
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 3 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















Num Dakar descrito pelos próprios pilotos como o mais aberto da história, Nasser Al-Attiyah conquista o sexto título com uma exibição de controlo absoluto até Yanbu.
“A corrida nunca esteve tão aberta na história do Dakar.” A frase, repetida em uníssono pelos principais pilotos, resume com precisão a 48.ª edição do rali mais duro do mundo. Num cenário inédito, com um pelotão recheado de campeões, máquinas de topo e diferenças mínimas ao longo de duas semanas de competição, Nasser Al‑Attiyah voltou a destacar-se para garantir o sexto triunfo da carreira, somando mais um troféu beduíno a um palmarés que já o coloca definitivamente entre as maiores lendas da prova.
A vitória teve um peso especial pela forma como foi construída. Mais do que ataques espetaculares, Al-Attiyah assinou uma verdadeira lição de estratégia e autocontrolo, com um plano rigoroso assente em dois dias-chave, onde a gestão da posição de partida se revelou determinante. Uma abordagem quase militar, executada com precisão cirúrgica, que lhe permitiu controlar o ritmo do Dakar desde os momentos decisivos até à consagração final em Yanbu.
A etapa 6, um mar de dunas com cerca de 300 quilómetros, marcou o início da ofensiva decisiva. Foi aí que o piloto da Dacia lançou as bases do seu sucesso, assumindo a liderança num Dakar particularmente compacto, com os cinco primeiros separados por apenas 12 minutos no dia de descanso. Superado o segundo teste de maratona, Al-Attiyah voltou a atacar no momento certo.
Segundo classificado numa especial ganha por Mathieu Serradori, o qatari abriu a diferença que se revelou determinante. Para fechar a obra, venceu a penúltima etapa, reforçando o estatuto histórico com a 50.ª vitória em especiais, igualando Ari Vatanen e Stéphane Peterhansel entre os gigantes do Dakar.

Atrás do Dacia Sandrider nº 299, o pódio foi alvo de constantes trocas até aos últimos dias. Henk Lategan, segundo classificado em 2025, parecia ser a última esperança da Toyota Hilux, mas um problema mecânico na etapa 11, com a falha de um rolamento no cubo da roda traseira, afastou-o definitivamente da luta quando tentava recuperar os 12 minutos que o separavam da liderança.
Sempre presentes no topo, as Ford Raptor venceram seis especiais ao longo do rali e colocaram pelo menos um carro no top-3 durante toda a prova. Já em Yanbu, Nani Roma protagonizou um esforço heróico para segurar o 2.º lugar, apesar de danos significativos na frente do carro, contando com a ajuda de várias equipas para chegar ao bivouac dentro do tempo regulamentar.
A luta pelo último lugar do pódio foi igualmente intensa. Mattias Ekström defendeu uma vantagem mínima de 29 segundos face a Sébastien Loeb nos derradeiros 105 quilómetros. O sueco não só manteve o 3.º lugar, como terminou o Dakar tal como o iniciou, vencendo a especial final em Yanbu. Loeb, por sua vez, ficou fora do pódio do Dakar pela primeira vez, a apenas 37 segundos do top-3.
Com margens historicamente reduzidas, os Toyota ocuparam os três últimos lugares do top-10, com Toby Price em 8.º, Seth Quintero em 9.º e Saood Variawa em 10.º.
Mais atrás, Serradori repetiu o 6.º lugar de 2025, desta vez com uma vitória em especiais, enquanto entre os buggies MD Rallye Optimus o duelo foi ganho por Simon Vitse frente a Christian Lavieille.
Na classe Stock, a estreia da Defender terminou de forma perfeita, com vitória de Rokas Baciuška, que chegou a Yanbu com quase quatro horas de vantagem sobre Sara Price. Os Toyota Land Cruiser resistiram bem, com Ronald Basso no 3.º lugar, enquanto Peterhansel fechou o seu 36.º Dakar em 4.º na categoria, num dos desafios mais exigentes da sua longa carreira.
Quantos aos pilotos que falam português, o brasileiro Lucas Moraes terminou em 7º, João Ferreira foi 18º e Maria Gameiro cumpriu seu objetivo de chegar ao fim na 42ª posição final.
Fotos: ASO Press
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