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17 de jan.



















Novo sistema de “green credits” da União Europeia exclui veículos L7e e gera críticas sobre coerência ambiental e competitividade industrial.
A marca ítalo-suíça Microlino veio a público manifestar preocupação com a orientação do novo sistema europeu de créditos verdes, atualmente em fase de aprovação, que introduz a categoria M1e para pequenos citadinos, mas mantém excluídos os veículos L7e — segmento onde se inserem os microcarros elétricos.
Para a empresa, esta decisão cria uma distorção estrutural no mercado e pode penalizar precisamente os veículos mais leves e eficientes em contexto urbano.
Segundo a informação divulgada pela marca, o novo enquadramento prevê “supercréditos” para modelos da classe M1e com menos de 4,20 metros, permitindo que esses veículos tenham um peso adicional favorável nos cálculos de emissões médias das frotas.
Contudo, os L7e — categoria dos quadriciclos pesados elétricos — continuam fora do sistema, impossibilitados de gerar ou vender créditos de CO₂ através do mecanismo de “fleet pooling”, utilizado por grandes grupos automóveis para compensar emissões de modelos com motor de combustão.
O regime de créditos verdes permite que construtores com emissões médias elevadas adquiram certificados a fabricantes 100% elétricos, funcionando como instrumento de aceleração da transição energética. No entanto, ao excluir os L7e, o sistema deixa de fora produtores de microcarros que apostaram em soluções ultraleves, baixo consumo energético e utilização reduzida de matérias-primas.
Para a Microlino, esta exclusão cria um paradoxo regulatório: enquanto se declara a intenção de promover mobilidade elétrica acessível e sustentável, as soluções mais racionais para centros urbanos — veículos compactos, de menor massa e menor consumo — não beneficiam de incentivos equivalentes nem do acesso aos mecanismos financeiros associados aos créditos de emissões.
A introdução da classe M1e poderá ainda reforçar a posição de grandes fabricantes, que beneficiam de economias de escala e capacidade de influência institucional, ao mesmo tempo que os produtores de microcarros permanecem afastados de incentivos diretos e coeficientes de bonificação em vários mercados europeus.

A Microlino produz o seu modelo elétrico em Turim, num projeto industrial que envolveu um investimento superior a 150 milhões de euros, dos quais cerca de 100 milhões aplicados em Itália. A unidade industrial emprega mais de 70 profissionais e aposta numa cadeia de fornecimento maioritariamente europeia.
De acordo com a empresa, a manutenção da exclusão da categoria L7e poderá comprometer a sustentabilidade industrial deste tipo de projetos, num momento em que a União Europeia procura reforçar a competitividade da produção automóvel no espaço comunitário.
Wim Ouboter, fundador e CEO da Micro Mobility Systems, sublinha que, enquanto compradores de SUV elétricos de grande dimensão beneficiam de incentivos fiscais e créditos de CO₂, os clientes de microcarros como o Microlino não têm acesso a apoios equivalentes.
A marca apela, por isso, à Comissão Europeia para que reavalie a proposta antes da sua aprovação final, defendendo a inclusão dos L7e no sistema de créditos verdes.
A discussão levanta uma questão mais ampla sobre o equilíbrio entre metas ambientais, política industrial e coerência regulatória: até que ponto o atual enquadramento europeu incentiva verdadeiramente a eficiência energética e a mobilidade urbana sustentável, ou se favorece sobretudo a transição elétrica dentro dos moldes tradicionais da indústria automóvel.
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