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Dakar 2026: como a organização “constrói” o rali mais duro do mundo antes mesmo da partida

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    Redação Europa
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Dakar 2026: como a organização “constrói” o rali mais duro do mundo antes mesmo da partida

Antes de os carros chegarem ao Mar Vermelho, o Dakar já está a ser disputado — em gabinetes, em pistas de terra perdidas no mapa e em quilómetros de reconhecimento no deserto. Do desenho do traçado à validação de segurança, da produção do roadbook à montagem de bivouacs, a edição de 2026 (3 a 17 de janeiro) é o resultado de meses de preparação logística e técnica, num exercício de engenharia operacional à escala continental.


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Um rali que começa muito antes do cronómetro

A imagem pública do Dakar é a de 15 dias de combate no deserto. A realidade é outra: o “pré-rali” é um projecto contínuo, coordenado pela ASO (Amaury Sport Organisation), que combina planeamento de percurso, autorizações locais, segurança, medicina de emergência, comunicações e infraestrutura temporária para milhares de pessoas em movimento.


A edição de 2026 volta a realizar-se na Arábia Saudita e apresenta um desenho que liga partida e chegada em Yanbu, com um total aproximado de 8.000 km e perto de 5.000 km cronometrados, distribuídos por 13 etapas, além do dia de descanso (em Riade).


Como se escolhe o traçado: variedade, risco e “efeito surpresa”

A escolha do traçado não é apenas geográfica; é uma equação desportiva e operacional. A organização procura equilibrar:

  • Variedade de terrenos (dunas rápidas, pedra, pistas estreitas, sectores técnicos e zonas de navegação);

  • Risco controlado (locais de evacuação, acessos, cobertura de comunicações);

  • Ritmo competitivo (dias em que “abrir pista” pesa e dias em que a robustez decide);

  • Rotação de zonas para não repetir sempre os mesmos sectores e manter o desafio de navegação.


No desenho apresentado para 2026, o percurso atravessa pontos mediáticos e logísticos como AlUla, Riade, Wadi Ad-Dawasir, Bisha e Al Henakiyah, combinando deserto aberto com sectores de leitura fina do terreno.


Dakar 2026: como a organização “constrói” o rali mais duro do mundo antes mesmo da partida

Dakar 2026: como a organização “constrói” o rali mais duro do mundo antes mesmo da partida
Dakar 2026: como a organização “constrói” o rali mais duro do mundo antes mesmo da partida

Reconhecimentos: quando o Dakar é “medido a metro”

Depois do esboço do itinerário, começa a fase menos visível e uma das mais determinantes: os reconhecimentos. Equipas da organização percorrem os sectores para:

  • validar passagem e alternativas;

  • identificar pontos perigosos (declives cegos, cruzamentos, “fesh-fesh”, pedra solta);

  • seleccionar zonas de controlo, abastecimento e evacuação;

  • ajustar distâncias e tempos de ligação.

É também nesta fase que se decide onde a etapa deve “morder” — e onde deve permitir gestão. O Dakar é longo; a organização sabe que a prova não se ganha num dia, mas pode perder-se em minutos.


Dakar 2026: como a organização “constrói” o rali mais duro do mundo antes mesmo da partida

Roadbook: o manual que decide vitórias (e evita acidentes)

O roadbook é o coração do rali-raid: um documento de navegação que descreve o percurso por notas, símbolos e referências quilométricas. A sua elaboração resulta dos reconhecimentos e de validações sucessivas, para reduzir ambiguidades e assinalar perigos.

Nos últimos anos, a prova reforçou medidas para limitar a “pré-navegação” e proteger o carácter desportivo — com maior controlo do acesso à informação do percurso e maior peso da navegação em tempo real.


As etapas maratona: quando o dia termina sem ajuda

O Dakar 2026 volta a incluir duas etapas maratona, em que os concorrentes não podem contar com assistência externa. Para a organização, isto implica montar zonas com regras próprias (parque fechado, materiais autorizados, controlo reforçado) e garantir capacidade de resposta médica e de segurança mesmo em áreas mais remotas.


Dakar 2026: como a organização “constrói” o rali mais duro do mundo antes mesmo da partida

Bivouacs, energia, comunicações e medicina: uma cidade que muda de lugar

A cada dia, o Dakar instala e desmonta uma espécie de cidade móvel. O bivouac não é um “acampamento”: é um centro de operações com alimentação, energia, abastecimento, zonas de trabalho, estruturas médicas e coordenação desportiva. A cadeia de abastecimento precisa de sincronizar:

  • tempos de chegada/partida;

  • tráfego de camiões de apoio;

  • gestão de resíduos e impacto local;

  • corredores para evacuação médica.


Segurança e coordenação local: o lado que não aparece nas imagens

Em rali-raid, a segurança não se resume a capacetes. Depende de coordenação com autoridades locais, planeamento de acessos e controlo de zonas de espectadores, além da capacidade de “fechar” sectores e reencaminhar a prova se necessário. A Arábia Saudita, enquanto anfitriã, é peça central nesta engrenagem — não só pelos territórios, mas pela infraestrutura e pelo dispositivo de apoio ao evento.


Fotos: Horacio Cabilla | Restarts Studio ASO Press


Dakar 2026: como a organização “constrói” o rali mais duro do mundo antes mesmo da partida
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