Honda reforça gama desportiva para 2027 com nova CBR500R FOUR de 70 cv e CBR600RR de 121 cv

A Honda prepara duas propostas distintas para o segmento das motos superdesportivas de média cilindrada em 2027. A principal novidade é a CBR500R FOUR, equipada com um novo motor de quatro cilindros em linha, tecnologia E-Clutch de série e uma versão limitada a 35 kW para titulares de carta A2. Ao seu lado, a CBR600RR recebe alterações na travagem, aerodinâmica e instrumentação, mantendo os 121 cv e uma componente eletrónica desenvolvida para utilização em estrada e em circuito.
A Honda anunciou a renovação da sua gama Super Sport para 2027, combinando a estreia de uma nova moto de 500 cm³ com a atualização da CBR600RR, modelo que regressou ao mercado europeu em 2024.
A estratégia passa por oferecer duas interpretações da tradicional arquitetura de quatro cilindros em linha. A CBR500R FOUR procura tornar esta configuração mecânica acessível a um público mais abrangente, enquanto a CBR600RR mantém uma orientação mais exigente, com maior potência, regimes de funcionamento elevados e soluções técnicas associadas à competição.
A diferença entre os dois modelos não se limita à cilindrada. A nova 500 aposta na facilidade de utilização e na versatilidade, enquanto a 600 continua a privilegiar a precisão de condução, a resposta do motor a regimes elevados e a capacidade de adaptação à utilização em pista.

Honda CBR500R FOUR: um novo quatro cilindros de 500 cm³ com 70 cv
A principal novidade da gama é a CBR500R FOUR, desenvolvida a partir da tradição da família CB400 Super Four, mas com uma arquitetura e um conjunto técnico próprios.
Ao contrário da CBR500R de dois cilindros, a nova FOUR utiliza um motor inteiramente novo de quatro cilindros em linha, com distribuição DOHC e 500 cm³ de cilindrada.
A potência máxima anunciada é de 53 kW, equivalentes a aproximadamente 72 cv, acompanhada por um binário máximo de 47,4 Nm. O regime máximo de funcionamento situa-se nas 12.500 rpm, um valor que evidencia a orientação desportiva deste motor.
A Honda recorreu a várias soluções destinadas a melhorar o rendimento mecânico e a resposta em aceleração. Entre elas encontram-se os revestimentos de níquel e carboneto de silício (Ni-SiC) nas paredes dos cilindros, componentes do sistema de distribuição com revestimento DLC para reduzir o atrito e uma admissão descendente associada a duas entradas de ar dinâmicas.
Estas soluções procuram conciliar a capacidade de atingir regimes elevados com a eficiência do enchimento dos cilindros e a redução das perdas mecânicas.
A marca também confirmou uma versão limitada a 35 kW, aproximadamente 47,6 cv, destinada aos titulares de carta de condução da categoria A2.

E-Clutch de série permite mudar de velocidade sem utilizar a manete da embraiagem
Uma das características técnicas mais relevantes da CBR500R FOUR é a inclusão, de série, do sistema Honda E-Clutch.
Esta tecnologia permite arrancar, parar e efetuar passagens de caixa sem necessidade de acionar manualmente a manete da embraiagem.
Ao contrário de uma transmissão automática convencional, o sistema mantém a caixa de velocidades manual e a intervenção do condutor na seleção das relações.
O funcionamento da embraiagem é gerido eletronicamente, permitindo realizar as operações necessárias durante as mudanças de velocidade. A manete continua disponível para utilização convencional sempre que o motociclista o pretenda.
A solução pode simplificar a condução em trânsito urbano, onde as mudanças de velocidade e as paragens são frequentes, sem eliminar o envolvimento associado a uma transmissão manual.
Para a Honda, a inclusão deste equipamento numa superdesportiva de quatro cilindros representa também uma forma de aproximar este tipo de moto de condutores com menor experiência.

Quadro novo, suspensão KYB e travagem Nissin
A CBR500R FOUR utiliza um quadro de aço do tipo diamante, desenvolvido especificamente para o novo modelo.
Na suspensão dianteira encontra-se uma forquilha invertida KYB com bainhas de 41 mm, enquanto o braço oscilante traseiro é construído em alumínio.
O sistema de travagem dianteiro utiliza dois discos, com pinças Nissin de montagem radial, uma configuração habitualmente associada a motos de orientação desportiva. O acelerador eletrónico, designado por Throttle By Wire (TBW), permite selecionar três modos de condução predefinidos e dois modos USER configuráveis.
A eletrónica inclui ainda o Honda Selectable Torque Control (HSTC), sistema que monitoriza a tração e pode intervir para limitar a patinagem da roda traseira. A informação é apresentada num painel TFT de cinco polegadas, com conectividade Honda RoadSync e uma entrada USB-C para carregamento de dispositivos.
Em termos de design, a CBR500R FOUR adota uma carenagem integral, com maior concentração visual das massas na zona dianteira e uma linguagem estética próxima das superdesportivas de maior cilindrada da marca.

CBR600RR 2027 mantém 121 cv e recebe nova travagem
A CBR600RR continua a representar a proposta mais orientada para o desempenho entre os dois modelos anunciados. O motor de quatro cilindros em linha, com 599 cm³, mantém a potência máxima de 89 kW, equivalentes a aproximadamente 121 cv, atingida às 14.250 rpm.
Trata-se de uma configuração que privilegia os regimes elevados e uma entrega de potência característica das superdesportivas de média cilindrada.
A transmissão inclui embraiagem assistida e deslizante, destinada a reduzir os efeitos do travão-motor nas reduções mais exigentes, e quickshifter de série, permitindo mudanças de velocidade sem acionar a embraiagem nas condições previstas pelo sistema. Para 2027, a Honda introduz novas pinças de travão dianteiras de montagem radial, derivadas da CBR1000RR-R Fireblade.
O sistema ABS também foi atualizado e passa a oferecer três modos selecionáveis: Standard, Track e Race. Esta possibilidade de configuração permite adaptar a intervenção do sistema às diferentes condições de utilização, desde a circulação em estrada até à condução em circuito.
Eletrónica com IMU de seis eixos e controlo de travagem em curva
A CBR600RR mantém um conjunto eletrónico mais abrangente do que o disponibilizado na CBR500R FOUR.
A base do sistema é uma unidade de medição inercial (IMU) Bosch de seis eixos, capaz de monitorizar os movimentos da moto e fornecer informação aos diferentes sistemas de assistência.
Entre as funções disponíveis encontram-se o controlo de tração HSTC, o sistema anticavalinho, o controlo de elevação da roda traseira durante a travagem e o ABS com funcionamento adaptado à inclinação em curva. O acelerador eletrónico permite gerir a resposta do motor de acordo com as configurações selecionadas.
Estes dispositivos procuram ajudar o motociclista a gerir a elevada potência disponível, especialmente em acelerações intensas, travagens fortes e mudanças rápidas de trajetória.
Apesar da sofisticação eletrónica, a eficácia dos sistemas continua dependente das condições de aderência, dos pneus e da atuação do condutor.
A Honda anunciou ainda três kits de competição HRC, destinados especificamente à utilização em pista.
Nova frente inspirada na Fireblade e painel TFT atualizado
A evolução da CBR600RR também abrange a carroçaria e a interface de condução.
A carenagem dianteira foi redesenhada, incorporando elementos visuais inspirados na CBR1000RR-R Fireblade.
A nova frente integra um spoiler no desenho da carenagem, procurando manter a eficiência aerodinâmica e apresentar uma superfície exterior mais contínua. O painel TFT de cinco polegadas foi igualmente atualizado, com alterações na apresentação da informação e na interação com o motociclista.
Desde o regresso da CBR600RR à Europa, em 2024, a Honda contabiliza mais de 9.600 unidades vendidas no continente, um resultado que ajuda a explicar a continuidade do modelo numa categoria onde a oferta de motos de quatro cilindros se tornou mais restrita ao longo dos últimos anos.
Cores anunciadas e disponibilidade
Para 2027, ambos os modelos estarão disponíveis nas seguintes opções cromáticas:
Vermelho Ignition (Tricolor)
Preto Metalizado Mate Ballistic
Com a introdução da CBR500R FOUR e a atualização da CBR600RR, a Honda reforça a presença dos motores de quatro cilindros em linha numa categoria em que muitos fabricantes têm privilegiado arquiteturas de dois ou três cilindros.
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