
Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
há 2 dias



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















Em vigor desde 1 de janeiro de 2026, a nova regulamentação europeia endurece os critérios de homologação dos PHEV, aproxima os valores laboratoriais da utilização real e obriga à reavaliação de modelos que até aqui apresentavam emissões muito baixas no papel.
A entrada em vigor da Euro 6e-bis está a provocar uma mudança profunda na forma como são medidos os consumos e as emissões dos veículos híbridos plug-in (PHEV) vendidos na União Europeia. Desde 1 de janeiro de 2026, todos os modelos comercializados passaram a estar sujeitos a critérios de homologação mais exigentes, o que se traduziu num aumento significativo dos valores certificados de consumo e de emissões de CO₂ em muitos automóveis atualmente no mercado.
Segundo os dados divulgados no âmbito da nova regulamentação, a Euro 6e-bis surge para corrigir uma discrepância amplamente reconhecida entre os valores homologados em laboratório e as emissões reais em utilização quotidiana dos PHEV. Durante anos, estes modelos beneficiaram de pressupostos otimistas quanto à utilização em modo elétrico, o que resultou em emissões oficiais muito reduzidas, frequentemente distantes do uso real por parte dos condutores.
A mudança afeta sobretudo os modelos homologados antes de 1 de janeiro de 2025, que constituem a maioria da oferta atual. Todos estes veículos tiveram de ser re-homologados de acordo com os novos parâmetros para poderem continuar a ser comercializados no espaço europeu. Já os modelos certificados a partir dessa data passaram automaticamente a cumprir as novas regras.
Um dos exemplos mais ilustrativos do impacto da nova norma é o Ford Kuga PHEV. O modelo passou de valores homologados de 0,9 l/100 km e 20 g/km de CO₂ para 2,7 l/100 km e 52 g/km de CO₂ após a aplicação da metodologia Euro 6e-bis, evidenciando a dimensão do ajustamento introduzido.
O foco específico nos PHEV distingue a Euro 6e-bis das fases anteriores da norma Euro 6, que se concentraram sobretudo na redução de poluentes como os óxidos de azoto (NOₓ) e partículas, bem como na introdução dos testes de Emissões Reais de Condução (RDE). A nova fase acrescenta exigências próprias para os híbridos plug-in, nomeadamente no cálculo do chamado “fator de utilidade”, que estima a proporção de utilização em modo elétrico face ao modo de combustão.
Neste ponto, a alteração é estrutural: a distância de referência utilizada para calcular o fator de utilidade dos PHEV aumenta de 800 para 2.200 quilómetros, passando posteriormente para 4.260 km na fase Euro 6e-bis-FCM. Este alargamento reduz o peso atribuído à condução puramente elétrica e aproxima o resultado final do comportamento médio observado no mundo real.
A Euro 6e-bis reforça ainda as condições dos testes RDE, com intervalos de temperatura mais amplos — agora entre 0 °C e 35 °C em condições normais — e margens mais restritivas para os sistemas portáteis de medição de emissões (PEMS). Pela primeira vez, a norma introduz também indicadores específicos de estratégia auxiliar de emissões e alarga a obrigatoriedade dos sistemas de monitorização de consumo de combustível e energia (OBFCM) a mais categorias de veículos.
De acordo com a análise desenvolvida pela Arval Consulting, estas alterações têm implicações diretas para fabricantes, empresas e clientes particulares. Por um lado, os construtores veem-se obrigados a re-avaliar a sua estratégia de produto, uma vez que o aumento das emissões homologadas dificulta o cumprimento do limite médio de 115 g/km de CO₂ imposto pela União Europeia até 2027, sob pena de sanções financeiras.
Por outro lado, o impacto fiscal poderá tornar-se relevante em alguns mercados. Em cenários hipotéticos, modelos que ultrapassem os 120 g/km de CO₂ após a nova homologação poderão ficar sujeitos a impostos adicionais na matrícula, influenciando o preço final e as decisões de compra ou renovação de frota. Importa, contudo, sublinhar que os veículos já matriculados ou que já dispõem de etiqueta ambiental não são afetados retroativamente.
Num contexto em que a credibilidade ambiental e a coerência regulatória ganham peso, a Euro 6e-bis marca uma viragem clara na abordagem europeia aos híbridos plug-in. Ao aproximar os números oficiais da realidade, a nova norma poderá acelerar uma reorientação do mercado para os veículos 100% elétricos, colocando em causa o papel dos PHEV como solução de transição tal como foi entendida na última década.
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