
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 4 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de fev.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
17 de jan.



















O Porsche 911 Dakar escreveu um novo capítulo na sua história ao tornar-se o primeiro modelo da marca a participar no Rallye dos Sertões, no Brasil. Mais do que uma estreia simbólica, a presença no que é considerado um dos ralis mais exigentes da América do Sul demonstrou a versatilidade de um automóvel concebido para ir muito além do asfalto.
O universo Porsche está repleto de modelos icónicos, mas poucos traduzem tão bem o espírito de liberdade e exploração como o 911 Dakar. Foi precisamente esse ADN que levou a família brasileira Piotto Vogt a escolher o desportivo alemão para enfrentar a 33.ª edição do Rallye dos Sertões — uma prova disputada desde 1993 e frequentemente apontada como uma das mais duras do continente sul-americano.
Ao volante seguia Susele Piotto Vogt, acompanhada pelo marido, Fredy, numa participação inserida na categoria “Expedição”, destinada a entusiastas que pretendem viver a experiência do todo-o-terreno em paralelo com a competição oficial. Motos, quads e veículos off-road especializados compõem habitualmente o cenário, mas foi o 911 Dakar que captou todas as atenções.
Um dos momentos mais marcantes surgiu logo no início do percurso, quando a piloto decidiu atravessar um rio após uma breve avaliação das condições. A travessia, realizada com aparente facilidade, dissipou dúvidas e confirmou a adequação do modelo ao desafio. A reação na outra margem resumiu o sentimento: afinal, o obstáculo não era assim tão intimidante.
A aventura da família foi muito além do trajeto oficial. O ponto de partida aconteceu em Campo Largo, cidade natal situada no sudeste do Brasil, de onde percorreram cerca de 1.200 quilómetros até Goiânia, local de arranque da prova. Após a chegada a Marechal Deodoro, já na costa de Alagoas, regressaram novamente por estrada.
No total, foram 7.440 quilómetros cumpridos em apenas duas semanas — um testemunho claro da confiança depositada no modelo. A bordo seguiu também João Pedro, filho do casal, que aos 14 anos já antevê o futuro ao volante: “Quando fizer 18 anos, será a minha vez”, afirmou, com o 911 Dakar como pano de fundo.

A ligação dos Piotto Vogt ao automóvel faz parte da sua identidade. A garagem familiar reúne clássicos, motos de trail e vários veículos todo-o-terreno, além de memorabilia ligada ao desporto motorizado. Mais do que coleção, trata-se de uma expressão de paixão partilhada.
Fredy, empresário ligado à área médica, chegou a competir em corridas de dragsters na juventude, enquanto Susele gere atualmente uma loja de bricolage — sem nunca abdicar do gosto pela condução. A relação com a Porsche começou antes mesmo do nascimento do filho, quando trocaram a ideia de adquirir um desportivo pela versatilidade de um SUV com ADN desportivo.
Desde então, já passaram pelas mãos da família mais de 19 modelos da marca. Entre eles, várias gerações do 911, bem como Cayman, Macan, Taycan ou Panamera E-Hybrid. A filosofia é simples: os automóveis são para ser conduzidos, não apenas admirados.

Para Susele, a utilização de um 911 não se limita a ocasiões especiais. O modelo integra a rotina diária, seja para deslocações profissionais, compras ou tarefas logísticas. “Compramos os carros para os conduzir. O importante é a experiência”, reforça Fredy.
Essa mesma lógica esteve presente na decisão de levar o 911 Dakar para um dos cenários mais exigentes do Brasil. Equipado com uma tenda de tejadilho, o desportivo transformou-se inclusivamente em “hotel móvel”, permitindo pernoitar em plena natureza — um detalhe que sublinha a proposta multifacetada do modelo.
A família mantém ainda uma presença ativa na comunidade da marca, participando em eventos do Porsche Club Brasil, track days e experiências internacionais como as 24 Horas de Le Mans, programas de condução em gelo na Finlândia ou encontros em destinos remotos como a Namíbia.

A participação no Rallye dos Sertões acabou por funcionar como prova definitiva do conceito do 911 Dakar: um automóvel que preserva o caráter desportivo, mas acrescenta uma dimensão exploratória raramente associada a este tipo de veículo.
Num setor cada vez mais orientado para a tecnologia e a eletrificação, histórias como esta reforçam que a emoção e a experiência continuam a ser pilares fundamentais da cultura automóvel — especialmente quando um desportivo consegue afirmar-se tanto na estrada como fora dela.
Artigo originalmente publicado na edição 417 da revista Christophorus.
Texto: Marcus Vinicius Gasques
Fotografias: Luisa Dörr e Felipe Machado
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