
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
17 de jan.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















Nos últimos anos, Portugal tem sido frequentemente apontado como um exemplo positivo no caminho da transição energética. E, de facto, temos motivos para nos orgulhar: somos líderes na incorporação de energias renováveis, temos uma rede elétrica relativamente estável e uma indústria de componentes automóveis robusta, que exporta para alguns dos maiores fabricantes do mundo. Mas quando falamos de mobilidade elétrica, a pergunta que não me sai da cabeça é simples: estamos mesmo preparados?
Basta sair pelas estradas do país para percebermos que ainda há um longo caminho pela frente. O número de carregadores aumentou, mas continua muito aquém das necessidades de quem depende diariamente do automóvel.
E não é apenas uma questão de quantidade: há falhas de manutenção, carregadores avariados, filas de espera (cada vez menos, mas ainda acontece, principalmente em momentos de pico e determinados percursos), tarifas pouco claras e uma falta de uniformidade nos sistemas de pagamento que, para muitos, transforma a experiência de carregamento numa autêntica dor de cabeça.
É verdade que podemos, e devemos, fazer um planeamento de nossa viagem, mas imprevistos acontecem, e a nossa viagem pode ser uma necessidade repentina, sem tempo para todas estas avaliações. Qual o melhor percurso, a que km carregar e qual a melhor empresa em termos de tarifa, ou que está disponível em determinado posto, entre outras questões.
Outro ponto crítico é o acesso. A mobilidade elétrica ainda é, em grande parte, um privilégio para quem pode pagar. Embora já tenhamos uma oferta crescente de modelos elétricos mais acessíveis, a verdade é que muitos portugueses continuam sem capacidade financeira para dar esse salto. O resultado é óbvio: criamos uma mobilidade a duas velocidades, em que uns circulam em silêncio com incentivos fiscais e outros se mantêm presos a veículos antigos, muitas vezes por falta de alternativas viáveis.
E aqui entramos numa questão de planeamento. A mobilidade elétrica não pode ser pensada apenas como a substituição do motor a combustão pelo motor elétrico. Precisa de estar integrada num sistema mais amplo de transporte sustentável, que combine transporte público eficiente, micromobilidade e infraestruturas inteligentes. Portugal tem potencial para liderar este movimento, mas precisa de decisões firmes, investimentos consistentes e uma visão clara a longo prazo. Não podemos deixar tudo na mão dos privados e o Estado tem que apontar o caminho, fazer a bola girar, e só então as empresas sentirão confiança para planeamentos de médio e longo prazo e assim realizar seus investimentos com alguma segurança.
Não tenho dúvidas de que o futuro será elétrico — ou, pelo menos, maioritariamente elétrico. Mas até lá, é urgente garantir que a mobilidade elétrica em Portugal não seja apenas um discurso bonito em relatórios internacionais, e sim uma realidade acessível, funcional e inclusiva para todos. Porque a verdadeira transição energética só acontece quando deixa de ser exceção e passa a ser a regra.
👉 E para você, qual o maior desafio da mobilidade elétrica em Portugal hoje? Comente e participe da discussão!
Artur Semedo - Editor Publiracing































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