Tesla domina setembro em Portugal, mas Peugeot mantém liderança no acumulado de 2026

Setembro trouxe uma alteração profunda no equilíbrio entre as marcas de automóveis ligeiros de passageiros em Portugal. A Tesla matriculou 2749 veículos, cresceu 128,3% face ao mesmo mês de 2025 e conquistou 14% do mercado, deixando a Mercedes-Benz e a Peugeot a larga distância. No acumulado, porém, a fotografia é diferente: a Peugeot continua na liderança com 16.979 unidades, enquanto Tesla, MG, Cupra e várias marcas de entrada recente protagonizam alguns dos maiores crescimentos de 2026.
O mercado português de automóveis ligeiros de passageiros voltou a crescer em setembro. Foram registadas 19.589 matrículas, contra 16.999 no mesmo mês do ano passado, uma progressão de 15,2%. Entre janeiro e setembro, o volume atingiu 188.912 unidades, mais 10,1% do que as 171.564 registadas no período homólogo de 2025.
Mas os números por marca mostram um mercado muito menos estático do que o crescimento global poderia sugerir. Há mudanças significativas nas posições, diferenças expressivas entre o desempenho mensal e o acumulado e, sobretudo, novos fabricantes a conquistar volumes que começam a ter impacto na distribuição das vendas.
Tesla concentra 14% do mercado em setembro
Nenhuma marca teve em setembro um desempenho comparável ao da Tesla. As 2749 matrículas representam um crescimento de 128,3% relativamente às 1204 unidades do mesmo mês de 2025.
Mais relevante ainda é a quota: 14,03% de todos os automóveis ligeiros de passageiros matriculados em Portugal durante setembro foram Tesla. Há um ano, a participação da fabricante era de 7,08%.
O volume colocou a Tesla muito à frente da segunda classificada. A Mercedes-Benz registou 1494 unidades, crescendo 6,9%, enquanto a Peugeot ficou em terceiro lugar, com 1297 automóveis e uma quebra de 18,8%.
A Dacia terminou o mês com 1259 matrículas (-6,7%), seguida pela BMW, com 1204 (+0,6%). A Volkswagen alcançou 952 unidades (+13,2%), a Renault 987 (-10,4%) e a Toyota 926 (+16,2%).
Marcas mais matriculadas em setembro
Posição | Marca | Setembro 2026 | Setembro 2025 | Variação |
1 | Tesla | 2749 | 1204 | +128,3% |
2 | Mercedes-Benz | 1494 | 1397 | +6,9% |
3 | Peugeot | 1297 | 1597 | -18,8% |
4 | Dacia | 1259 | 1350 | -6,7% |
5 | BMW | 1204 | 1197 | +0,6% |
6 | Renault | 987 | 1101 | -10,4% |
7 | Volkswagen | 952 | 841 | +13,2% |
8 | Toyota | 926 | 797 | +16,2% |
9 | Citroën | 568 | 585 | -2,9% |
10 | Volvo | 540 | 419 | +28,9% |
Há uma particularidade importante: a BYD também registou 539 automóveis em setembro, ficando praticamente empatada com a Volvo em volume.
Cupra mais do que duplica; Leapmotor multiplica vendas
Fora das primeiras posições encontram-se alguns dos movimentos mais expressivos do mês.
A Cupra passou de 244 para 509 unidades, um crescimento de 108,6%. Além de mais do que duplicar as matrículas, alcançou 2,6% do mercado mensal.
A Xpeng subiu de 102 para 241 unidades, avançando 136,3%. A Mazda passou de apenas 45 para 136, correspondendo a +202,2%.
O caso da Leapmotor é ainda mais acentuado: 331 matrículas contra apenas 25 em setembro de 2025, um aumento de 1224%. É, contudo, uma comparação condicionada por uma base extremamente reduzida no ano passado, momento da chegada da marca ao mercado, e deve ser interpretada nesse contexto,
A Dongfeng também avançou de 14 para 69 unidades, enquanto a KGM passou de 27 para 49.
O crescimento de marcas como Omoda, Jaecoo, Changan, Geely e GAC não pode ser expresso de forma comparável em percentagem, porque estas não tinham matrículas — ou não tinham uma base equivalente — em setembro de 2025.
A Omoda, com 346 unidades, já se destaca neste grupo e alcançou 1,77% do mercado português de ligeiros de passageiros no mês.
Nissan sofre a maior queda entre as marcas de maior volume
No sentido inverso, setembro foi particularmente difícil para a Nissan. A marca passou de 609 para 277 automóveis, uma quebra de 54,5% e menos 332 matrículas.
Entre as marcas com volumes relevantes, foi a descida mais acentuada do mês.
A Hyundai caiu 30,6%, de 464 para 322 unidades, enquanto a Ford passou de 418 para 318 (-23,9%). A Fiat recuou 19,5%, a Peugeot 18,8% e a Renault 10,4%.
Também a Honda registou uma contração expressiva, de 73 para 32 unidades (-56,2%), embora sobre um volume absoluto bastante inferior ao da Nissan.
A Mitsubishi caiu 33,6%, de 125 para 83 automóveis, e a Alfa Romeo recuou 47,3%, de 55 para 29.
Peugeot continua líder do ano, apesar da queda
O domínio da Tesla em setembro não se traduz, pelo menos por enquanto, na liderança anual.
Entre janeiro e setembro, a Peugeot mantém a primeira posição com 16.979 matrículas, embora registe uma redução de 2,1% relativamente às 17.342 unidades do mesmo período de 2025.
A Mercedes-Benz surge em segundo lugar com 14.210 unidades, crescendo 4,7%, enquanto a Dacia ocupa a terceira posição, com 12.334 automóveis, menos 6,7%.
BMW e Volkswagen completam as cinco primeiras posições, respetivamente com 11.762 e 10.967 matrículas.
As dez marcas mais vendidas entre janeiro e setembro
Posição | Marca | Jan.-Set. 2026 | Jan.-Set. 2025 | Variação | Quota 2026 |
1 | Peugeot | 16.979 | 17.342 | -2,1% | 8,99% |
2 | Mercedes-Benz | 14.210 | 13.570 | +4,7% | 7,52% |
3 | Dacia | 12.334 | 13.222 | -6,7% | 6,53% |
4 | BMW | 11.762 | 10.972 | +7,2% | 6,23% |
5 | Volkswagen | 10.967 | 9933 | +10,4% | 5,81% |
6 | Renault | 10.550 | 12.213 | -13,6% | 5,58% |
7 | Toyota | 9978 | 9046 | +10,3% | 5,28% |
8 | Citroën | 9411 | 7849 | +19,9% | 4,98% |
9 | Tesla | 9261 | 5809 | +59,4% | 4,90% |
10 | Kia | 6504 | 6329 | +2,8% | 3,44% |
A distância entre Peugeot e Mercedes-Benz é de 2769 automóveis, enquanto a Tesla, apesar do forte desempenho recente, permanece a 7718 unidades da líder.
A diferença está no ritmo de evolução: a Peugeot perde ligeiramente volume e quota, enquanto a Tesla passou de 5809 para 9261 unidades em nove meses.
Tesla acrescenta 3452 automóveis em apenas um ano
Entre as marcas de dimensão relevante, a Tesla apresenta uma das maiores progressões absolutas e relativas de 2026.
As 9261 matrículas acumuladas representam mais 3452 automóveis do que no mesmo período de 2025, correspondendo a um crescimento de 59,4%. A quota passou de 3,39% para 4,90%.
A Citroën também apresenta uma evolução importante: de 7849 para 9411 unidades, mais 1562 automóveis e +19,9%.
A BYD passou de 4269 para 5788 matrículas, crescendo 35,6%, enquanto a MG avançou de 3061 para 5181, uma progressão de 69,3%.
A Volkswagen adicionou 1034 automóveis e cresceu 10,4%; a Toyota ganhou 932 unidades (+10,3%); e a BMW acrescentou 790 (+7,2%).
Cupra cresce 66% e aproxima-se das 3000 unidades
A Cupra é outro dos casos de maior expansão entre fabricantes já estabelecidos no mercado.
Entre janeiro e setembro passou de 1765 para 2931 unidades, crescendo 66,1%. A sua quota aumentou de 1,03% para 1,55%.
A MINI também apresenta um resultado positivo, com 2152 unidades contra 1655 no ano passado (+30%), enquanto a Volvo sobe 11,2%, para 4966.
Mais expressiva é novamente a MG: as 5181 matrículas representam um crescimento de 69,3%, colocando a marca já muito próxima da Nissan, que soma 5173.
A diferença entre ambas no acumulado é de apenas oito automóveis, mas as trajetórias são opostas: a MG cresce 69,3%, enquanto a Nissan cai 17,5%.
Xpeng e Leapmotor ganham escala, mas partem de bases reduzidas
Entre os fabricantes com volumes ainda menores, os números mostram a velocidade com que algumas novas marcas estão a conquistar espaço.
A Xpeng chegou a 1639 unidades, contra 647 nos primeiros nove meses de 2025, crescendo 153,3%.
A Leapmotor passou de 118 para 1473 automóveis, uma progressão superior a 1100%. Mais uma vez, a dimensão percentual é amplificada pela pequena base de comparação, mas o volume alcançado em 2026 já torna a marca mais relevante na leitura do mercado.
A Omoda acumula 1706 matrículas e a Jaecoo 1142, mas não existe uma base homóloga comparável. O mesmo acontece com outras entradas recentes, como Changan e Geely.
Esta distinção é importante: uma marca nova pode acrescentar centenas ou milhares de automóveis ao mercado sem que faça sentido apresentar uma taxa de crescimento quando o valor de partida é zero.
Renault perde mais de 1600 unidades no acumulado
Nas descidas, a Renault apresenta a maior perda absoluta entre as marcas de grande volume. Passou de 12.213 matrículas nos primeiros nove meses de 2025 para 10.550 em 2026: são menos 1663 automóveis, uma quebra de 13,6%.
A Mitsubishi regista uma contração ainda mais acentuada em termos percentuais, caindo de 2481 para 1140 unidades. São menos 1341 veículos e uma redução de 54,1%.
A Nissan perdeu 1096 matrículas, passando de 6269 para 5173 (-17,5%), enquanto a Ford recuou de 4350 para 3441, menos 909 unidades (-20,9%).
A Dacia perdeu 888 unidades (-6,7%), apesar de continuar na terceira posição do mercado. A Peugeot recuou 363 (-2,1%), e a Porsche caiu de 1219 para 1042 (-14,5%).
Entre marcas de menor volume, Alfa Romeo (-44,7%), Maserati (-40%) e DS (-21,8%) também apresentam quedas relevantes.
Um mercado a crescer 10%, mas com mudanças muito maiores por dentro
A leitura global poderia sugerir um mercado relativamente previsível: 188.912 matrículas e crescimento de 10,1% nos primeiros nove meses. A análise por marcas revela precisamente o contrário.
A Peugeot continua a liderar o ano, mas perde volume e quota. Mercedes-Benz mantém-se em segundo lugar e cresce moderadamente. Dacia recua, enquanto BMW, Volkswagen e Toyota avançam. A Tesla cresce 59,4% no acumulado e transforma setembro num mês excecional, com 14% de todo o mercado.
Mais abaixo no ranking, MG, Cupra, Xpeng e Leapmotor apresentam ritmos de expansão muito superiores à média, ao mesmo tempo que novas marcas como Omoda, Jaecoo, Changan e Geely começam a acrescentar volume sem uma base homóloga que permita ainda medir corretamente o crescimento.
Do outro lado estão Renault, Mitsubishi, Nissan e Ford, todas com perdas significativas no acumulado.
Setembro deixa, por isso, uma fotografia particularmente clara da transformação em curso: o mercado português está a crescer, mas esse crescimento está longe de ser distribuído de forma uniforme. E as diferenças entre quem ganha e quem perde espaço são muito maiores do que os 10,1% de crescimento global poderiam fazer supor.
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