
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
17 de jan.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















A Tesla anunciou o fim da produção dos modelos Model S e Model X, sinalizando uma mudança estratégica significativa para a empresa. Esta decisão levanta questões sobre o futuro da Tesla e o seu foco em robótica e inteligência artificial.
Lembro-me do dia em que vi um Tesla Model S pela primeira vez. Foi como testemunhar o futuro a passar diante dos meus olhos: um carro silencioso, elegante e com uma aceleração que desafiava a lógica dos motores a combustão. Na altura, a Tesla era sinónimo de inovação automóvel, uma promessa de que a mobilidade elétrica podia ser desejável e excitante.
Agora, ao saber que a Tesla vai descontinuar os modelos Model S e Model X, sinto uma mistura de nostalgia e inquietação. Estes veículos não eram apenas produtos; eram símbolos de uma revolução. O Model S, lançado em 2012, e o Model X, em 2015, foram pioneiros que ajudaram a redefinir o que significava conduzir um carro elétrico.
A decisão de Elon Musk de encerrar a produção destes modelos para focar na robótica e inteligência artificial, nomeadamente no robô humanoide Optimus, é audaciosa. Segundo Musk, o Optimus será "o maior produto de sempre", com a capacidade de realizar tarefas inseguras, repetitivas ou monótonas, e está previsto iniciar a produção antes do final de 2026 .
Compreendo a necessidade de evolução e adaptação às novas tecnologias. A Tesla sempre se posicionou como uma empresa de tecnologia, e não apenas como uma fabricante de automóveis. No entanto, não posso deixar de questionar se esta mudança abrupta de foco não representa um afastamento dos princípios que tornaram a marca tão influente.

Os carros Model S e Model X não eram apenas veículos; eram declarações de intenções. Representavam uma visão de futuro onde a sustentabilidade e a performance coexistiam. Ao abandoná-los, a Tesla pode estar a perder uma parte da sua identidade.
Além disso, a transição para a robótica e IA levanta questões éticas e sociais. A promessa de um "rendimento elevado universal" através da automação total é tentadora, mas também preocupante. Estamos preparados para um mundo onde os robôs substituem grande parte da força de trabalho humana? Quais serão as implicações para o emprego e para a sociedade em geral?
Há também algo nesta decisão que reflete, de forma quase inevitável, a visão do seu CEO. A liderança de Elon Musk sempre se distinguiu por uma abordagem disruptiva, pouco presa aos valores de continuidade e reputação que as marcas tradicionais foram construindo ao longo de décadas — marcas essas que aprenderam que confiança não se conquista apenas com inovação, mas com compromisso duradouro com os clientes. Para uma personalidade como Musk, virar a chave para novos horizontes parece ser quase um reflexo natural, mesmo que isso deixe uma sensação de incerteza a quem investiu milhares de euros num veículo da marca. Afinal, a Tesla nunca seguiu o modelo clássico de concessionários, apostando numa relação mais direta e digital com o consumidor — eficiente em tempos de expansão, mas que pode revelar-se mais fria quando os clientes procuram proximidade, respostas ou ajuda.
Em suma, a decisão da Tesla marca o fim de uma era e o início de outra. Como alguém que valorizava a visão original da Tesla, mas principalmente, o legado de marcas que olham para sua reputação como seu principal património, o exemplo mais clássico disso é a Toyota, sinto que algo valioso está a ser deixado para trás.
A Tesla pode estar a preparar-se para conquistar novos horizontes, mas espero que não se esqueça das estradas (e dos clientes) que a trouxeram até aqui.
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