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A plataforma e3 da Denza: a arquitetura que transforma mais de 1.600 cv em controlo no novo Z

7 de ago.
6 min de leitura
A plataforma e3 da Denza: a arquitetura que transforma mais de 1.600 cv em controlo no novo Z

O Denza Z coloca a potência dos elétricos de altas prestações num novo patamar, mas os seus 1.604 cv são apenas uma parte da história. A nova e3 Platform desenvolvida pela marca do universo BYD combina três motores independentes, direção traseira ativa, suspensão magnetorreológica e um sistema central capaz de coordenar a dinâmica do automóvel em apenas 10 milissegundos. Na versão mais extrema, a potência ultrapassa mesmo os 2.000 cv.


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A escalada de potência entre os automóveis elétricos está a produzir números que há poucos anos estavam reservados a protótipos ou máquinas de competição. Mas ultrapassar os 1.000, 1.500 ou mesmo 2.000 cv cria um problema tão importante quanto gerar essa potência: como colocá-la efetivamente no asfalto e permitir que o condutor a utilize? É precisamente nesse ponto que a Denza concentra a atenção com a nova e3 Platform, arquitetura desenvolvida especificamente para os seus veículos de elevadas prestações e que serve de base ao novo Z.


Recentemente apresentado na Europa durante o Goodwood Festival of Speed nas variantes Coupé, Spider e Racing, o Z utiliza três motores elétricos — um no eixo dianteiro e dois independentes no traseiro — para desenvolver 1.604 cv e 1.240 Nm de binário. Mais do que procurar números absolutos, a arquitetura foi concebida para gerir individualmente a força aplicada às rodas e coordená-la com direção, travagem e suspensão.


A plataforma e3 da Denza: a arquitetura que transforma mais de 1.600 cv em controlo no novo Z

1.604 cv e três motores, mas a gestão é a verdadeira questão

Na versão Coupé, os números anunciados são suficientemente expressivos para colocar o Denza Z no território dos hipercarros: 0 aos 100 km/h em 2,25 segundos e 300 km/h de velocidade máxima.


O Z Racing, equipado com pneus semi-slick opcionais, reduz a aceleração dos 0 aos 100 km/h para 1,96 segundos e eleva a velocidade máxima aos 350 km/h.


Mas existe uma variante ainda mais radical. A Z Special Edition, preparada com o objetivo de atacar o recorde de volta em Nürburgring Nordschleife durante o outono, ultrapassa os 2.000 cv e, segundo os números anunciados pela marca, deverá cumprir os 0 aos 100 km/h em menos de 1,7 segundos.


São valores extremos e que ajudam a explicar por que motivo a arquitetura eletrónica assume uma importância tão grande quanto os próprios motores.


Uma unidade elétrica “15 em 1”

Um dos elementos tecnicamente mais interessantes da e3 Platform é aquilo que a apresenta como a primeira unidade de propulsão elétrica 15 em 1 totalmente integrada.


Capaz de atingir 30.000 rpm, reúne num único módulo diferentes componentes que, numa arquitetura convencional, podem estar fisicamente separados. Entre eles encontram-se dois motores elétricos com os respetivos redutores e unidades de controlo, carregador de bordo, conversor DC-DC, unidade de controlo do veículo, controlador da gestão da bateria, unidade de distribuição de energia, sistema integrado de carregamento rápido, gestão térmica e pré-aquecimento da bateria.


Esta integração procura reduzir a complexidade física do sistema e, sobretudo, permitir uma comunicação mais rápida entre os diferentes componentes responsáveis pela propulsão.


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VMC decide em 10 milissegundos

É, contudo, no Vehicle Motion Control (VMC) que encontramos uma das peças fundamentais da e3 Platform. Na prática, funciona como um cérebro central para a dinâmica do veículo.


O sistema coordena travões, direção dianteira e traseira, eixo posterior direcional e suspensão, enviando comandos aos diferentes atuadores em apenas 10 milissegundos.


A possibilidade de gerir em tempo real o binário e o ângulo de direção individualmente permite explorar uma das grandes vantagens de uma configuração com motores elétricos independentes: alterar muito rapidamente a quantidade de força aplicada a cada roda para influenciar o comportamento do automóvel.


Num veículo com mais de 1.600 cv, esta capacidade deixa de ser apenas uma ferramenta para melhorar a agilidade. Torna-se essencial para transformar uma quantidade extraordinária de potência em tração utilizável.


Até um rebentamento de pneu entra na equação

A integração entre direção, motores e controlo eletrónico permite ainda implementar funções pouco convencionais.


Uma delas é o Tyre Burst Control System. Perante um rebentamento de pneu a alta velocidade, o sistema deteta a perda de pressão e altera o binário e a direção das rodas com o objetivo de manter o automóvel estável e preservar a trajetória.


É uma aplicação interessante da eletrónica centralizada: em vez de cada sistema reagir isoladamente, direção e propulsão podem atuar de forma coordenada perante uma situação crítica.


A mesma arquitetura permite uma função completamente diferente em ambiente urbano. No denominado Compass Turn, ou “giro em U”, a direção independente das rodas traseiras e o controlo individual do binário permitem ao automóvel pivotar sobre o eixo dianteiro, reduzindo drasticamente o espaço necessário para determinadas manobras.


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Suspensão DiSus-M reage em milissegundos

A gestão da potência não termina nos motores. O Z utiliza uma suspensão DiSus-M, equipada com amortecedores de fluido magnetorreológico cuja resistência pode ser alterada em milissegundos através da aplicação de um campo magnético.

O eixo dianteiro utiliza uma configuração de duplos triângulos, enquanto atrás encontramos um esquema multibraço.


As versões Coupé e Spider acrescentam suspensão pneumática, enquanto o Racing troca esta solução por molas helicoidais, numa configuração orientada para uma utilização mais intensa em circuito.


A lógica volta a ser a mesma: controlar rapidamente os movimentos da carroçaria para que pneus, direção e sistema de propulsão consigam aproveitar a capacidade dinâmica disponível.


Travões carbocerâmicos retiram 30 kg de massa não suspensa

Num automóvel com este nível de aceleração, a travagem assume inevitavelmente uma dimensão igualmente importante. O Denza Z utiliza discos carbocerâmicos perfurados, acompanhados por pinças fixas de seis pistões no eixo dianteiro e quatro no traseiro.


Segundo os dados divulgados pela marca, esta solução permite reduzir aproximadamente 30 kg de massa não suspensa, um valor particularmente relevante porque afeta diretamente a capacidade da suspensão para controlar o movimento das rodas.


A Denza anuncia ainda uma vida útil dos discos que pode atingir 300.000 quilómetros, embora naturalmente esse valor esteja dependente das condições de utilização.


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Blade Battery de 76 kWh e integração estrutural

As diferentes versões utilizam a segunda geração da Blade Battery, com 76 kWh de capacidade.


A autonomia anunciada varia de acordo com a configuração: 410 km para o Coupé, 400 km no Spider e 380 km no Racing.


Mais interessante do ponto de vista de engenharia é a integração Cell-to-Body (CTB). Em vez de existir simplesmente como um conjunto instalado sob o automóvel, a bateria passa a desempenhar uma função estrutural, com as células integradas diretamente no chassis e o piso do habitáculo a funcionar como cobertura superior.


Segundo a DENZA, esta solução permite aproveitar mais 20% do espaço disponível e contribui para uma rigidez torsional superior a 40.000 Nm/grau.


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Dos 10 aos 97% em nove minutos

Outro número que chama particularmente a atenção é o carregamento. A tecnologia Flash Charging é anunciada com capacidade para levar a bateria dos 10 aos 97% em apenas nove minutos.


É um valor extremamente ambicioso e que deverá ser analisado à luz das condições necessárias para o alcançar, incluindo potência disponível no posto, temperatura da bateria e respetiva curva de carregamento. Ainda assim, demonstra como a velocidade de carregamento está a tornar-se outro dos campos de desenvolvimento dos elétricos de elevadas prestações.


O desafio já não é apenas produzir potência

O Denza Z demonstra bem uma mudança que começa a ocorrer entre os elétricos de alta performance. Com motores elétricos capazes de atingir potências extraordinárias e entregar praticamente todo o binário de forma imediata, produzir mais potência deixou de ser necessariamente o maior desafio técnico.


Controlá-la passou a ser igualmente importante.


É precisamente aí que a e3 Platform procura diferenciar-se. Os três motores, o controlo independente do binário, a direção traseira, a suspensão magnetorreológica e o VMC não devem ser vistos como tecnologias isoladas, mas como partes de uma arquitetura centralizada cuja missão é fazer com que mais de 1.600 cv possam efetivamente ser utilizados.


E quando a versão Special Edition ultrapassa os 2.000 cv, essa gestão deixa definitivamente de ser um detalhe tecnológico: torna-se uma condição indispensável para que números tão extremos façam sentido num automóvel.


A plataforma e3 da Denza: a arquitetura que transforma mais de 1.600 cv em controlo no novo Z

Denza Z — principais dados anunciados

Característica

Denza Z Coupé

Denza Z Racing

Motores

3 elétricos

3 elétricos

Potência

1.604 cv

1.604 cv

Binário

1.240 Nm

1.240 Nm

0-100 km/h

2,25 s

1,96 s

Velocidade máxima

300 km/h

350 km/h

Bateria

76 kWh

76 kWh

Autonomia anunciada

410 km

380 km

Suspensão

DiSus-M + pneumática

DiSus-M + molas helicoidais

Arquitetura da bateria

Cell-to-Body

Cell-to-Body

Carregamento anunciado

10-97% em 9 min

10-97% em 9 min

Z Special Edition: mais de 2.000 cv e 0-100 km/h anunciado em menos de 1,7 segundos.


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