Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 7 dias


Redação Europa
12 de dez. de 2025


Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
8 de dez. de 2025















Poucas semanas após a reapresentação da marca em Linares, a histórica Santana escolheu o Rally Dakar 2026 como palco para o seu regresso ao universo automóvel, utilizando a competição como laboratório extremo para validar tecnologia, fiabilidade e imagem, numa estratégia clara de reposicionamento internacional.
O arranque da aventura da Santana no Dakar 2026 marca mais do que a estreia do protótipo Santana Pick-Up T1+. Representa a primeira ação pública de uma marca que esteve anos afastada do mercado e que agora pretende reconstruir a sua identidade através da competição, cenário onde os construtores colocam à prova aquilo que pretendem vender amanhã.
À frente do Santana Racing Team estarão o aventureiro Jesús Calleja e o CEO da marca, Edu Blanco, dois nomes com passado no Dakar e que personificam a ligação entre o renascimento industrial e a dimensão emocional do projeto. A dupla competirá com um protótipo desenvolvido a partir da base técnica do Century CR7, com o apoio da sul-africana Century Racing, referência no rally-raid internacional.
O Santana Pick-Up T1+ apresenta um chassis multitubular de alta resistência, carroçaria em fibra de carbono e um motor V6 biturbo de 2,9 litros com 430 cv e 660 Nm de binário, associado a uma caixa sequencial SADEV de seis velocidades e a diferenciais Fortin. A base é comum a outros projetos de topo da categoria T1+, mas a marca espanhola tratou de imprimir uma identidade própria, nomeadamente na frente, inspirada no design do Santana 400, já comercializado em Espanha.


Competição como laboratório industrial
Mais do que alinhar um carro de corrida, a Santana deslocou para a Arábia Saudita dois veículos de produção — Santana 400 D e Santana 400 PHEV — que irão acompanhar o rali como viaturas de assistência. Estas unidades transportarão pessoal, material e equipamento fotográfico ao longo de um percurso paralelo ao da prova, funcionando como banco de ensaio em condições reais de deserto, calor extremo, areia profunda e longas etapas.
A marca assume este programa como um verdadeiro “teste de vida” para os seus novos modelos, recolhendo dados sobre fiabilidade, consumo, comportamento térmico e resistência estrutural, elementos decisivos para o relançamento comercial da gama.
Uma dupla unida pela experiência
Jesús Calleja regressa ao Dakar pela sexta vez, depois de se ter estreado em 2011 e de ter alcançado a meta em 2020. Para o aventureiro espanhol, o rali continua a ser uma síntese de tudo aquilo que o move: superação, contacto com a natureza e a capacidade de enfrentar o inesperado.
Ao seu lado estará Edu Blanco, que soma 17 participações no Dakar como navegador e gestor de equipa. Para o atual CEO da Santana Motors, esta participação simboliza o verdadeiro renascimento da marca: “Santana não volta apenas como fabricante, mas também como estrutura de competição, com vocação internacional”, sublinhando que a escolha do Dakar não é simbólica, mas estratégica.

Um Dakar exigente para um regresso sem margem de erro
O Dakar 2026 parte de Yanbu, no Mar Vermelho, com um prólogo de 23 quilómetros a 3 de janeiro, seguido de quase 8.000 quilómetros de percurso total, 4.480 deles cronometrados, distribuídos por duas semanas. A edição inclui duas etapas maratona — sem assistência externa — e vários dias acima dos 400 quilómetros de especial, colocando a fiabilidade no centro das atenções.
O traçado, desenhado para equilibrar dificuldade, estratégia e desgaste mecânico, volta a percorrer regiões já conhecidas da Arábia Saudita, embora sem incursões no Empty Quarter, mantendo contudo elevados níveis de areia, pistas rápidas e zonas técnicas.
Para a Santana, cada quilómetro será um passo decisivo no processo de reconstrução da marca, que utiliza a prova mais dura do mundo como montra e laboratório para demonstrar que está pronta para voltar ao mercado com produtos credíveis.
👉 “A Revista Publiracing acredita em jornalismo isento, relevante e de qualidade. Se também valoriza informação independente, considere apoiar o nosso trabalho.”
Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo
























