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Volvo Cars regista prejuízos de 504 milhões de euros e anuncia redução de 2.500 postos de trabalho

há 1 minuto
10 min de leitura

A Volvo Cars encerrou o terceiro trimestre de 2026 com prejuízos operacionais de aproximadamente 504 milhões de euros, depois de ter registado lucros de 576 milhões de euros no mesmo período de 2025. A queda das receitas na China, a pressão das tarifas nos Estados Unidos e o agravamento dos custos levam a fabricante sueca a reforçar o plano de reestruturação, com uma poupança adicional prevista de 450 milhões de euros e uma redução estrutural de cerca de 2.500 postos de trabalho.


A Volvo Cars apresentou resultados negativos no terceiro trimestre de 2026, num período marcado pela deterioração das condições comerciais nos seus principais mercados internacionais. Entre julho e setembro, as receitas recuaram 22,6%, passando de aproximadamente 7,78 mil milhões para 6,02 mil milhões de euros, enquanto o resultado operacional passou de um lucro de 576 milhões para um prejuízo de 504 milhões de euros.


Excluindo os resultados de empresas participadas e os elementos que afetam a comparabilidade, o prejuízo operacional foi de aproximadamente 333 milhões de euros, equivalente a uma margem EBIT negativa de 5,6%. Um ano antes, este indicador apresentava um resultado positivo de 522 milhões de euros e uma margem de 6,7%.


A fabricante sueca atribui a deterioração dos resultados sobretudo à concorrência no mercado chinês, às alterações comerciais nos Estados Unidos e à pressão sobre os custos de produção. Perante este cenário, anunciou medidas adicionais de redução de despesas, uma reorganização da estrutura industrial e uma maior diferenciação dos produtos destinados à Europa, à China e à América do Norte.


Receitas caem 22,6% e margem operacional passa para terreno negativo

Os resultados do terceiro trimestre mostram uma inversão acentuada face ao período homólogo de 2025. A margem operacional reportada passou de 7,4% para -8,4%, enquanto o resultado básico por ação caiu de aproximadamente 0,16 euros positivos para um valor negativo de 0,15 euros.


O fluxo de caixa livre também se deteriorou, passando de aproximadamente -387 milhões de euros no terceiro trimestre de 2025 para -801 milhões de euros no mesmo período de 2026. Este último indicador merece particular atenção, uma vez que reflete os recursos financeiros disponíveis depois das necessidades de investimento. Um fluxo de caixa livre negativo significa que, durante o período, a atividade e os investimentos consumiram mais recursos do que aqueles que foram gerados.


A Volvo procura agora reduzir essa pressão financeira através de cortes de custos, contenção do investimento e reorganização das operações.


Principais indicadores financeiros da Volvo Cars

Indicador

3.º trimestre de 2026

3.º trimestre de 2025

Receitas

6,02 mil milhões €

7,78 mil milhões €

Resultado operacional (EBIT)

-504 milhões €

+576 milhões €

EBIT ajustado*

-333 milhões €

+522 milhões €

Margem EBIT reportada

-8,4%

+7,4%

Margem EBIT ajustada*

-5,6%

+6,7%

Resultado básico por ação

-0,15 €

+0,16 €

Quota de elétricos nas vendas

32%

22%

Quota de eletrificados nas vendas

53%

46%

Fluxo de caixa livre

-801 milhões €

-387 milhões €

O EBIT ajustado exclui os resultados de joint ventures e empresas associadas, bem como elementos que afetam a comparabilidade. Valores monetários convertidos para euros à taxa de referência do BCE de 22 de outubro de 2026 e arredondados.


A dimensão da quebra demonstra que a empresa enfrenta dificuldades que vão além de uma oscilação pontual nas vendas. O agravamento das margens e a saída de caixa colocam pressão sobre a capacidade de financiar novos produtos e manter a rentabilidade da operação.


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China: receitas recuam quase 50% perante a concorrência das marcas locais

A China foi um dos mercados que mais penalizaram os resultados da Volvo Cars.

Segundo a fabricante, as receitas no país diminuíram quase 50% em comparação com o terceiro trimestre de 2025, num contexto de concorrência intensa e pressão sobre os preços.


O mercado chinês de automóveis premium está a atravessar uma transformação, com fabricantes locais a apresentarem veículos eletrificados e sistemas digitais desenvolvidos especificamente para as preferências dos consumidores nacionais, que estão nitidamente abandonando as tradicionais marcas premium Europeias, e os resultados de marcas como Audi, BMW, Mercedes-Benz, Porsche e Volvo, apresentam reduçãos drásticas no seu desempenho comercial no maior mercado global de automóveis.

Esta evolução está a afetar as marcas premium tradicionais, que enfrentam concorrentes com ciclos de desenvolvimento mais curtos, forte integração tecnológica e estruturas de custos diferentes.


Para a Volvo, a resposta passa por adaptar os produtos ao mercado chinês, em vez de depender exclusivamente de modelos concebidos para comercialização global.

A empresa prevê apresentar, em meados de 2027, os primeiros dois de seis novos automóveis desenvolvidos especificamente para a China, em colaboração mais estreita com o Grupo Geely.


Estes veículos utilizarão uma arquitetura tecnológica adaptada ao mercado local, incluindo sistemas eletrónicos e tecnologias avançadas de assistência à condução (ADAS).

A Volvo confirmou que a apresentação e o início da produção dos dois primeiros modelos estão previstos para o mesmo período.


A reestruturação na China inclui também a concentração de operações administrativas, com a transferência do escritório comercial de Xangai para a sede local de Jiading.



Estados Unidos: tarifas e fim dos incentivos pressionam as margens

Nos Estados Unidos, os resultados foram afetados pelas tarifas comerciais e pela eliminação de incentivos aos consumidores para a aquisição de veículos eletrificados.

Segundo a Volvo Cars, estas alterações prejudicaram a competitividade de determinados modelos e aumentaram a pressão sobre as margens.


O trimestre incluiu ainda um impacto negativo de aproximadamente 99 milhões de euros associado à reavaliação de créditos CAFE, na sequência de alterações legislativas norte-americanas.


Os créditos CAFE estão relacionados com o cumprimento das regras de eficiência energética aplicáveis às frotas comercializadas nos Estados Unidos. Alterações ao enquadramento regulatório podem modificar o valor económico destes instrumentos e obrigar a ajustamentos contabilísticos.


A fabricante registou também um impacto negativo de cerca de 81 milhões de euros relacionado com o reconhecimento de prejuízos da Polestar referentes ao segundo trimestre de 2026.


A evolução desfavorável dos preços das matérias-primas constituiu outro fator de pressão.

Em conjunto, estes elementos contribuíram para agravar os resultados num trimestre em que as receitas já apresentavam uma redução significativa.


Volvo anuncia redução estrutural de 2.500 postos de trabalho

A resposta da Volvo Cars inclui um novo programa de redução de custos de aproximadamente 450 milhões de euros, adicional às medidas anteriormente implementadas.


O plano deverá conduzir a uma redução estrutural de cerca de 2.500 postos de trabalho a nível mundial, dos quais aproximadamente 2.000 na Suécia.


A empresa prevê alcançar este objetivo através do fim de contratos com consultores, saídas por rotatividade natural e programas de saída direcionados aos trabalhadores. A formulação apresentada pela Volvo não significa que os 2.500 postos correspondam exclusivamente a despedimentos diretos de trabalhadores efetivos. O número abrange diferentes mecanismos de redução da estrutura de pessoal.


A fabricante espera que os efeitos financeiros completos destas medidas sejam alcançados até ao final de 2027. Nessa altura, as despesas indiretas deverão estar quase 25% abaixo dos níveis registados no exercício de 2024.


O objetivo é reduzir os custos fixos e o volume de vendas necessário para que a atividade volte a apresentar resultados operacionais positivos.


Håkan Samuelsson, presidente e diretor executivo da Volvo Cars, reconheceu a necessidade de reforçar o plano de recuperação perante a deterioração das condições externas.


O responsável identificou a desglobalização, a concorrência intensa e as alterações climáticas como desafios estruturais para a indústria, defendendo que a empresa necessita de reduzir o seu ponto de equilíbrio financeiro e melhorar a geração de caixa no curto prazo.


Elétricos já representam 32% das vendas globais

Apesar dos resultados financeiros negativos, a Volvo Cars registou um aumento da participação dos automóveis elétricos nas suas vendas.

No terceiro trimestre de 2026, os modelos 100% elétricos representaram 32% do total, contra 22% no mesmo período de 2025. A quota de veículos eletrificados, incluindo elétricos a bateria e híbridos plug-in, passou de 46% para 53%.


Estes valores mostram uma alteração na composição das vendas, mas não permitem concluir, por si só, que o volume absoluto de elétricos tenha aumentado na mesma proporção. Uma quota superior pode resultar tanto do crescimento das vendas de elétricos como de uma redução mais acentuada das restantes motorizações.


Na Europa, a presença dos elétricos é ainda mais expressiva: os modelos a bateria representaram 45% das vendas da Volvo Cars durante o trimestre.


O contraste entre a evolução da eletrificação e a deterioração financeira demonstra um dos principais desafios da indústria automóvel: aumentar a participação dos veículos elétricos não garante automaticamente uma melhoria da rentabilidade.


Os custos de desenvolvimento, a pressão comercial, os investimentos industriais e a concorrência continuam a influenciar os resultados.


EX60 ultrapassa 50 mil encomendas, mas produção cresce abaixo do previsto

O Volvo EX60 ocupa uma posição central na estratégia de eletrificação da marca. Segundo a empresa, o SUV elétrico já ultrapassou as 50 mil encomendas na Europa, sendo apontado como um dos futuros modelos com maior contributo para a rentabilidade.


Contudo, a subida do ritmo de produção está a decorrer mais lentamente do que o inicialmente previsto. A Volvo associa esta situação à introdução de novas tecnologias industriais, incluindo a integração estrutural das células da bateria na carroçaria, conhecida como cell-to-body.


Esta solução permite utilizar o conjunto da bateria como parte integrante da estrutura do veículo, em vez de o tratar apenas como um componente instalado numa estrutura independente.


A arquitetura pode contribuir para melhorar o aproveitamento do espaço, reduzir determinados componentes e otimizar a integração entre bateria e carroçaria. Em contrapartida, exige processos industriais e métodos de montagem específicos, cuja implementação pode aumentar a complexidade da fase inicial de produção.


A Volvo afirma estar a aumentar progressivamente os volumes fabricados, mas não apresentou um novo calendário para atingir a capacidade inicialmente prevista.


Treze novos automóveis até 2030 e três apresentações já em 2027

Apesar da redução de custos, a Volvo Cars mantém um programa de renovação de produto que prevê 13 novos automóveis até ao final de 2030. A estratégia deixa de assentar exclusivamente numa oferta global uniforme e passa a atribuir maior importância às necessidades específicas de cada região.


Em 2027, a fabricante prevê apresentar três novos modelos: um destinado ao mercado europeu e dois desenvolvidos especificamente para a China. O novo automóvel europeu será 100% elétrico e terá como objetivo competir num segmento de maior volume e preço inferior ao de alguns dos atuais modelos da marca.


As primeiras entregas aos clientes estão previstas para depois do verão de 2027.

A Volvo considera que este produto poderá aumentar a sua presença no mercado europeu de elétricos e contribuir para melhorar as margens, embora ainda não tenha divulgado preços, dimensões, características técnicas ou volumes de produção previstos.


A decisão de desenvolver um elétrico destinado a uma faixa de preço mais acessível acompanha a necessidade de alargar a procura para além dos segmentos premium de maior valor.



XC60 e XC90 híbridos plug-in terão novas versões de maior autonomia

A Volvo também está a acelerar a introdução de novas versões híbridas plug-in de maior autonomia para os XC60 e XC90. As primeiras entregas europeias estão previstas ainda para 2026, seguindo-se o mercado norte-americano.


A decisão mostra que, apesar da importância crescente dos automóveis totalmente elétricos, a Volvo continua a considerar os híbridos plug-in uma componente relevante da sua estratégia comercial.


Nos mercados onde a infraestrutura de carregamento, os hábitos de utilização ou os incentivos fiscais apresentam condições diferentes, esta tecnologia pode funcionar como alternativa para clientes que ainda não pretendem depender exclusivamente de um veículo elétrico.


A vantagem de utilização de um híbrido plug-in, contudo, continua condicionada pela frequência de carregamento. Quando a bateria não é carregada regularmente, o peso adicional do sistema pode prejudicar a eficiência face a outras soluções de propulsão.


Produção do XC60 chega aos Estados Unidos em 2027

A reorganização industrial da Volvo Cars prevê uma maior localização da produção nos mercados de destino. Nos Estados Unidos, a fábrica de Charleston passará a produzir o XC60 a partir do primeiro trimestre de 2027.


A empresa pretende também acrescentar, até ao final da década, um segundo modelo totalmente novo à produção norte-americana, com diferentes opções de motorização. A medida procura reduzir a exposição às tarifas comerciais e aproximar a produção dos consumidores locais.


A Volvo está igualmente a reorganizar a sua estrutura comercial nos Estados Unidos, dividindo o mercado em quatro regiões para permitir decisões mais rápidas e uma gestão mais próxima das operações de vendas.


Esta estratégia representa uma resposta à crescente fragmentação das condições comerciais internacionais, em que a localização da produção se tornou um fator importante para a competitividade.


Cinco fábricas dedicadas e possibilidade de produção conjunta com a Geely

No plano industrial, a Volvo pretende concentrar a sua produção numa estrutura global composta por cinco fábricas dedicadas à marca.

Paralelamente, está a estudar a possibilidade de utilizar as unidades de Chengdu, na China, e de Ghent, na Bélgica, para montagem de veículos de diferentes marcas em cooperação com a Geely.


A fabricante não anunciou uma decisão definitiva sobre estas operações, pelo que a eventual produção multimarca permanece em avaliação. A cooperação industrial com a Geely deverá também abranger uma maior partilha de fornecedores e componentes de hardware.


Esta abordagem pode permitir economias de escala na aquisição de peças e reduzir custos de desenvolvimento, sobretudo em sistemas utilizados por vários modelos ou marcas do grupo. Ao mesmo tempo, a Volvo pretende continuar a reduzir as despesas de investigação e desenvolvimento, depois de ter estabelecido as bases tecnológicas das arquiteturas SPA3 e HuginCore.


A empresa considera que estas plataformas permitem desenvolver novos modelos sem repetir integralmente os investimentos realizados na criação da infraestrutura tecnológica.


Investimento recua cerca de 30% face a 2024

A Volvo Cars afirma ter ultrapassado o período de maior intensidade de investimento associado à renovação tecnológica e industrial. Segundo a fabricante, os atuais níveis de investimento são aproximadamente 30% inferiores aos registados em 2024.


A redução deverá contribuir para limitar as necessidades de financiamento e melhorar a geração de caixa, desde que seja acompanhada por uma recuperação das margens operacionais. A empresa pretende também ajustar a força de trabalho industrial aos volumes efetivos de produção, utilizando mecanismos de flexibilidade já existentes.


Estas medidas fazem parte de uma reorganização que procura adaptar a estrutura de custos a um mercado mais competitivo e menos previsível.


A recuperação dependerá mais das margens do que da eletrificação

Os resultados do terceiro trimestre de 2026 mostram uma Volvo Cars confrontada com dificuldades comerciais em dois dos seus mercados mais importantes, precisamente numa fase de forte transformação tecnológica.


A China exige produtos mais adaptados às preferências locais e uma estrutura de custos competitiva. Nos Estados Unidos, as tarifas e as alterações aos incentivos dificultam a comercialização de determinados veículos. Na Europa, a eletrificação continua a avançar, mas a pressão sobre os preços e os investimentos industriais limita a rentabilidade.


A marca mantém uma participação relevante no segmento premium de automóveis elétricos e prepara uma renovação extensa da gama até 2030. Contudo, o crescimento da quota de veículos eletrificados não foi suficiente para evitar prejuízos operacionais e um agravamento do fluxo de caixa.


A redução de 2.500 postos de trabalho, as poupanças adicionais de aproximadamente 450 milhões de euros e a maior cooperação industrial com a Geely representam uma tentativa de ajustar a estrutura da empresa a esta realidade.


O sucesso do plano dependerá da capacidade de recuperar as vendas nos mercados mais pressionados, aumentar a produção dos novos modelos e transformar a evolução tecnológica em resultados financeiros positivos.


Para a Volvo Cars, o desafio já não é apenas aumentar a presença dos automóveis elétricos. É conseguir produzi-los e comercializá-los com margens sustentáveis, num mercado global onde a concorrência e as regras comerciais estão a mudar rapidamente.


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