Mercado automóvel português cresce 9,9% em 2026, mas outubro revela sinais de desaceleração e uma forte subida dos elétricos

O mercado automóvel português acumulou 241.293 matrículas nos primeiros dez meses de 2026, um crescimento de 9,9% face ao período homólogo. No entanto, outubro terminou com uma subida mais moderada de 2,4%, condicionada pela quebra de 46,6% nos veículos pesados. Nos ligeiros de passageiros, os automóveis 100% elétricos atingiram uma quota de 44,9% das novas matrículas do mês, um valor muito superior à média acumulada do ano e que evidencia uma alteração significativa na composição do mercado.
O mercado automóvel em Portugal manteve uma evolução positiva em outubro de 2026, embora com um crescimento inferior ao registado no conjunto dos primeiros dez meses do ano.
Segundo os dados divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), foram matriculados 20.367 veículos novos durante outubro, mais 2,4% do que no mesmo mês de 2025.
Entre janeiro e outubro, o mercado acumulou 241.293 matrículas, correspondentes a um aumento homólogo de 9,9%.
A diferença entre a evolução mensal e a acumulada mostra que outubro apresentou um ritmo de crescimento mais moderado do que o observado no conjunto do ano. Contudo, os resultados variaram significativamente entre segmentos, com os ligeiros de mercadorias a registarem a maior subida mensal e os veículos pesados a apresentarem uma quebra acentuada.
A eletrificação continua a ser uma das principais transformações do mercado português. Em outubro, os automóveis totalmente elétricos representaram praticamente 45% das matrículas de ligeiros de passageiros novos.
Outubro termina com 20.367 matrículas e crescimento de 2,4%
Os números da ACAP mostram que o mercado português não evoluiu de forma uniforme durante outubro.
Os automóveis ligeiros de passageiros cresceram 2,8%, enquanto os ligeiros de mercadorias avançaram 20,4%. Em sentido contrário, o segmento dos veículos pesados recuou 46,6%.
Esta diferença explica por que razão o crescimento global ficou limitado a 2,4%, apesar de o conjunto dos veículos ligeiros ter aumentado 5,3%.
Matrículas em Portugal — outubro de 2026
Segmento | Matrículas | Variação homóloga |
Ligeiros de passageiros | 16.595 | +2,8% |
Ligeiros de mercadorias | 3.182 | +20,4% |
Total de ligeiros | 19.777 | +5,3% |
Veículos pesados | 590 | -46,6% |
Mercado total | 20.367 | +2,4% |
Fonte: ACAP, dados de matrículas de outubro de 2026.
Os ligeiros de passageiros representaram aproximadamente 81,5% de todas as matrículas do mês, mantendo-se como o principal segmento do mercado.
Os comerciais ligeiros corresponderam a cerca de 15,6%, enquanto os pesados tiveram um peso inferior a 3%.
A forte redução das matrículas de pesados teve, por isso, um impacto significativo na evolução global, embora este segmento represente uma parcela relativamente pequena do mercado.
Mercado acumula mais de 241 mil veículos novos em dez meses
A análise dos resultados acumulados apresenta um cenário mais favorável.
Entre janeiro e outubro de 2026, Portugal registou 241.293 matrículas de veículos novos, mais 9,9% do que no período correspondente de 2025.
Os ligeiros de passageiros totalizaram 205.507 unidades, com um crescimento de 9,5%.
Nos ligeiros de mercadorias, foram matriculados 28.315 veículos, mais 10,4%.
Os pesados, apesar da quebra registada em outubro, mantiveram um crescimento acumulado de 19,6%, com 7.471 matrículas.
Mercado automóvel — janeiro a outubro de 2026
Segmento | Matrículas acumuladas | Variação face a 2025 |
Ligeiros de passageiros | 205.507 | +9,5% |
Ligeiros de mercadorias | 28.315 | +10,4% |
Total de ligeiros | 233.822 | +9,6% |
Veículos pesados | 7.471 | +19,6% |
Mercado total | 241.293 | +9,9% |
Fonte: ACAP, janeiro a outubro de 2026.
O mercado português apresenta, assim, um crescimento acumulado próximo dos 10%, sustentado pela evolução positiva de todos os segmentos.
Contudo, a diferença entre o crescimento de outubro e o acumulado dos dez meses recomenda alguma prudência na interpretação dos resultados.
Os dados de um único mês não permitem concluir que o mercado entrou numa trajetória de contração. Demonstram, no entanto, que o ritmo de expansão em outubro foi inferior ao observado no conjunto do ano.
Elétricos atingem 44,9% das matrículas de ligeiros de passageiros em outubro
A evolução mais relevante dos dados divulgados pela ACAP está relacionada com a composição energética das novas matrículas.
Em outubro, os automóveis 100% elétricos, identificados pela sigla BEV, representaram 44,9% do mercado de ligeiros de passageiros novos.
Aplicando esta percentagem às 16.595 matrículas do segmento, obtém-se uma estimativa de aproximadamente 7.451 automóveis elétricos matriculados durante o mês.
A representatividade dos elétricos em outubro foi significativamente superior à média dos primeiros dez meses do ano, situada nos 30,3%.
A diferença de 14,6 pontos percentuais mostra que o peso dos elétricos nas matrículas de outubro foi particularmente elevado e vem crescendo de forma sustentada.
Energias alternativas representam 77,5% do mercado acumulado
Entre janeiro e outubro de 2026, os veículos classificados pela ACAP como movidos a energias alternativas representaram 77,5% das matrículas de ligeiros de passageiros novos.
Os automóveis exclusivamente a gasolina corresponderam a 19,1%, enquanto os veículos a gasóleo representaram apenas 3,4%.
A distribuição apresentada pela associação evidencia o peso crescente das diferentes soluções de eletrificação.
Quota por tipo de energia — janeiro a outubro de 2026
Tipo de energia | Quota de mercado |
Elétricos a bateria (BEV) | 30,3% |
Híbridos convencionais (HEV) | 25,4% |
Híbridos plug-in (PHEV) | 15,1% |
Outras energias alternativas | 6,8% |
Gasolina | 19,1% |
Gasóleo | 3,4% |
Total | 100% |
Fonte: ACAP. As percentagens correspondem ao mercado acumulado de ligeiros de passageiros novos.
Os automóveis elétricos a bateria constituíram a categoria individual com maior quota de mercado, seguidos pelos híbridos convencionais.
Os híbridos plug-in representaram 15,1% das matrículas, enquanto os veículos exclusivamente a gasolina ficaram nos 19,1%.
Somando BEV, HEV e PHEV, estas três categorias representaram 70,8% das matrículas acumuladas.
É importante distinguir as diferentes tecnologias: os híbridos convencionais não permitem, carregamento externo e continuam a utilizar combustível; os híbridos plug-in combinam um motor de combustão com uma bateria recarregável externamente; os BEV funcionam exclusivamente com energia elétrica armazenada na bateria.
Gasóleo reduzido a 3,4% das matrículas de passageiros
A distribuição energética confirma também a reduzida presença dos automóveis ligeiros de passageiros exclusivamente a gasóleo nas novas matrículas.
Com uma quota de 3,4% nos primeiros dez meses de 2026, o gasóleo encontra-se bastante abaixo dos veículos a gasolina, dos híbridos e dos elétricos, vendo sua presença no lineup dos novos modelos sendo reduzida cada vez mais.
A gasolina, com 19,1%, ainda mantém uma presença relevante, mas inferior à dos BEV e dos HEV considerados individualmente.
Comerciais ligeiros crescem 20,4%, enquanto os pesados recuam 46,6%
Nos segmentos destinados predominantemente à atividade profissional, outubro apresentou resultados bastante diferentes.
Os ligeiros de mercadorias registaram 3.182 matrículas, correspondentes a um crescimento homólogo de 20,4%.
Foi a maior subida percentual entre os principais segmentos analisados pela ACAP durante o mês.
No acumulado de janeiro a outubro, o segmento totalizou 28.315 unidades, mais 10,4% do que no período homólogo.
Já os veículos pesados registaram uma evolução oposta.
Em outubro foram matriculadas apenas 590 unidades, menos 46,6% do que no mesmo mês de 2025.
Apesar desta quebra mensal, o resultado acumulado manteve-se positivo, com 7.471 matrículas e uma subida de 19,6%.
A diferença entre os resultados mensais e acumulados sugere uma evolução irregular neste segmento, mas os dados disponibilizados não permitem identificar as causas da redução registada em outubro.
Fatores como a atividade comercial e ciclos de renovação de frotas podem influenciar o mercado de pesados, mas não devem ser apontados como explicação para este resultado sem informação adicional.
Portugal aproxima-se do final de 2026 com um mercado automóvel em crescimento, mas com sinais de evolução desigual entre segmentos. A subida acumulada de 9,9% contrasta com o crescimento mais moderado de outubro, enquanto a quota de 44,9% dos elétricos no último mês coloca a eletrificação no centro da transformação do mercado de automóveis novos.
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