade de adaptação à mudança da procura europeia, especialmente na transição entre veículos híbridos e elétricos, como um dos fatores que sustentam as previsões para o final do ano.


Último trimestre será decisivo para recuperar volumes

Os resultados até setembro mostram um Grupo Renault com receitas em crescimento, mas sujeito a pressões comerciais distintas entre as suas marcas.


A Renault conseguiu aumentar as vendas acumuladas, apoiada na eletrificação e nos comerciais ligeiros. A Alpine beneficia da expansão da gama elétrica, enquanto a Dacia enfrenta uma redução significativa dos volumes e maior concorrência nos segmentos de preço mais acessível.


O crescimento das receitas financeiras e a alteração da composição das vendas permitiram compensar parte do impacto negativo das matrículas no terceiro trimestre.


Para os últimos três meses de 2026, o grupo aposta nos novos Mégane E-Tech elétrico e Trafic Van E-Tech elétrico, na renovação da gama Dacia e na continuidade da expansão internacional da Renault.


O principal desafio será transformar o crescimento da eletrificação e os novos lançamentos numa recuperação efetiva das vendas, sem comprometer a margem operacional prevista de 5,5%. A evolução da Dacia e o desempenho comercial dos modelos elétricos serão determinantes para o balanço final do exercício.


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