Novo smart #2 chega a Portugal por 19.990 euros: o regresso do citadino de dois lugares com 290 km de autonomia

A smart recupera o conceito que esteve na origem da marca e apresenta um novo elétrico de dois lugares, com apenas 2,75 metros de comprimento, tração traseira e um preço inicial de 19.990 euros em Portugal. Revelado no Salão Automóvel de Paris de 2026, o smart #2 terá uma bateria LFP de 35,8 kWh, motor de 82 cv e autonomia anunciada de até 290 quilómetros. As pré-encomendas começam já a 13 de outubro, embora as primeiras entregas estejam previstas apenas para 2027. Depois de uma fase marcada pelo crescimento das dimensões e pelo posicionamento dos seus modelos em segmentos superiores, a marca regressa ao automóvel ultracompacto que definiu a sua identidade.
A smart apresentou mundialmente o novo #2 no Salão Automóvel de Paris de 2026, assinalando o regresso ao segmento dos pequenos automóveis urbanos de dois lugares. O modelo recupera a configuração que tornou o fortwo um dos citadinos mais reconhecíveis das últimas décadas, agora com uma plataforma exclusivamente elétrica, novas soluções de suspensão e equipamentos de assistência à condução.
A estreia é acompanhada por uma decisão comercial importante para o mercado português: as pré-encomendas vinculativas começam a 13 de outubro, com preços anunciados a partir de 19.990 euros. A gama terá quatro versões, incluindo uma edição limitada a 999 unidades para toda a Europa.
O novo #2 representa uma mudança de orientação na oferta da smart. Depois do lançamento dos #1, #3 e #5, modelos substancialmente maiores do que os primeiros automóveis da marca, o fabricante regressa a uma proposta centrada na mobilidade urbana, na facilidade de estacionamento e na utilização eficiente do espaço.
A diferença está na tecnologia. O novo citadino foi desenvolvido sobre uma arquitetura específica, utiliza uma bateria de fosfato de ferro-lítio e apresenta um conjunto de equipamentos que procura aproximar a experiência de utilização daquela oferecida por automóveis de segmentos superiores.
Apenas 2,75 metros: a dimensão que tornou a smart diferente
Com 2.746 mm de comprimento, o smart #2 mantém uma das características mais importantes do fortwo original: a possibilidade de circular e estacionar em espaços onde muitos automóveis convencionais encontram dificuldades.
A arquitetura coloca as rodas próximas dos extremos da carroçaria, procurando maximizar o comprimento disponível para o habitáculo sem aumentar as dimensões exteriores. O diâmetro de viragem anunciado é de apenas 6,95 metros, medido entre passeios. Trata-se de um valor particularmente reduzido, que poderá representar uma vantagem em manobras de inversão de marcha, estacionamento e circulação em ruas estreitas.
A carroçaria recupera também elementos característicos das gerações anteriores, incluindo a combinação de duas cores e a tampa da bagageira com abertura bipartida, conhecida como Split Tailgate. Esta última solução permite dividir a abertura traseira em duas secções, mantendo uma característica funcional que ajudou a distinguir o fortwo de outros pequenos automóveis urbanos.
O modelo continua limitado a dois ocupantes, uma escolha que condiciona naturalmente a versatilidade familiar, mas permite privilegiar a compacidade e o espaço disponível para os passageiros.
Motor traseiro de 82 cv e bateria LFP de 35,8 kWh
O smart #2 estreia a plataforma Electric Compact Architecture (ECA), desenvolvida especificamente para este automóvel. A propulsão é assegurada por um motor elétrico instalado na traseira, com 60 kW de potência, equivalentes a aproximadamente 82 cv, e um binário máximo de 130 Nm.
Tal como acontecia com os primeiros smart, a transmissão da potência é feita às rodas traseiras, preservando uma configuração mecânica pouco comum entre os pequenos automóveis urbanos contemporâneos. A marca optou também por pneus traseiros mais largos do que os dianteiros, procurando adaptar a área de contacto com a estrada às características da tração e à distribuição de massas.
A bateria apresenta uma capacidade anunciada de 35,8 kWh e utiliza química LFP, ou fosfato de ferro-lítio. Esta tecnologia é frequentemente escolhida para automóveis elétricos de utilização quotidiana devido à sua estabilidade térmica e à possibilidade de reduzir a dependência de matérias-primas como o níquel e o cobalto. A autonomia combinada anunciada é de até 290 quilómetros, segundo o ciclo WLTP, com um consumo energético previsto de 13,6 kWh/100 km.
Estes valores são ainda preliminares, uma vez que o veículo se encontra em processo de homologação na União Europeia.
Carregamento de 10% a 80% em 20 minutos
O novo smart #2 suporta carregamento rápido em corrente contínua até 65 kW.
Segundo os dados divulgados pela fabricante, a bateria poderá passar de 10% a 80% de carga em aproximadamente 20 minutos, em condições ideais. Para um automóvel destinado principalmente a deslocações urbanas e suburbanas, esta capacidade poderá facilitar viagens ocasionais mais longas, desde que exista acesso a infraestrutura de carregamento adequada.
O smart #2 Pure utiliza um carregador de bordo monofásico de 7,4 kW, enquanto as restantes versões permitem carregamento trifásico até 11 kW. De acordo com a marca, o carregamento de 10% a 80% poderá demorar cerca de cinco horas na versão Pure e aproximadamente três horas nas versões equipadas com carregador de 11 kW, em condições ideais.
Esta diferença merece atenção no momento da compra, sobretudo para quem pretende utilizar postos públicos AC ou dispõe de uma instalação doméstica trifásica.
O modelo inclui ainda a funcionalidade Vehicle-to-Load (V2L), que permite utilizar a energia da bateria para alimentar dispositivos elétricos externos compatíveis. A utilização exige um adaptador vendido separadamente e está condicionada à compatibilidade com tomadas do tipo F e às normas aplicáveis em cada mercado.

Suspensão traseira multi-link: uma solução pouco habitual num citadino
Uma das particularidades técnicas mais interessantes do novo smart #2 é a utilização de uma suspensão traseira independente do tipo multi-link. Esta arquitetura recorre a vários braços de ligação para controlar o movimento das rodas, permitindo trabalhar com maior liberdade parâmetros como a geometria da suspensão, a variação de convergência e o comportamento da roda perante irregularidades.
Em teoria, esta solução pode contribuir para melhorar o compromisso entre conforto, estabilidade e precisão de condução. A sua aplicação num automóvel com apenas 2,75 metros de comprimento é particularmente relevante, tendo em conta as limitações de espaço e o custo normalmente associado a este tipo de construção.
A smart apresenta a solução como uma estreia no segmento, embora ainda não tenha divulgado detalhes sobre a configuração dos braços, o curso da suspensão ou os elementos de amortecimento. A bateria instalada na zona inferior da carroçaria contribui para baixar o centro de gravidade, enquanto a combinação de tração traseira, pneus de diferentes larguras e direção direta procura proporcionar um comportamento adaptado tanto à cidade como a estradas mais rápidas.
Tridion Cell Evo e sistemas de segurança de série
A segurança assume particular importância num automóvel de dimensões tão reduzidas.
O smart #2 utiliza a nova estrutura Tridion Cell Evo, uma evolução da célula de segurança que acompanha a identidade técnica da marca desde os seus primeiros modelos. O princípio consiste em criar uma estrutura resistente em torno do habitáculo, procurando assegurar a proteção dos ocupantes dentro das limitações impostas por uma carroçaria ultracompacta.
Contudo, a presença de uma célula estrutural reforçada não permite, por si só, antecipar os resultados de segurança passiva. A proteção em colisões depende também das zonas de deformação, dos sistemas de retenção e da interação com veículos de diferentes dimensões e massas.
Nos equipamentos de segurança ativa, a smart anuncia de série o smart Pilot Assist e o Cruise Control Adaptativo com função Stop & Go e Highway Assist.
O conjunto de sistemas avançados de assistência à condução inclui ainda deteção de veículos no ângulo morto, mitigação de colisões traseiras e alerta de tráfego cruzado traseiro. Os faróis LED dianteiros e traseiros, com comutação automática dos máximos, também fazem parte da dotação anunciada.
Interior com dois ecrãs e conectividade durante oito anos
O habitáculo do smart #2 apresenta uma organização centrada na utilização quotidiana.
O painel de instrumentos utiliza um ecrã de 8,8 polegadas, acompanhado por um ecrã central de 10,1 polegadas para as funções de informação e entretenimento. A conectividade inclui 4G, Wi-Fi e Bluetooth, com um pacote de serviços conectados anunciado para oito anos.
A marca introduziu também o denominado smart Pillar, um elemento integrado no painel de bordo que permite instalar pequenos acessórios e mantê-los acessíveis durante a utilização do automóvel. Os bancos apresentam uma configuração contínua, procurando criar uma sensação de maior largura interior. A disposição em forma de S do posto de condução e a organização dos comandos foram desenvolvidas para aproveitar o espaço disponível sem recorrer a uma consola central volumosa.
Apesar das dimensões exteriores reduzidas, o equipamento poderá incluir elementos como teto panorâmico fixo, bancos aquecidos, sistema de som Sennheiser e carregamento sem fios para smartphones, dependendo da versão escolhida.
Preços em Portugal: quatro versões entre 19.990 e 25.690 euros
A smart confirmou os preços de entrada para o mercado português, com uma gama composta por quatro versões.
Os valores anunciados não incluem despesas de entrega e matrícula. Poderão aplicar-se condições comerciais específicas.
A versão Pure constitui a entrada na gama e inclui o motor elétrico de 82 cv, bateria de 35,8 kWh, carregamento rápido DC de 65 kW, carregador AC de 7,4 kW e os principais sistemas de assistência à condução.
Por mais 1.000 euros, o Pure+ acrescenta o carregador de bordo de 11 kW e o banco do condutor aquecido.
Esta diferença de preço poderá tornar o Pure+ particularmente interessante para utilizadores que recorram regularmente a carregamento em corrente alternada, uma vez que oferece maior capacidade de aproveitamento de postos trifásicos.
A versão Premium, anunciada por 24.490 euros, acrescenta teto panorâmico fixo, bancos dianteiros aquecidos com revestimento sintético e sistema de som Sennheiser de sete colunas, além de combinações adicionais de cores e acabamentos.
No topo da gama encontra-se o Couture Edition, com preço de 25.690 euros e produção limitada a 999 unidades para toda a Europa.
Esta edição apresenta pintura Atelier White Matte, tejadilho Platinum Gold e jantes Lyra de 16 polegadas com detalhes dourados. Inclui ainda iluminação ambiente, volante aquecido, carregamento sem fios, navegação e uma identificação interior numerada.
A edição limitada integra o equipamento da versão Premium, mas a smart não divulgou quantas das 999 unidades estarão destinadas ao mercado português.
Pré-encomendas começam a 13 de outubro, entregas previstas para 2027
As pré-encomendas do smart #2 abrem a 13 de outubro de 2026, através dos parceiros oficiais da marca. Segundo a smart Portugal, os clientes poderão efetuar uma encomenda vinculativa antes da chegada comercial do modelo, prevista para 2027.
O processo de compra integral através dos canais digitais da marca ficará disponível durante o primeiro semestre do próximo ano.
A natureza vinculativa da pré-encomenda torna especialmente importante confirmar junto do concessionário as condições contratuais, os eventuais pagamentos iniciais, as possibilidades de cancelamento e os prazos previstos de entrega.
O regresso a um segmento que a indústria praticamente abandonou
O lançamento do smart #2 representa uma decisão particularmente interessante num mercado europeu onde os automóveis pequenos têm perdido protagonismo. O aumento das exigências regulamentares, dos custos de desenvolvimento e da incorporação de equipamentos tecnológicos tem dificultado a comercialização de modelos urbanos com preços reduzidos.
Ao mesmo tempo, a preferência dos fabricantes por SUV e automóveis de maiores dimensões reduziu a oferta de propostas concebidas especificamente para a cidade. Neste contexto, o smart #2 recupera uma ideia que esteve na origem da marca: nem todos os condutores precisam de um automóvel com quatro ou cinco lugares para as suas deslocações quotidianas.
Com menos de 2,75 metros de comprimento, o novo modelo apresenta vantagens evidentes em termos de ocupação de espaço urbano, facilidade de estacionamento e agilidade em manobras. A autonomia anunciada de 290 quilómetros poderá responder às necessidades de muitos utilizadores que realizam deslocações diárias relativamente curtas, embora a capacidade da bateria imponha limitações em viagens longas.
O preço inicial de 19.990 euros coloca o modelo num posicionamento que deverá ser analisado à luz das alternativas elétricas de quatro ou cinco lugares existentes no mercado. O smart #2 não procura competir diretamente em espaço ou versatilidade, mas numa utilização mais específica, onde as dimensões exteriores e a facilidade de circulação podem justificar a escolha.
O verdadeiro desafio estará em demonstrar que esta especialização continua a ter procura suficiente para sustentar um automóvel de produção em série. A nova plataforma ECA, a suspensão traseira multi-link e os sistemas de assistência à condução mostram que a smart não pretende recuperar o fortwo apenas através do desenho. A proposta inclui uma evolução técnica significativa, cuja eficácia terá de ser confirmada em estrada.
O regresso do citadino de dois lugares acontece, assim, num momento em que a indústria procura soluções para tornar a mobilidade elétrica mais acessível. Com preços definidos para Portugal e chegada prevista para 2027, o smart #2 será uma oportunidade para avaliar se ainda existe espaço comercial para um automóvel concebido quase exclusivamente em função da cidade.
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