
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de dez. de 2025



















Vinte anos depois do seu nascimento, o Bugatti Veyron continua a ser um marco irrepetível na história do automóvel.
Para Loris Bicocchi, piloto responsável por levar os primeiros protótipos ao extremo, o projecto não foi apenas um desafio técnico, mas uma experiência emocional que redefiniu o significado de desempenho, responsabilidade e legado.
Na história da indústria automóvel, poucos modelos conseguiram criar um segmento próprio.
O Bugatti Veyron não só o fez como obrigou engenheiros, pilotos e fabricantes a repensar tudo o que se julgava possível. Com 1.001 cavalos, 16 cilindros e capacidade para ultrapassar os 400 km/h, tornou-se o primeiro verdadeiro “hiperdesportivo” moderno.
Para Loris Bicocchi, então especialista de testes de alta velocidade da Bugatti, o Veyron era uma máquina sem paralelo. Mesmo após anos a trabalhar com modelos como o EB110 GT e SS, nada o tinha preparado para o impacto daquele novo projecto iniciado em 2001.
“Todos falavam dos rumores: 1.001 cavalos, mais de 400 km/h, dezasseis cilindros. Ainda hoje fico arrepiado quando digo estes números”, recorda.

O primeiro ensaio aconteceu na pista de testes da Michelin, em Ladoux, perto de Clermont-Ferrand, ao volante de um protótipo vermelho e preto. A ansiedade foi tal que Bicocchi se apresentou um dia antes do início oficial dos testes.
“Quando os engenheiros chegaram, eu já tinha passado horas dentro do carro. Estava completamente focado em transmitir as minhas primeiras impressões. Ficámos todos espantados com o que o carro já era capaz de fazer.”

Naquele momento, o Veyron oferecia o dobro da potência de qualquer outro automóvel de produção. Bicocchi admite que não se atreveu, de início, a acelerar a fundo. Era algo “impressionante, quase inexplicável”.
A partir dos 300 km/h, tudo muda. A aerodinâmica, a estabilidade e a travagem deixam de obedecer às regras conhecidas. Cada detalhe passava a ser crítico.
“Tive de apagar todas as referências construídas ao longo da minha carreira. O Veyron era simplesmente incomparável a qualquer coisa que tivesse conduzido antes.”
Mas o desafio não se resumia à velocidade absoluta. A ambição da Bugatti era criar um automóvel capaz de ser conduzido com segurança por qualquer utilizador, não apenas por pilotos profissionais.
“Era uma enorme responsabilidade. Queríamos um carro incrível, mas que pudesse ser usado por qualquer pessoa. Foi um verdadeiro trabalho de equipa, aprendemos todos juntos.”

Durante as viagens entre centros de testes, Bicocchi aprofundou o conhecimento sobre a história da marca e sobre Ettore Bugatti. O Veyron simbolizava o renascimento de uma herança que remontava a 1909, algo que para o piloto italiano acrescentava uma dimensão quase emocional ao projecto.
Um dos momentos mais marcantes ocorreu na pista de alta velocidade de Ehra-Lessien, na Alemanha.
“Pedirem-me para acelerar totalmente e depois travar a mais de 400 km/h foi ao mesmo tempo stressante e excitante. Quando cumprimos o objectivo e toda a equipa vem ter connosco, sentimos que fazemos parte de uma família – e da própria história.”

Duas décadas depois, o Bugatti Veyron continua a ser visto como um divisor de águas. Para Bicocchi, a sua relevância mantém-se intacta por uma razão essencial: a intemporalidade.
“Um Bugatti deve ser sempre intemporal. Quando se olha para o design e para as linhas, percebe-se que não pertencem a uma única época. É isso que torna a marca tão especial.”
Mais do que números ou recordes, o Veyron ficou para a história como o momento em que o impossível se tornou realidade — e como um automóvel que continua, ainda hoje, a provocar a mesma emoção de quando foi criado.
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