Leclerc domina sexta-feira da F1 no México e Pirelli antecipa corrida marcada pelo desgaste dos pneus

Charles Leclerc foi o mais rápido nas duas sessões de treinos livres do Grande Prémio da Cidade do México, colocando a Ferrari na frente de uma classificação extremamente equilibrada. Apenas 106 milésimos de segundo separaram os três primeiros classificados na segunda sessão, enquanto os dados recolhidos pela Pirelli apontam para uma degradação significativa dos pneus médios e macios, que poderá condicionar as estratégias de corrida.
Charles Leclerc terminou a primeira jornada de treinos livres do Grande Prémio da Cidade do México como a principal referência no Autódromo Hermanos Rodríguez. O piloto da Ferrari liderou as duas sessões de sexta-feira, demonstrando competitividade tanto com os pneus médios como com os macios.
Na segunda sessão (TL2), o monegasco estabeleceu a melhor volta em 1m17,827s, superando Lando Norris, da McLaren, por 103 milésimos de segundo. George Russell, da Mercedes, ficou a apenas três milésimos do britânico, terminando em terceiro.
A proximidade dos tempos sugere uma disputa apertada pela pole position, embora os resultados dos treinos livres não permitam estabelecer uma hierarquia definitiva, sobretudo devido às diferenças nas cargas de combustível e nos programas de trabalho das equipas.
Ferrari na frente, mas McLaren e Mercedes muito próximas
Os três pilotos mais rápidos da segunda sessão seguiram programas semelhantes, começando com pneus médios C4 antes de passarem para os macios C5, utilizados nas simulações de qualificação.
Leclerc conseguiu estabelecer a melhor marca com os C5 e também foi o mais rápido entre os pilotos que utilizaram o composto médio.
Nas simulações de corrida, contudo, as opções foram diferentes. Norris e Russell realizaram sequências de voltas com os pneus macios, enquanto Leclerc regressou aos médios, utilizando um conjunto já usado depois de concluir o trabalho com os C5.
Estas diferenças poderão revelar-se importantes na análise dos dados recolhidos pelas equipas, particularmente na comparação entre o ritmo de corrida e a degradação de cada composto.
Os três mais rápidos nos treinos livres 2
Posição | Piloto | Equipa | Melhor volta | Diferença |
1.º | Charles Leclerc | Ferrari | 1m17,827s | — |
2.º | Lando Norris | McLaren | 1m17,930s | +0,103s |
3.º | George Russell | Mercedes | 1m17,933s | +0,106s |
Os três tempos foram estabelecidos com pneus macios C5.
Pneus médios e macios concentraram a maior parte do trabalho
A segunda sessão ficou marcada pela utilização predominante dos compostos C4 e C5. Apenas quatro pilotos recorreram também aos pneus duros C3.
Lando Norris foi quem completou mais voltas com os macios, acumulando 25 passagens pelo circuito com este composto.
Kimi Antonelli registou o maior número de voltas com os médios, num total de 24, enquanto Oscar Piastri foi quem mais utilizou os duros, com 11 voltas.
A distribuição dos programas de trabalho demonstra a atenção das equipas ao comportamento dos pneus mais macios, particularmente relevantes para a qualificação, mas também considerados para possíveis estratégias de corrida.
O circuito mexicano apresenta características específicas que influenciam o funcionamento dos pneus. A elevada altitude reduz a densidade do ar e, consequentemente, a carga aerodinâmica disponível, mesmo com configurações de elevada incidência das asas.
Esta condição pode dificultar a obtenção de aderência nas curvas, aumentando a importância da evolução da pista e da gestão das temperaturas dos pneus.
Leclerc também liderou TL1, com Frederik Vesti em destaque
Na primeira sessão de treinos livres, várias equipas aproveitaram a oportunidade para colocar jovens pilotos ao volante dos monolugares habitualmente utilizados pelos titulares.
Leclerc voltou a ser o mais rápido, com uma volta em 1m18,128s, seguido por Kimi Antonelli, que registou 1m18,787s.
O terceiro melhor tempo pertenceu a Frederik Vesti. O piloto de reserva da Mercedes completou uma volta em 1m18,861s, destacando-se entre os jovens pilotos que participaram na sessão.

Os três mais rápidos nos treinos livres 1
Posição | Piloto | Equipa | Melhor volta |
1.º | Charles Leclerc | Ferrari | 1m18,128s |
2.º | Kimi Antonelli | Mercedes | 1m18,787s |
3.º | Frederik Vesti | Mercedes | 1m18,861s |
Na fase inicial da sessão, a maioria das equipas privilegiou os pneus duros C3, antes de passar para os compostos médios e macios.
Esta escolha permitiu aos pilotos adaptarem-se às condições do circuito e contribuiu para a limpeza progressiva do asfalto, que apresentava inicialmente níveis reduzidos de aderência.
Pirelli identifica diferença de oito décimos entre médios e macios
A evolução das condições da pista foi um dos principais aspetos destacados pela Pirelli após as duas sessões.
Segundo Simone Berra, engenheiro-chefe da fabricante italiana, o estado do asfalto revelou-se melhor do que o inicialmente previsto, beneficiando também da circulação dos automóveis das categorias de apoio.
A melhoria da aderência permitiu tempos competitivos e uma diferença de desempenho estimada em cerca de oito décimos de segundo entre os compostos médio C4 e macio C5.
Este intervalo torna o pneu macio particularmente importante para a qualificação, sobretudo num circuito onde pequenas diferenças de aderência podem ter consequências significativas no tempo por volta.
A Pirelli observou igualmente que os efeitos da perda de carga aerodinâmica provocada pela altitude parecem ser menos pronunciados nos atuais monolugares do que o esperado, uma possível explicação para os tempos registados.
Durante a segunda sessão, a temperatura ambiente rondou os 26 °C, enquanto a temperatura do asfalto desceu para aproximadamente 34 °C. As condições tinham sido ligeiramente mais quentes durante TL1.
Degradação elevada deixa em aberto estratégias de uma ou duas paragens
Apesar do bom desempenho dos compostos mais macios numa volta rápida, os dados das simulações de corrida revelaram um cenário mais exigente.
A Pirelli identificou níveis significativos de degradação tanto nos pneus médios como nos macios, circunstância que poderá influenciar diretamente a escolha das estratégias para o Grande Prémio.
De acordo com Simone Berra, os dados recolhidos admitem dois cenários principais: uma estratégia de apenas uma paragem, dependente de uma gestão cuidadosa dos pneus, ou uma abordagem com duas paragens, permitindo utilizar os compostos durante períodos mais curtos.
A decisão dependerá da evolução do asfalto, das temperaturas e do comportamento dos pneus nas próximas sessões. Outro fenómeno observado foi o aparecimento de graining localizado no pneu dianteiro esquerdo.
Este desgaste superficial irregular ocorre quando a borracha sofre deformações e deslizamentos que provocam a formação de pequenos fragmentos aderentes à superfície do pneu, reduzindo temporariamente a área de contacto efetiva e a aderência disponível.
A Pirelli verificou, contudo, uma melhoria deste comportamento entre as duas sessões. Se a pista continuar a ganhar aderência, o fenómeno poderá tornar-se menos pronunciado ao longo do fim de semana.
Compostos disponíveis no Grande Prémio do México
Composto | Designação Pirelli | Identificação | Utilização observada |
C3 | Duro | Branco | Mais utilizado no início de TL1 |
C4 | Médio | Amarelo | Simulações de corrida e avaliação de ritmo |
C5 | Macio | Vermelho | Simulações de qualificação e sequências de corrida |
A combinação escolhida para o fim de semana coloca à disposição das equipas três compostos consecutivos da gama Pirelli, permitindo diferentes abordagens à qualificação e à corrida.
A diferença de desempenho entre C4 e C5 favorece os macios numa volta rápida, mas o desgaste observado durante as simulações poderá limitar a sua utilização em períodos prolongados.
Qualificação promete diferenças reduzidas
A sexta-feira terminou com a Ferrari no topo das tabelas de tempos, mas sem uma vantagem expressiva sobre os principais adversários.
Os 106 milésimos de segundo que separaram Leclerc de Russell em TL2 mostram como pequenas alterações na preparação dos pneus, na evolução da pista ou no equilíbrio dos monolugares poderão modificar a classificação.
Para a corrida, o principal ponto de interrogação está na capacidade das equipas para controlar a degradação dos compostos mais macios.
O comportamento do pneu dianteiro esquerdo e a evolução da aderência serão determinantes para perceber se uma única paragem será suficientemente competitiva ou se a estratégia de duas passagens pelas boxes poderá oferecer vantagens.
Leclerc fechou a sexta-feira como o piloto mais rápido no México. A proximidade entre Ferrari, McLaren e Mercedes, aliada às dúvidas sobre a durabilidade dos pneus, deixa a qualificação e a corrida com vários cenários em aberto.
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