
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 3 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















O fabricante japonês regressa em pleno à Fórmula 1 com a Aston Martin Aramco, numa nova era técnica marcada pela eletrificação, combustíveis sustentáveis e uma das maiores mudanças regulamentares da história da categoria.
A Honda e a equipa Aston Martin Aramco de Fórmula 1 celebraram, em Tóquio, o lançamento oficial da sua parceria para o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 da FIA a partir da temporada de 2026. O acordo marca o regresso pleno da Honda como fornecedora oficial de unidades de potência, numa fase de profunda transformação tecnológica da competição, que passará a apostar fortemente na eletrificação e na descarbonização.
O evento contou com a presença de Toshihiro Mibe, CEO global da Honda, Stefano Domenicali, presidente e CEO da Fórmula 1, e Lawrence Stroll, presidente executivo da equipa Aston Martin Aramco de Fórmula 1, que destacaram a dimensão estratégica da aliança e o seu enquadramento na nova geração regulamentar que entrará em vigor em 2026.
No seu discurso, Toshihiro Mibe sublinhou que a Fórmula 1 sempre foi um símbolo do espírito fundador da marca japonesa. Desde a estreia da Honda na categoria, em 1964, ainda antes de se afirmar como construtora automóvel global, a F1 foi encarada como o palco máximo para enfrentar desafios técnicos extremos. Esse percurso inclui a primeira vitória em 1965, a era dourada com Williams e McLaren nas décadas de 1980 e 1990 e, mais recentemente, os títulos conquistados com a Red Bull Racing.
A nova fase da Fórmula 1, a partir de 2026, surge como um terreno fértil para esse mesmo espírito. As futuras unidades de potência terão uma componente elétrica significativamente reforçada, com a energia elétrica a representar até três vezes mais do que atualmente, aliada ao uso obrigatório de combustíveis sustentáveis avançados. A estes desafios junta-se o teto orçamental imposto pela FIA, obrigando a uma gestão rigorosa de recursos e eficiência de desenvolvimento.
É neste contexto que a Honda Racing Corporation (HRC) desenvolveu a nova unidade de potência RA626H, concebida especificamente para a nova era da Fórmula 1 e destinada a equipar os monolugares da Aston Martin Aramco a partir de 2026.

Os monolugares equipados com a nova unidade de potência passarão a ostentar um novo emblema “H”, adotado pela Honda como símbolo da transformação da sua divisão automóvel. Este logótipo será transversal às atividades de competição da marca, incluindo outras categorias como IndyCar, Super GT, Super Formula e Super Taikyu.
A Honda pretende ainda reforçar a ligação entre a competição e os modelos de produção, utilizando o conhecimento acumulado na Fórmula 1 para desenvolver versões HRC de automóveis de estrada. Entre os projetos já anunciados está um modelo de produção baseado no Civic Type R HRC Concept, reforçando a transferência direta de tecnologia e know-how.
Para além do impacto nos automóveis de produção, a Honda destacou a aplicação das tecnologias desenvolvidas na Fórmula 1 em áreas mais amplas da mobilidade. Soluções relacionadas com combustão de alta eficiência, gestão térmica, motores de alta rotação, turbocompressores e combustíveis sustentáveis estão já a ser exploradas em projetos de mobilidade aérea, como eVTOL, e em motores de aviação.
Segundo a marca japonesa, a Fórmula 1 continuará a ser um laboratório tecnológico e humano, formando engenheiros que regressam posteriormente ao desenvolvimento de produtos comerciais, contribuindo para soluções de mobilidade terrestre, marítima, aérea e até espacial.
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Stefano Domenicali enquadrou a parceria no crescimento contínuo da Fórmula 1 a nível mundial. Em 2025, a categoria atingiu uma base global estimada de 827 milhões de fãs. No Japão, onde a Fórmula 1 corre desde 1976 e está presente em Suzuka desde 1987, o interesse continua a aumentar, com cerca de 17 milhões de adeptos e um recorde de assistência no Grande Prémio do Japão de 2025.
O CEO da Fórmula 1 destacou ainda que o novo regulamento de 2026 representa a maior revisão técnica da história da categoria, combinando sustentabilidade, eficiência e desempenho, sem comprometer o espetáculo.
Para Lawrence Stroll, esta não é apenas uma relação cliente-fornecedor, mas uma verdadeira parceria técnica. O chassi e a unidade de potência estão a ser desenvolvidos de forma integrada, algo considerado essencial para ambições de título. A Aston Martin Aramco conta ainda com o apoio técnico da Aramco, como fornecedora de combustíveis sustentáveis, e da Valvoline, como parceira de lubrificantes.
O responsável destacou também os investimentos estruturais da equipa, como o novo campus tecnológico em Silverstone, o túnel de vento e o futuro centro de dados, bem como a colaboração estreita entre a base britânica da equipa e o centro HRC Sakura, no Japão.
Com esta aliança, Honda e Aston Martin Aramco iniciam um novo capítulo na Fórmula 1, apostando numa visão de longo prazo que combina inovação tecnológica, sustentabilidade e ambição desportiva, num dos períodos mais decisivos da história recente da categoria.
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