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Bugatti Veyron: o sonho de Ferdinand Piëch que deu origem ao primeiro hipercarro da história

  • Foto do escritor: Redação Europa
    Redação Europa
  • 25 de out. de 2025
  • 3 min de leitura
Bugatti Veyron: o sonho de Ferdinand Piëch que deu origem ao primeiro hipercarro da história

O lendário Chassis 5.0 foi o protótipo que transformou um conceito visionário em realidade e marcou o nascimento de uma nova era automóvel


No início dos anos 2000, a indústria automóvel vivia um momento de viragem. O então presidente do Grupo Volkswagen, Prof. Dr. Ferdinand Karl Piëch, desafiava os limites da engenharia com um objetivo aparentemente impossível: criar um automóvel com mais de 1.000 cavalos, capaz de superar os 400 km/h, mas que, ao mesmo tempo, oferecesse conforto e requinte suficientes para chegar à ópera ao fim do dia.



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O resultado desse desafio seria o Bugatti Veyron 16.4, um automóvel que redefiniu o significado de performance e inaugurou oficialmente o conceito de hipercarro. Mas antes de o modelo chegar às estradas, foi preciso transformar o sonho em engenharia concreta — e essa missão teve um protagonista discreto, mas decisivo: o Chassis 5.0, um dos seis protótipos pré-série que prepararam o caminho para o Veyron de produção.


O protótipo que tornou possível o impossível

Em 2005, quando o Chassis 5.0 tocou o asfalto pela primeira vez, a Bugatti enfrentava desafios técnicos inéditos. O carro contava com dez radiadores, uma caixa de dupla embraiagem DSG de sete velocidades — desenvolvida pelo então diretor técnico Dr. Wolfgang Schreiber — e o lendário motor W16 de 8,0 litros com quatro turbocompressores, criado sob a direção de Gregor Gries e do falecido Dr. Karl-Heinz Neumann.


Bugatti Veyron: o sonho de Ferdinand Piëch que deu origem ao primeiro hipercarro da história

Essas soluções, testadas durante centenas de milhares de quilómetros, foram aperfeiçoadas nos protótipos que antecederam o Chassis 5.0. O objetivo: domar uma potência colossal sem comprometer a fiabilidade nem o conforto.

“Lembro-me de cada detalhe do meu primeiro contacto com o Chassis 5.0. O som e a força do W16 eram algo puro e visceral. Foi nesse momento que percebi que o sonho do Dr. Piëch tinha-se tornado realidade”, recorda Christophe Piochon, atual presidente da Bugatti Automobiles e, à época, responsável pela qualidade de produção.

Um laboratório sobre rodas

Mais do que um protótipo de testes dinâmicos, o Chassis 5.0 foi uma ferramenta de desenvolvimento e homologação. Serviu para validar processos de montagem, aperfeiçoar superfícies de alumínio e fibra de carbono, testar a qualidade da pintura e até redefinir métodos de controlo de qualidade.


Bugatti Veyron: o sonho de Ferdinand Piëch que deu origem ao primeiro hipercarro da história

Foi neste carro que os engenheiros da Bugatti instalaram placas de titânio nos travões, uma solução que permitiu atingir a temperatura ideal de funcionamento e garantir travagens consistentes mesmo sob esforço extremo.


O legado do Chassis 5.0 estendeu-se muito além do Veyron: influenciou diretamente a construção do Chiron, o sucessor que herdou a filosofia e o rigor técnico aperfeiçoados neste protótipo.


Do ateliê de Molsheim ao estrelato mundial

Depois de cumprir a sua função como veículo de testes, o Chassis 5.0 assumiu um novo papel: apresentar o Veyron ao mundo. Participou na inauguração do Atelier de Molsheim, realizou os primeiros ensaios internacionais em Sicília e protagonizou aparições televisivas icónicas, incluindo o programa Top Gear, da BBC.


O carro também serviu de vitrine para Pierre-Henri Raphanel, ex-piloto das 24 Horas de Le Mans e primeiro “Pilote Officiel” da marca, que conduziu o Veyron em demonstrações e eventos por todo o mundo.


Mais tarde, o Chassis 5.0 ganhou uma nova pintura — preto e prateado metálico — e regressou à sede da marca, onde hoje é exibido como símbolo da fusão entre herança, paixão e engenharia extrema.


Bugatti Veyron: o sonho de Ferdinand Piëch que deu origem ao primeiro hipercarro da história
“Cada sonho começa com uma centelha de inspiração. O Chassis 5.0 foi o ponto de viragem que tornou o Veyron possível — uma obra de engenharia que redefiniu o significado de performance e elegância”, afirmou Christophe Piochon, ao celebrar os 20 anos do hipercarro.

O Veyron: quando a engenharia superou a ficção

O Bugatti Veyron 16.4, lançado oficialmente em 2005, foi produzido até 2015 em apenas 450 unidades. Com 1.001 cv, 1.250 Nm de binário e velocidade máxima de 407 km/h, tornou-se o primeiro automóvel de estrada a ultrapassar a barreira dos 400 km/h — um marco que mudou para sempre a história do automóvel.


Bugatti Veyron: o sonho de Ferdinand Piëch que deu origem ao primeiro hipercarro da história

O Chassis 5.0 permanece, até hoje, como um dos capítulos mais importantes dessa jornada. Um lembrete de que, quando a visão e a engenharia se encontram, o impossível pode mesmo sair da linha de produção.


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