
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de dez. de 2025






















Após algum tempo de restauro, o March 711 de 1972 pilotado por José Carlos Pace chegou ao Museu do Caramulo para integrar a “The Fittipaldi Collection”, trazendo consigo uma história que cruza os primeiros passos da Williams na Fórmula 1, a estreia de Pace na categoria rainha e a amizade duradoura com Emerson Fittipaldi.
O Museu do Caramulo recebeu, a 29 de dezembro de 2025, um dos monolugares mais emblemáticos da Fórmula 1 dos anos 70: o March 711, chassis #711/3, utilizado por José Carlos Pace na sua época de estreia no campeonato do mundo, em 1972. O automóvel passa agora a integrar a “The Fittipaldi Collection”, um acervo dedicado à história do automobilismo e, em particular, ao legado de Emerson Fittipaldi.
A história deste carro começa ainda antes de a Williams ser o colosso que hoje se conhece. Em 1966, Frank Williams fundou a sua pequena equipa, comprando um Brabham para Piers Courage. Com poucos recursos, mas grande determinação, a estrutura evoluiu e, em 1971, adquiriu este March 711 para Henri Pescarolo, ainda sob a designação Frank Williams Racing Cars. A temporada foi modesta, com um quarto lugar em Silverstone como melhor resultado.
Em 1972, já sob o nome Team Williams Motul e com o apoio de novos patrocinadores, a equipa adquiriu um March 721 para Pescarolo, ficando o 711 do ano anterior para o estreante José Carlos Pace. Apesar de já não ser um projeto de última geração, o monolugar manteve competitividade suficiente para permitir a Pace somar os seus primeiros pontos na Fórmula 1, graças a um quinto lugar.


Concebido por Robin Herd e Geoff Ferris, o March 711 apresentava soluções técnicas avançadas para a época, como o chassis monocoque, suspensão dianteira inboard e radiadores montados nos flancos, numa filosofia próxima da do Lotus 72. A sua imagem ficou marcada pela asa dianteira elevada, criada por Frank Costin, eficaz em pista limpa mas menos estável em tráfego.
O modelo foi utilizado por várias equipas e pilotos, incluindo nomes como Ronnie Peterson, Andrea de Adamich, Niki Lauda ou Mike Beuttler, tornando-se um dos monolugares mais representativos do início da década de 1970.
Após passagens pouco felizes pela Surtees, José Carlos Pace atingiria o ponto alto da carreira em 1975, com o Brabham BT44 do Martini Racing Team, incluindo a vitória no Grande Prémio do Brasil, em Interlagos, numa histórica dobradinha brasileira com Emerson Fittipaldi. É precisamente a ligação pessoal entre ambos que explica a presença deste March na coleção.

“Este March tem um enorme valor sentimental para mim”, recorda Emerson Fittipaldi. “O primeiro kart em que corri foi-me emprestado pelo Moco, de quem também fui mecânico. Depois de vencer o Mundial em 1972, liguei ao Frank Williams e quis comprar o Williams March do Moco. Eu e o meu irmão Wilson adquirimos o carro, que desde então faz parte da nossa coleção.”
O restauro do chassis #711/3 foi realizado ao longo de vários meses com o apoio da AMSport, do CINFU e da VANTITEC, envolvendo técnicas modernas de impressão 3D e maquinação CNC, devolvendo ao monolugar a configuração e aparência originais.
A “The Fittipaldi Collection”, onde agora se encontra o March 711, pode ser visitada permanentemente no Museu do Caramulo, de terça a domingo, permitindo ao público contactar de perto com uma peça central da história da Fórmula 1 e do automobilismo brasileiro.

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