
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de dez. de 2025






















Antes de os carros chegarem ao Mar Vermelho, o Dakar já está a ser disputado — em gabinetes, em pistas de terra perdidas no mapa e em quilómetros de reconhecimento no deserto. Do desenho do traçado à validação de segurança, da produção do roadbook à montagem de bivouacs, a edição de 2026 (3 a 17 de janeiro) é o resultado de meses de preparação logística e técnica, num exercício de engenharia operacional à escala continental.
A imagem pública do Dakar é a de 15 dias de combate no deserto. A realidade é outra: o “pré-rali” é um projecto contínuo, coordenado pela ASO (Amaury Sport Organisation), que combina planeamento de percurso, autorizações locais, segurança, medicina de emergência, comunicações e infraestrutura temporária para milhares de pessoas em movimento.
A edição de 2026 volta a realizar-se na Arábia Saudita e apresenta um desenho que liga partida e chegada em Yanbu, com um total aproximado de 8.000 km e perto de 5.000 km cronometrados, distribuídos por 13 etapas, além do dia de descanso (em Riade).
A escolha do traçado não é apenas geográfica; é uma equação desportiva e operacional. A organização procura equilibrar:
Variedade de terrenos (dunas rápidas, pedra, pistas estreitas, sectores técnicos e zonas de navegação);
Risco controlado (locais de evacuação, acessos, cobertura de comunicações);
Ritmo competitivo (dias em que “abrir pista” pesa e dias em que a robustez decide);
Rotação de zonas para não repetir sempre os mesmos sectores e manter o desafio de navegação.
No desenho apresentado para 2026, o percurso atravessa pontos mediáticos e logísticos como AlUla, Riade, Wadi Ad-Dawasir, Bisha e Al Henakiyah, combinando deserto aberto com sectores de leitura fina do terreno.



Depois do esboço do itinerário, começa a fase menos visível e uma das mais determinantes: os reconhecimentos. Equipas da organização percorrem os sectores para:
validar passagem e alternativas;
identificar pontos perigosos (declives cegos, cruzamentos, “fesh-fesh”, pedra solta);
seleccionar zonas de controlo, abastecimento e evacuação;
ajustar distâncias e tempos de ligação.
É também nesta fase que se decide onde a etapa deve “morder” — e onde deve permitir gestão. O Dakar é longo; a organização sabe que a prova não se ganha num dia, mas pode perder-se em minutos.

O roadbook é o coração do rali-raid: um documento de navegação que descreve o percurso por notas, símbolos e referências quilométricas. A sua elaboração resulta dos reconhecimentos e de validações sucessivas, para reduzir ambiguidades e assinalar perigos.
Nos últimos anos, a prova reforçou medidas para limitar a “pré-navegação” e proteger o carácter desportivo — com maior controlo do acesso à informação do percurso e maior peso da navegação em tempo real.
O Dakar 2026 volta a incluir duas etapas maratona, em que os concorrentes não podem contar com assistência externa. Para a organização, isto implica montar zonas com regras próprias (parque fechado, materiais autorizados, controlo reforçado) e garantir capacidade de resposta médica e de segurança mesmo em áreas mais remotas.

A cada dia, o Dakar instala e desmonta uma espécie de cidade móvel. O bivouac não é um “acampamento”: é um centro de operações com alimentação, energia, abastecimento, zonas de trabalho, estruturas médicas e coordenação desportiva. A cadeia de abastecimento precisa de sincronizar:
tempos de chegada/partida;
tráfego de camiões de apoio;
gestão de resíduos e impacto local;
corredores para evacuação médica.
Em rali-raid, a segurança não se resume a capacetes. Depende de coordenação com autoridades locais, planeamento de acessos e controlo de zonas de espectadores, além da capacidade de “fechar” sectores e reencaminhar a prova se necessário. A Arábia Saudita, enquanto anfitriã, é peça central nesta engrenagem — não só pelos territórios, mas pela infraestrutura e pelo dispositivo de apoio ao evento.
Fotos: Horacio Cabilla | Restarts Studio ASO Press


👉 “A Revista Publiracing acredita em jornalismo isento, relevante e de qualidade. Se também valoriza informação independente, considere apoiar o nosso trabalho.”
Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo































Comentários