
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 4 horas



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
6 de abr.










Grupo vende quase 500 mil veículos no primeiro trimestre, com forte subida dos elétricos e procura elevada por novos modelos a impulsionar produção
O Mercedes-Benz iniciou 2026 com um desempenho marcado por contrastes regionais, mas com sinais claros de crescimento nos mercados-chave e na eletrificação. No primeiro trimestre, o grupo entregou 499.700 automóveis e veículos comerciais ligeiros, com destaque para o aumento de 11% nas vendas de veículos elétricos a bateria (BEV) e para a forte procura pelos modelos mais recentes, que já está a pressionar a capacidade produtiva.
Apesar de uma queda global de 6% nas vendas de automóveis Mercedes-Benz, o desempenho fora da China revela uma trajetória positiva, com crescimento de 5%. A Europa destacou-se com um aumento de 7%, enquanto os Estados Unidos registaram uma subida expressiva de 20%, confirmando-se como um dos principais motores de crescimento da marca.
Na Alemanha, o crescimento foi ainda mais acentuado (+9%), refletindo uma procura robusta, especialmente nos modelos eletrificados. Em contraste, o mercado chinês apresentou uma quebra significativa (-27%), influenciada por mudanças no ciclo de produto e por um contexto económico mais desafiante.
A ofensiva elétrica da Mercedes-Benz continua a ganhar tração, com os BEV a registarem um crescimento global de 9% na divisão de automóveis e desempenhos particularmente fortes na Europa (+34%) e na Alemanha (+36%).
O novo CLA elétrico surge como peça central desta evolução, com níveis de procura que ultrapassam a capacidade de produção, obrigando fábricas como Rastatt a operar em três turnos. Também o novo GLC elétrico apresenta uma procura recorde, tornando-se o modelo elétrico com mais encomendas na história da marca nos primeiros meses após lançamento.
A estratégia passa por reforçar a gama elétrica ao longo do ano, incluindo a chegada iminente do novo Classe C elétrico, num esforço para aumentar significativamente a quota de veículos eletrificados no portefólio.

O segmento Top-End — que inclui modelos como Classe S, EQS e gama Mercedes-Maybach — manteve uma quota de 15% nas vendas totais, apesar de uma ligeira quebra de 5% associada a transições de produto.
Ainda assim, a procura por modelos de elevado valor continua sólida, especialmente nos EUA, onde as vendas da Mercedes-Maybach cresceram 34% e a divisão Mercedes-AMG registou também evolução positiva.
A renovação da gama, com destaque para o novo Classe S e os recentes lançamentos de SUV como GLE e GLS, deverá contribuir para reforçar este segmento ao longo de 2026.
A divisão de comerciais ligeiros registou vendas de 80.300 unidades no trimestre, com uma ligeira queda global de 3%. Ainda assim, o desempenho foi sustentado por um crescimento expressivo no “Resto do Mundo” (+35%) e por uma evolução positiva nas encomendas (+2%).
Os veículos comerciais elétricos destacaram-se com um crescimento de 29%, elevando a sua quota para 8% a nível global e 10% na Europa.
Entre os segmentos, as vans de grande dimensão cresceram 4%, enquanto as de média dimensão registaram uma quebra significativa (-14%), refletindo uma menor procura, particularmente na China.

O início de 2026 fica também marcado por uma forte ofensiva de produto, com estreias relevantes como o novo Classe S, o VLE e atualizações nos SUV GLE e GLS. A procura elevada por estes modelos está já a traduzir-se em carteiras de encomendas preenchidas para vários meses.
Este contexto, aliado ao crescimento dos elétricos e à recuperação em mercados estratégicos, deverá suportar o aumento de produção ao longo do ano, num cenário ainda condicionado por fatores geopolíticos e incertezas económicas globais.
Os resultados do primeiro trimestre evidenciam uma Mercedes-Benz em fase de transição, onde a eletrificação e a renovação da gama assumem um papel central.
O crescimento fora da China, a forte procura por novos modelos e o avanço consistente dos elétricos indicam uma estratégia alinhada com as tendências do mercado. No entanto, a volatilidade regional e os desafios macroeconómicos continuam a influenciar o desempenho global, num ano que será determinante para consolidar esta nova fase da marca.
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