XPENG vai integrar Google Play nos seus automóveis a partir de 2027 e ampliar acesso a aplicações sem smartphone

A XPENG anunciou o alargamento da colaboração tecnológica com a Google, que permitirá instalar e utilizar aplicações diretamente nos sistemas multimédia dos seus automóveis elétricos. A integração do Google Play, baseada no Android Automotive OS, deverá começar no início de 2027, mas a fabricante ainda não identificou os modelos abrangidos nem confirmou quando a funcionalidade estará disponível em Portugal.
A XPENG prepara uma nova etapa na evolução dos sistemas digitais dos seus veículos, com a introdução do Google Play nos cockpits inteligentes da marca. O anúncio, realizado a 22 de outubro, prevê o acesso a centenas de aplicações desenvolvidas para utilização automóvel, dispensando a ligação a um smartphone para executar os serviços compatíveis.
A implementação será progressiva nos mercados internacionais e representa um aprofundamento da relação entre a fabricante chinesa e a Google, iniciada anteriormente na área da navegação. O objetivo é disponibilizar um conjunto mais alargado de serviços através dos ecrãs dos veículos, mantendo a integração com o sistema operativo e com o assistente de voz da XPENG.
A novidade poderá alterar a forma como os proprietários utilizam o sistema de infoentretenimento, embora o seu alcance dependa das aplicações efetivamente disponibilizadas, das restrições de segurança e das características de cada modelo.
Google Play integrado: qual é a diferença face ao Android Auto?
A principal mudança está na possibilidade de instalar e executar aplicações diretamente no automóvel.
Atualmente, sistemas como o Android Auto e o Apple CarPlay permitem apresentar determinadas funcionalidades de um smartphone no ecrã do veículo. Com o Google Play integrado no Android Automotive OS, as aplicações compatíveis podem funcionar no próprio sistema multimédia, sem depender do processamento ou da ligação física do telemóvel.
Esta distinção não significa, contudo, que todas as aplicações disponíveis num smartphone possam ser utilizadas no automóvel.
O catálogo é condicionado pelos requisitos de compatibilidade e segurança definidos para o ambiente automóvel, existindo limitações específicas para funcionalidades que possam distrair o condutor.
Segundo a XPENG, a oferta abrangerá várias categorias, incluindo música, podcasts, navegação, serviços de carregamento e estacionamento, notícias e aplicações de utilização quotidiana.
Estão igualmente previstos serviços de vídeo e jogos, destinados a situações em que o veículo se encontra estacionado, como durante uma paragem para carregamento.
A fabricante refere que o ecossistema disponibiliza centenas de aplicações em mais de 100 países e regiões, mas não divulgou uma lista definitiva dos serviços que estarão acessíveis nos seus veículos.
Assistente de voz com inteligência artificial poderá interagir com as aplicações
A integração será desenvolvida sobre o Android Automotive OS e funcionará em conjunto com o cockpit inteligente da XPENG.
Um dos elementos anunciados é a possibilidade de utilizar o assistente de voz multilingue com inteligência artificial da marca para abrir e interagir com as aplicações instaladas.
Na prática, esta funcionalidade poderá reduzir a necessidade de navegar manualmente pelos menus do sistema multimédia para executar determinadas operações.
Atualizações de aplicações sem depender de grandes intervenções no software do veículo
Outra consequência da integração está relacionada com a manutenção e evolução dos serviços digitais.
Através do Google Play, os programadores poderão disponibilizar novas versões das suas aplicações sem exigir, em todos os casos, uma atualização completa do software do automóvel.
Esta abordagem permite separar parte da evolução das aplicações do ciclo de desenvolvimento do sistema operativo e das restantes funções eletrónicas do veículo.
Não elimina, porém, a necessidade de atualizações remotas OTA (Over-the-Air) para componentes do automóvel, correções de segurança, alterações de compatibilidade ou novas funcionalidades do próprio sistema.
A experiência dependerá também da capacidade de processamento do hardware instalado, da disponibilidade de ligação à Internet e do suporte prestado ao longo da vida útil do veículo.
Para os proprietários, a continuidade das atualizações e a compatibilidade futura das aplicações serão aspetos tão relevantes como a dimensão inicial do catálogo.
Colaboração com a Google começou pela navegação
O anúncio surge poucos meses depois de a XPENG ter comunicado, em julho de 2026, a integração do Auto SDK do Google Maps.
Essa colaboração permitiu desenvolver uma experiência de navegação adaptada aos sistemas da fabricante e disponibilizar informação cartográfica para apoiar determinadas funcionalidades dos sistemas avançados de assistência à condução nos mercados internacionais.
A integração do Google Play alarga agora essa relação a outras áreas, nomeadamente entretenimento, serviços de mobilidade e aplicações de terceiros.
Trata-se de uma evolução com implicações diferentes das relacionadas com a condução assistida. A presença de aplicações Google no sistema multimédia não altera, por si só, as capacidades de condução autónoma dos automóveis nem dispensa a intervenção do condutor.
A XPENG mantém o desenvolvimento dos seus próprios sistemas eletrónicos, software de bordo e tecnologias de assistência à condução, enquanto recorre ao ecossistema da Google para disponibilizar serviços digitais adicionais.
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