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17 de jan.



Artur Semedo - artur.semedo@publiracing.pt
31 de dez. de 2025



Redação Europa
12 de dez. de 2025



















O lendário Chassis 5.0 foi o protótipo que transformou um conceito visionário em realidade e marcou o nascimento de uma nova era automóvel
No início dos anos 2000, a indústria automóvel vivia um momento de viragem. O então presidente do Grupo Volkswagen, Prof. Dr. Ferdinand Karl Piëch, desafiava os limites da engenharia com um objetivo aparentemente impossível: criar um automóvel com mais de 1.000 cavalos, capaz de superar os 400 km/h, mas que, ao mesmo tempo, oferecesse conforto e requinte suficientes para chegar à ópera ao fim do dia.
O resultado desse desafio seria o Bugatti Veyron 16.4, um automóvel que redefiniu o significado de performance e inaugurou oficialmente o conceito de hipercarro. Mas antes de o modelo chegar às estradas, foi preciso transformar o sonho em engenharia concreta — e essa missão teve um protagonista discreto, mas decisivo: o Chassis 5.0, um dos seis protótipos pré-série que prepararam o caminho para o Veyron de produção.
Em 2005, quando o Chassis 5.0 tocou o asfalto pela primeira vez, a Bugatti enfrentava desafios técnicos inéditos. O carro contava com dez radiadores, uma caixa de dupla embraiagem DSG de sete velocidades — desenvolvida pelo então diretor técnico Dr. Wolfgang Schreiber — e o lendário motor W16 de 8,0 litros com quatro turbocompressores, criado sob a direção de Gregor Gries e do falecido Dr. Karl-Heinz Neumann.

Essas soluções, testadas durante centenas de milhares de quilómetros, foram aperfeiçoadas nos protótipos que antecederam o Chassis 5.0. O objetivo: domar uma potência colossal sem comprometer a fiabilidade nem o conforto.
“Lembro-me de cada detalhe do meu primeiro contacto com o Chassis 5.0. O som e a força do W16 eram algo puro e visceral. Foi nesse momento que percebi que o sonho do Dr. Piëch tinha-se tornado realidade”, recorda Christophe Piochon, atual presidente da Bugatti Automobiles e, à época, responsável pela qualidade de produção.
Mais do que um protótipo de testes dinâmicos, o Chassis 5.0 foi uma ferramenta de desenvolvimento e homologação. Serviu para validar processos de montagem, aperfeiçoar superfícies de alumínio e fibra de carbono, testar a qualidade da pintura e até redefinir métodos de controlo de qualidade.

Foi neste carro que os engenheiros da Bugatti instalaram placas de titânio nos travões, uma solução que permitiu atingir a temperatura ideal de funcionamento e garantir travagens consistentes mesmo sob esforço extremo.
O legado do Chassis 5.0 estendeu-se muito além do Veyron: influenciou diretamente a construção do Chiron, o sucessor que herdou a filosofia e o rigor técnico aperfeiçoados neste protótipo.
Depois de cumprir a sua função como veículo de testes, o Chassis 5.0 assumiu um novo papel: apresentar o Veyron ao mundo. Participou na inauguração do Atelier de Molsheim, realizou os primeiros ensaios internacionais em Sicília e protagonizou aparições televisivas icónicas, incluindo o programa Top Gear, da BBC.
O carro também serviu de vitrine para Pierre-Henri Raphanel, ex-piloto das 24 Horas de Le Mans e primeiro “Pilote Officiel” da marca, que conduziu o Veyron em demonstrações e eventos por todo o mundo.
Mais tarde, o Chassis 5.0 ganhou uma nova pintura — preto e prateado metálico — e regressou à sede da marca, onde hoje é exibido como símbolo da fusão entre herança, paixão e engenharia extrema.

“Cada sonho começa com uma centelha de inspiração. O Chassis 5.0 foi o ponto de viragem que tornou o Veyron possível — uma obra de engenharia que redefiniu o significado de performance e elegância”, afirmou Christophe Piochon, ao celebrar os 20 anos do hipercarro.
O Bugatti Veyron 16.4, lançado oficialmente em 2005, foi produzido até 2015 em apenas 450 unidades. Com 1.001 cv, 1.250 Nm de binário e velocidade máxima de 407 km/h, tornou-se o primeiro automóvel de estrada a ultrapassar a barreira dos 400 km/h — um marco que mudou para sempre a história do automóvel.

O Chassis 5.0 permanece, até hoje, como um dos capítulos mais importantes dessa jornada. Um lembrete de que, quando a visão e a engenharia se encontram, o impossível pode mesmo sair da linha de produção.
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